LITERATURA

A poesia do Paraná tem um grande nome – Paulo Leminski

25 Agosto 2017 14:21:15

O poeta nasceu em Curitiba e tornou-se um dos mais importantes na segunda metade do século XX

Kelly Ramos
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Foto: Fotos: Reprodução

Nesta edição da Folha de Irati nós vamos conhecer um grande poeta paranaense: Paulo Leminski. Ele nasceu na capital do Estado, Curitiba, em 1944 e consagrou-se por sua obra, bastante conhecida em todo o país e que ainda influencia diversos autores. Poeta de vanguarda, letrista de música popular, escritor, tradutor, professor e, pode parecer inusitado, mas ele também era faixa-preta de judô.

Paulo Leminski Filho é filho de Paulo Leminski, militar de origem polonesa, e Áurea Pereira Mendes, de descendência africana. Com 12 anos ingressou no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, onde estudou latim, teologia, filosofia e literatura clássica.

Em 1963, abandonou o Mosteiro, e nesse mesmo ano foi para Belo Horizonte onde participou da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, quando conheceu Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos, criadores da Poesia Concreta. Em 1964, publicou seu primeiro poema na revista “Invenção”, editada pelos concretistas. Nesse mesmo ano, assume o cargo de professor de História e Redação em cursinhos pré-vestibulares.

Em 1976, Paulo Leminski publicou seu primeiro romance “Catatau”, obra “Maldita”, em que o experimentalismo atinge níveis pouco usuais, classificada pelo autor como mero romance ideia. Nessa época, trabalhou como diretor e redator de publicidade. Publicou seus textos em revistas alternativas, segundo ele mesmo, publicações que consagraram grande parte da produção dos anos 70.

Paulo Leminski tornou-se um dos mais destacados poetas brasileiros da segunda metade do século XX. Inventou seu próprio jeito de escrever poesias, fazendo trocadilhos ou brincando com ditados populares: “sorte no jogo / azar no amor / de que me serve / sorte no amor / se o amor é um jogo / e o jogo não é meu forte, / meu amor?”.

Leminski não era um escritor convencional. Como um típico representante da poesia marginal e, por isso, muito distante de qualquer ícone literário, Leminski brincou com a poesia visual, resgatou o haikai (poemas pequenos, com métrica e moldes orientais) e incorporou elementos da publicidade, da música, do cartum e do humor na construção de uma prosa e poesia marcadas por seu incontestável poder de síntese.

Leminski era fascinado pela cultura japonesa e pelo zen-budismo.  Ele escreveu também letras de músicas em parcerias com Caetano Veloso, Itamar Assumpção e o grupo A Cor do Som. Exerceu intensa atividade como crítico literário e tradutor.

O poeta viveu durante 20 anos com a poetisa Alice Ruiz, que organizou sua obra. Leminski era um boêmio inveterado. Em 7 de junho de 1989, por causa de problemas com o álcool, ele acabou falecendo, em Curitiba. Mas sua obra continua viva e pulsante.

 

Bem no fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Paulo Leminski

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