TRADIÇÃO EM IRATI

Quando a farda é trocada pela roupa do 'Bom Velhinho'

22 Dezembro 2017 15:50:59

Bombeiros promovem a alegria de muitas famílias na noite de Natal

Kelly Ramos
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Foto: Kelly Ramos
Sargento Pedroso e o cabo Vieira mantém viva a tradição de décadas da corporação

Uma das histórias que mais demonstram o verdadeiro espírito natalino em Irati ocorre há décadas. O Corpo de Bombeiros, que tem uma unidade no município há 69 anos, conta com voluntários da corporação que fazem a alegria de muitas famílias na noite em que se comemora o nascimento do menino Jesus.
O cabo José Celso Vieira, hoje na reserva, e o sargento João Carlos Pedroso, devidamente vestidos de Papai Noel, ficam à disposição da população na noite de 24 de dezembro para entregar presentes ou mesmo para levar uma boa palavra e carinho às pessoas. Vieira faz esse trabalho voluntário há 31 anos e Pedroso há pelo menos 10. As atividades iniciam às 18h e terminam somente de madrugada, por volta das 2h.
Segundo Pedroso, tudo começou com o bombeiro Antonio de Lima, quando se vestia de Papai Noel para distribuir presentes para filhos dos próprios bombeiros. Diante disso, algumas famílias começaram a pedir que fossem em suas casas também. O trabalho passou de pai para filho, sendo que o sargento Lima também realizou durante alguns anos. “O Natal é um momento importante e não significa somente o presente que se ganha. É perdoar, ter esperança e fé”, ressalta Pedroso.
O cabo Vieria, ao ser questionado sobre o motivo de há tantos anos se disponibilizar em levar alegria a famílias iratienses, responde com outra pergunta: “- Qual é preço de um sorriso?”. Nas três décadas que se veste e incorpora o bom velhinho, ele comenta que os momentos que mais o marcaram foi comemorar o Natal no asilo com os idosos e com os alunos da APAE. “São momentos que fazem tudo valer a pena”, destaca. 
Tanto para um, como para o outro, o Natal tem um significado especial e eles buscam oferecer ao próximo aquilo que não tiveram durante a infância. “Nunca tive Papai Noel em casa. Minha família não tinha essa união que vejo em tantas casas e acho bonito”, diz Pedroso. “Eu não tive como aproveitar a minha infância e ver uma criança feliz com esse trabalho que fazemos é muito bom, nos traz entusiasmo e faz continuarmos”, completa Vieira.
Os dois não sabem dizer exatamente em quantas casas vão na noite de Natal e afirmam que seus familiares já estão acostumados com eles fora de cada nesta data. No quartel do Corpo de Bombeiros chega a formar fila de pessoas que querem a visita dos bons velhinhos. “Muitas vezes visitamos pessoas doentes, crianças acamadas. Poder fazer alguém feliz, rezar um Pai Nosso, é uma grande felicidade”, destaca Pedroso, afirmando que mesmo depois que se aposentar pretende continuar fazendo visitas na noite de Natal, quando também podem entregar presentes que são comprados pelas famílias. “Se pudéssemos comprávamos um brinquedo para cada criança. Como não conseguimos, levamos nosso carinho”, ressalta o sargento.
FILOSOFIA DE VIDA
Para o comandante do 3º Subgrupamento do Corpo de Bombeiros, que tem sede em Irati, capitão Jorge Augusto Ramos, as visitas que os bombeiros realizam na noite de Natal é algo que vai além do que ocorre dentro do quartel, é uma filosofia de vida desses profissionais. “Alguns se identificam tanto com a questão de ser solidário, que nessa época do ano, em que estamos mais sensíveis a buscar ajudar o próximo, eles desenvolveram uma forma própria”, comenta.
Para o capitão esse trabalho reflete diretamente nas famílias que recebem os dois bombeiros, que levam uma mensagem de paz, sem cunho comercial ou financeiro.

 

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