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Erro em julgamento feito por vereadores custou mandato de prefeito

05 Março 2018 15:22:02

Bepe Massoquetto, ex-prefeito de Rebouças, teve seu mandato cassado pela Câmara de Vereadores

Kelly Ramos
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Foto: Vinícius Batista
Bepe Mossoquetto credita a cassação do seu mandato a denúncias, que intitula caluniosas

“Ofereço essa investigação que me inocentou para as mais de 5 mil pessoas que me elegeram e para minha mãe de 84 anos, que nunca gostaria de ter visto o seu filho taxado de corrupto e ladrão”, desabafou o ex-prefeito de Rebouças, José Amilton Massoquetto, conhecido como Bepe Massoquetto, em entrevista para a Folha de Irati.

Em 2007, em um processo ocorrido na Câmara Municipal, o seu mandato de prefeito foi cassado. A apuração feita pelos vereadores era sobre suspeita de improbidade administrativa. Contudo, 11 anos após o julgamento que o fez perder o cargo, o Ministério Público do Paraná deu um parecer solicitando o arquivamento do inquérito que apurou a situação, porque as denúncias contra Massoquetto não foram comprovadas. 

O Poder Judiciário também decidiu não incluir o agente político no polo passivo da ação, por não haver indícios mínimos para prosseguir com o processo.

Na época, o ex-prefeito seguia para o terceiro ano do seu mandato. “Fazíamos um trabalho bom, sempre em prol da comunidade. Mas, um grupo político causou minha cassação e hoje a justiça mostra o contrário”, afirma.

As denúncias relatavam a contratação direta de três empresas, sem licitação, além de suposto superfaturamento na compra de óleo diesel. Entre as diligências, foi realizada uma auditoria pelo Ministério Público, a qual não evidenciou provas de prejuízos ao erário. Também constou que os preços nas compras de combustíveis na época não eram superfaturados.

Ainda investigaram os valores em contas bancárias de Massoquetto. Foram detectados valores lícitos e de evolução patrimonial decorrentes de recebimento de herança. Sobre outras movimentações financeiras, vários cidadãos declararam que pagaram dívidas oriundas de folhas de cheques emprestadas pelo ex-prefeito. “Eu emprestava folhas de cheques para quem tinha problemas nas suas empresas, para amigos do comércio. Eles compravam com prazo de 30 dias, e com 25 ou 28 dias cobriam, depositando na minha conta e isso tudo foi comprovado”, explica.

Sobre a denúncia de superfaturamento na compra de óleo diesel, o ex-prefeito fala que foi um absurdo. “Devido à dificuldade financeira em que passavam os pequenos produtores de fumo, da agricultura familiar, contratamos tratores para as comunidades através das associações. Um produtor sedia as máquinas e nós comprávamos o óleo diesel, para desenvolver os trabalhos nas horas necessárias, como no plantio e safra”, relata.

Além de Massoquetto, que não está incluso no polo passivo da ação, a investigação continua sobre outras pessoas, como donos de empresas e o secretário municipal de Obras da época.

BRIGA POLÍTICA

Bepe Mossoquetto credita a cassação do seu mandato a denúncias, que ele intitula caluniosas, pela oposição da época. “Me difamaram. Para as pessoas desse grupo político que gostam de perseguir, quero que saibam que estão atrapalhando o desenvolvimento do município e espero que não voltem a fazer isso com ninguém que esteja no poder a contragosto deles. Digo que melhorem seus travesseiros, porque na hora de dormir vai pesar a consciência pelo erro que cometeram”, enfatiza.

Na política desde 1988, Massoquetto foi vereador por três mandatos antes de ter se elegido prefeito, em 2004. Na última eleição municipal ele pôde se candidatar novamente e hoje é um dos vereadores da Câmara Municipal de Rebouças, ressaltando que nesse pleito tentaram impugnar a sua candidatura. “Depois que fui cassado, minha esposa também se elegeu vereadora e eu continuei trabalhando em associações, sempre colaborando com a nossa comunidade”, ressalta.

RESSARCIMENTO

O ex-prefeito fala que buscará o ressarcimento dos danos que sofreu nos últimos anos devido à cassação do seu mandato. “A justiça tarda, mas não falha. Esse grupo devia pagar pelo erro cometido. Vou ver de que maneira será possível cobrar os prejuízos financeiros e, principalmente, morais. Foi uma injustiça muito grande”, acrescenta.

 

 

 

 

 

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