Notícias
Agricultura
Colunistas
Contando Estórias
Editorial
Educação
Entrevistas
Esporte
Folha Interativa
Fotoflagra
Geral
Irati por sua gente
Opinião
Policial
Política
Saúde
Últimas
Canais
Editais
Classificados
Previsão do Tempo
Economia
Webmail
Click Folha
Expediente
Quem somos
Contatos
Irati
Capa desta Edição
Capa
 
Notícias | informação com credibilidade
 
O dilema da faixa contínua

sexta-feira, 30 de julho de 2010

clique na foto para ampliar
clique na foto para ampliar

Faixa contínua causa contradição

É comum que o desenvolvimento econômico, social e cultural de uma cidade traga consigo alguns problemas estruturais, mesmo para aquelas cidades que se pensou em planejamento urbano.

Um dos grandes exemplos, e fazendo um breve recorte histórico, podemos lembrar da capital do país: Brasília – DF, que foi projetada na década de 50, para uma população de 500 mil habitantes.

Hoje, a realidade da capital é bem diferente, pois o crescimento desordenado fez com que a taxa populacional atinja atualmente cerca de 2,5 milhões de habitantes. Esse fenômeno gerou, portanto, o desequilíbrio em um contexto muito amplo. Ao seu entorno surgiram as cidades satélites, que hoje são o reflexo da pobreza e da desigualdade social.

Mas essa cruel realidade não é exclusividade das grandes metrópoles, pois nas cidades interioranas essa característica começa a aparecer de maneira sutil, mas que deixa de ser imperceptível.

A busca pela qualidade de vida, por segurança e por áreas em que o valor da terra seja mais acessível, faz com que muitas pessoas pensem em migrar para centros menores.

Trazendo todo este contexto para a nossa realidade, lembramos que o município de Irati, passou ao longo dos anos por muitas mudanças, tanto no crescimento populacional como em seu desenvolvimento econômico, prova disto são as obras construídas simultaneamente em diversos locais da cidade.

Se considerarmos as áreas planas do município, pode-se perceber que dificilmente encontraremos terrenos vagos para a construção civil.

E é nesta oportunidade que locais alternativos, como os pontos mais altos da cidade, passam a receber infraestrutura, o que permite a construção de propriedades em lugares onde antes não era recomendado.

PR-153

A extensão de 8 km compreende o trevo de acesso à PR-153, sentido Riozinho, onde se localiza a Unicentro, atravessa todo o perímetro urbano. Esta forma alongada expressa claramente o crescimento de Irati, através de pontos comerciais, industriais, residências e novas construções.

O que vem acontecendo é uma expansão do tecido urbano, proporcionando, portanto, interpretações contraditórias sobre o que seja urbano e rural e que, de certa forma, interferem no planejamento e ações em torno da PR-153.

Para falar do assunto e da situação que vem ocorrendo ao longo da rodovia, a Folha de Irati entrevistou  esta semana o  professor do Departamento  de Geografia da Universidade Estadual do  Centro –Oeste (Unicentro), pesquisador da área de transporte e logística, Roberto França, que abordou questões em torno  da situação  que vem sendo  discutida e fatores que interferem em algumas ações e decisões estruturais do município.

Segundo França, primeiro há de se compreender a diferença entre o que é de fato urbano e rural, e no contexto da PR–153, essas duas definições acabam se correlacionando. O professor entende que do Bairro Jardim Aeroporto até a Universidade, do ponto de vista geográfico e das características morfológicas (formas), se trata de uma área com características rurais. Desse ponto de vista, o perímetro urbano de Irati não abrangeria esta área. “No entanto, como ficaria o caso da Unicentro, que é um serviço eminentemente de características urbanas?” questiona França. O perímetro urbano é a fronteira que separa a área urbana da área rural no território de um município. Somente em terrenos localizados dentro deste perímetro permite o poder público determinar o parcelamento do solo a fim de atender os interesses de seus moradores. Dentro deste perímetro, a administração municipal é responsável pelos serviços urbanos (por exemplo, coleta de resíduos), sendo lícito cobrar as taxas correspondentes e arrecadar impostos sobre a propriedade. “A área foi  delimitada pelo poder público municipal, com o objetivo de estabelecer políticas urbanas, mas que do ponto de vista geográfico e morfológico não se enquadraria, a não ser do ponto de vista do planejamento. Ademais, indo da rodovia, em direção a leste do município é tudo área rural, e não urbana, na teoria”, lembra o pesquisador.

Assim, de acordo com França, essa situação acaba trazendo uma justificativa para o DER (Departamento de Estradas e Rodagens) estabelecer uma rodovia, como é o caso da PR-153, como sendo uma “via urbana”, por passar num suposto “território urbano” do município (da rodovia, em direção a leste).

“Um exemplo que podemos citar é quanto a velocidade máxima permitida em rodovia que seria de 80 Km/h, mas por entenderem que a rodovia cruza o perímetro urbano do município, e acabaram reduzindo a velocidade na PR-153 para 60 Km/h”, destaca o  professor.

Por um lado, essa velocidade se justifica, mas o fato é que a área urbana acabou se apropriando da rodovia e vice e versa, que faz com que algumas questões recebam duplas interpretações.

“Essa definição de que áreas rurais sejam transformadas em urbanas por meio do instrumento ‘perímetro urbano’ justifica ao DER fazer as faixas contínuas como ‘medida de segurança’, contudo, se fossem contabilizados os fluxos das entradas e saídas para a PR-153, veriam que é um contrassenso fazer faixa contínua ao longo dos 8 km”, afirma o professor. Antes da reforma da rodovia existiam pontos de ultrapassagem, por que não existem mais? Não parece que haja uma justificativa calcada na segurança. A travessia entre o lado leste-oeste da rodovia só é intensa na Unicentro, e a partir da Vila São João.

No entanto, o professor alerta que a faixa contínua não é determinante para a lentidão nos horários de rush. De acordo com França, “se formos analisar existe um problema estrutural ainda maior, que começa com o aumento do número de veículos, nos últimos anos; a ineficiência do transporte público, que não permite, por exemplo, o conforto de passageiros, o que torna a utilização de automóveis em maior escala; além do próprio gargalo que é a PR-153, que ao longo de 8 km não tem um ponto sequer de duplicação, não permitindo uma fluidez no trânsito, além de causar ainda mais insegurança”, lembra.

Solução

O problema da faixa contínua na pista, que deve sim ser considerado, é em horários em que o tráfego de veículos acaba sendo menor, pois é neste momento, que a ultrapassagem de fato, poderia ser feita.

“É importante destacar, que apesar de haver vários pontos de interseção ao longo dos 8 km de rodovia, eu considero que existem entradas e saídas com fluxos muito baixos, que justificariam a pontos de ultrapassagem”, ressalta França.

Segundo ele, se abertos esses pontos de faixa seccionada haverá maior fluidez no tráfego e diminuirá a imprudência, pois os motoristas só ultrapassarão onde de fato  há segurança e visibilidade.

“As questões sobre a PR-153 são amplas e devem ser discutidas  ponto a ponto, para que possa haver um controle do crescimento em torno da rodovia, para que problemas estruturais ainda mais agravantes não venham acontecer futuramente”, finaliza o  geógrafo.

Um contraposto entre a segurança e a paciência dos motoristas. Um grande dilema que vem  acontecendo  em torno  da PR -153, é a faixa contínua que vem  sendo  questionada pelos condutores.

Esta sinalização horizontal inicia no  trevo  de acesso a PR, no Km- 330 , sentido  Riozinho e  se estende até o Km- 338, no trevo  de acesso  a Universidade Estadual do  Centro -Oeste (Unicentro).

Nos horários de pico é onde acontece o maior problema. Além de ser uma das principais rodovias de acesso,onde acontece o trânsito de veículos de carga pesada, é também através dela o único acesso ao  Campus Universitário da Unicentro.

O período que compreende das 18h40 às 19h15, segundo motoristas é lento, embora a velocidade máxima permitida é de 60 km por hora. “A lentidão incomoda, pois são 8 km de faixas contínuas, o que em tese, segundo o código de Trânsito Brasileiro não permite a ultrapassagem em nenhum trecho deste percurso”, segundo  o iratiense,Marcos Antonio Pereira.

O motorista Silvio Pereira, que realiza este percurso diariamente, também reclama da lentidão. Além do fluxo de veículos sentido  Unicentro ser muito  grande, a faixa contínua não permite a ultrapassagem , pois existem pontos que daria para haver faixas seccionadas”, destaca.

Para constatar tal situação essa semana a Folha de Irati, realizou uma matéria abordando o tema em questão, afim de verificar o problema e possíveis alternativas de solução.

O  instrutor de autoescola e  Policial Rodoviário aposentado  , Edson Luis Elias , nos acompanhou durante a verificação do  trajeto.  Durante todo o percurso constatou, que neste trecho  há inúmeros imóveis, estabelecimentos comerciais, entradas de acesso à bairros, o que na prática não possibilita que haja faixas seccionadas, as quais permitem a ultrapassagem. Também foi  verificado que as lombas , e as curvas em muitos pontos , não permitem a visibilidade,  e não  proporcionaria uma ultrapassagem com segurança.

“Seria impossível a faixa dupla seccionada , a qual permite ultrapassagem , pois não  há condições de visibilidade e segurança” destaca o  Elias.

PRE

Para o comandante da Polícia Rodoviária Estadual de Irati, Sargento Celso Ribeiro, o que acontece é que em torno da rodovia, PR-153, houve  um crescimento populacional e de comércio, e para oferecer segurança a população  é de extrema importância que não  haja trechos de ultrapassagem.

“ A legislação é feita para proteger o interesse e a vida do cidadão e prevê a integridade,  por essa razão  que a faixa contínua deve ser respeitada”, afirma o  comandante.

Neste mesmo  sentido, Sargento Ribeiro  destacou que na PR -364, sentido Irati  à Inácio Martins , no trecho que inicia na localidade de Guamirim , são 26 km de faixa dupla, mas que justifica-se pelo  fato  da sinuosidade da estrada.

Ao  longo deste percurso, foi contabilizado   89 curvas , uma ponte, um viaduto sobre linha férrea, e três passagens de linha férrea, “o que significa que em nenhum ponto  há fuga para ultrapassagem, pois a própria condição da topografia desta estrada impede que tenha faixa seccionada para tal manobra”, lembra Ribeiro.

Quanto ao  fluxo  nesta rodovia , por exemplo , o sargento  destacou que não é intenso , o que acaba não dificultando a passagem nesta estrada.

DER

A Folha também ouviu o Chefe do  DER (Departamento de Estradas e Rodagens) de Irati , o  engenheiro civil, Pedro  Binsfeld , segundo ele, o que acontece no caso  da rodovia PR-153, é a grande quantidade de interseções ao  longo dos 8 km, “para que haja a possibilidade de ultrapasagem é necessário que não haja interseções a cada 250 metros, e é o que não existe neste trecho”, destaca o engenheiro.

Outra dúvida quem vinha causando aos motoristas é a interpretação da pintura das faixas em certos locais, pois a  faixa dupla seccionada é encontrada em todas as intercessões ao  longo  da rodovia, “ Muitas pessoas interpretam como se fosse de ultrapassagem, sendo que  esta pintura de faixas duplas seccionadas, corresponde a indicação de cruzo  na rodovia, e não  da direito  de ultrapassagem no  sentido  longitudinal”, destaca Pedro.

Ainda segundo ele , as pinturas da faixa dupla contínua, que foi  feita em 2009, teve como  objetivo  proporcionar maior segurança a motoristas que trafegam nesta rodovia.

Conclusão

Este tema é muito complexo, e ao  longo  da matéria gerou  opiniões divergentes ao  assunto. Dentro da lei, ou  da coerência,  o que deve existir entre os motoristas acima de tudo  é o  bom senso e a responsabilidade acima de tudo. Muitas vezes a lentidão no trânsito pode causar a irritação , mas há de se perceber que também pode salvar  vidas e evitar  acidentes.

 
 
 
 
8.9.2010 - Empresário morre na PR 153
3.9.2010 - Vicente e Burko são condenados por Improbidade
3.9.2010 - Falta de médicos nos postos prejudica população
3.9.2010 - Este ano não haverá Desfile de 7 de Setembro
3.9.2010 - Rossoni pede ao MP que investigue o uso político da máquina do governo
3.9.2010 - “Negócio a Negócio” vai atender mais de 200 empresários de Irati
 
 
 
Classificados
Automóveis
Diversos
Imóveis
 
 
Inicial | Quem somos | Capa | Classificados | Webmail | Fale conosco | DivertFolha | Educação | Policial | Esportes | Geral