Cerca de 300 fiéis participam de romaria em homenagem à Nossa Senhora das Graças

Peregrinos vieram de diversas no localidades do interior de Irati e se reuniram na Santa

Amanda Borges com reportagem de Nilton Pabis

Uma das atividades mais tradicionais do município de Irati é Romaria que parte do Pinho de Baixo rumo à Colina de Nossa das Graças, que acontece no dia 27 de novembro, data dedicada à Santa. Os peregrinos iniciam a caminhada na Capela Bom Jesus, ainda de madrugada, e fazem todo o percurso orando e dando graças. No decorrer do trajeto ocorreram diversas paradas em capelas da região rural da cidade, para que mais fiéis se unissem ao grupo.

Em 2021, especialmente, havia uma grande expectativa para realização do evento, já que a caminhada não pôde ocorrer no ano anterior devido à pandemia. Por isso, esperava-se um público maior que nos últimos anos. Correspondendo ao aguardado, participaram, em média, 300 pessoas. Os seguidores pretendiam chegar à Colina às 9h para participar da missa, agendada às 10h, e das demais festividades que aconteceriam no monumento.

A história da Romaria do Pinho teve início em 2008, com duas pessoas que rogaram milagres à Nossa Senhora das Graças e os receberam. Como forma de agradecimento, decidiram realizar a caminhada partindo da comunidade Bom Jesus, assim como ocorre até hoje. Na primeira ocasião, participaram apenas 15 pessoas. Já no ano seguinte, em 2009, a romaria teve a participação de 63 fiéis. Cerli Laroca, uma das principais organizadoras da iniciativa, explica que as motivações dos peregrinos são muitas: “os pedidos são diversos, muita gente agradecendo, pedindo”, disse.

A devoção dos peregrinos é tanta que em um dos anos a caminhada ocorreu mesmo abaixo de chuva. “Aquele foi um dia que nós achamos que não íamos chegar a pé, por que era muita água”, relata Adelvino Santana. Aos 68 anos, Santana participa há anos da romaria. Sua motivação é o agradecimento por todas as bençãos recebidas, ele se diz devoto de Nossa Senhora das Graças “desde sempre, desde a infância”.

“Cada um traz no seu coração o que está querendo receber” – Cerli Laroca

O casal Adriano e Fátima realizaram a caminhada com seus dois filhos. Fátima conta que a família toda participa da romaria em ação de graças à vida de Caíque, um dos meninos, que sofreu com complicações renais muito avançadas. “Lembro que no dia que ele foi pra UTI eu só pedi a Deus para ele não tirar ele de mim”. Sua mãe diz que a prece foi ouvida e a cura providenciada. Caíque deixou a UTI no dia 27 de novembro, dia de Nossa Senhora das Graças. “Ele está curado! Totalmente agora!”, comemora a mãe.

A devota Marici participa há seis anos da caminhada e também veio agradecer as bênçãos recebidas. Marici conta que a família foi muito abençoada, as graças perpassam a cura de um tumor cerebral de uma prima, o sucesso na gestação e parto da cunhada e a recuperação do marido de um atropelamento. Todas as bençãos ocorreram por intercessão de Nossa Senhora das Graças.

Este ano, a chegada na colina ocorreu às 9h20. Ao chegar, a devota Silvana Bobato Laroca compartilha que a intenção na realização da romaria é a forma de expressar sua gratidão. Silvana conta em seu testemunho que sofreu com um câncer na tireoide, no final de 2016, e foi submetida à uma cirurgia para retirada dos nódulos. Durante a operação, o cirurgião rompeu uma de suas pregas vocais e, por conta do incidente, o médico disse à família que ela nunca mais recuperaria a voz. Silvana é professora e diz que, por escolha da família, não tomou conhecimento da possibilidade. Durante a recuperação da cirurgia, um missionário visitou o quarto de Silvana e disse que Nossa Senhora havia o encaminhado até ali. Ele cantou para ela um hino em forma de prece e na frase “cura Senhor onde dói”, Silvana disse “dói”. No mesmo momento, seu médico entrou no quarto, caiu em choro e contou que sua corda vocal tinha sido cortada. Hoje, após acompanhamento fonoaudiológico assíduo, Silvana fala perfeitamente.

Na romaria participam fiéis de todas as idades que caminham cheios de ânimo, alegria e disposição, tanto para ir até a Santa, quanto para voltar para suas casas. Percorrer o trajeto acaba sendo tranquilo para os devotos. Já que, como canta Gilberto Gil, “andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar” (e nesse caso, menos ainda faltar).