Com investimento de R$ 30 mi, Moageira vai dobrar produção

Obra está em fase de execução e deve começar os serviços após a metade de 2021

A Moageira Irati está ampliando os serviços no município. A empresa, que já tem um moinho na região Central, está construindo um novo, junto da outra unidade na BR-277, e vai dobrar a produção. A ideia é que os dois estejam funcionando juntos até o próximo ano.

O novo projeto é similar ao que existe no Centro de Irati. É uma unidade nova, com maquinário novo, que estão chegando no local. “No máximo até setembro de 2021, teremos uma nova indústria, um novo moinho rodando em Irati, e terá a mesma capacidade que a unidade do Centro. O prédio foi concebido para duas linhas de produção, vamos rodar uma linha inteira nova que é para não cessar nenhum dos contratos com os nossos clientes”, disse o diretor presidente da Moageira Irati, Marcelo Vosnika.

Com a construção do novo moinho e após trazer o que já existe no Centro, a empresa terá duas linhas de produção totalizando cerca de 600 toneladas/dias, e chegará em de 50 mil toneladas trigo/ano, exatamente o dobro que tem hoje.

Algumas mudanças devem acontecer no quesito tecnologia na Moageira. Além da otimização dos processos produtivos, têm as questões de moagem de trigo, e de processamento de resíduos, que vai gerar um aproveitamento melhor do produto. O projeto é focado no trigo da região. “A Moageira tem a filosofia de adquirir a matéria-prima desta região, sempre valorizando o produtor local. É um moinho concebido muito forte para o trigo desta região. A principal tecnologia é que ele é feito sob medida para o trigo da região”, comenta Vosnika.

O investimento, nesta primeira fase do projeto, é de R$ 30 milhões. Mas já existe há 10 anos, quando a empresa iniciou com os armazéns de trigo. Marcelo destaca que o principal investimento é na região, pois toda a matéria-prima é comprada dos produtores daqui, e depois o produto é vendido fora. O que faz com que a empresa seja uma transferidora de recursos. A Moageira faz uma transferência de renda de, mais ou menos, R$ 80 milhões, pois vende fora e injeta na economia de Irati.

A empresa também é uma das maiores geradoras de empregos do município, e com a implantação do novo moinho deve disponibilizar mais 60 cargos, mas Marcelo explica que todo o projeto inclui contratação de pessoas. “O moinho é construído em três partes, do silo de grãos, a parte da moagem e a parte da expedição de farinha. Duas já eram feitas aqui, na parte de trás já existe a expedição. O silo nós já temos aqui na planta. Agora, nós estamos fazendo só a parte de moagem, e ela agrega cerca de 60 funcionários, mas o projeto todo já vem contratando pessoas desde o início. Esperamos fechar tudo com cerca de 600 funcionários”.

Outro diferencial da Moageira Irati é a qualidade no produto, por ser uma empresa grande e ter grandes multinacionais contratadas busca sempre inovar e ter a melhor qualidade exigente no mercado, e é isso que o projeto deve agregar na empresa. “Nós éramos um moinho médio atendendo eles, agora passamos a ser um moinho com uma representatividade um pouco melhor, e para conseguir isso, esse nível de cliente, só com políticas de qualidade muito duras. A gente tem a PSSC mil que é uma das principais certificações de qualidade do mundo, que são as exigências dos principais clientes dessas multinacionais”, comenta o diretor presidente.

O novo prédio em fase de construção, e é um pré-moldado. A empresa Engeprocons é quem faz os serviços. “Este é um conceito que a Moageira tem: valorizar sempre os fornecedores da região, mais de 90% da municipalização da obra foi feita com fornecedores de Irati, a estrutura, base, prédio comprado aqui”, disse Marcelo. Apenas as máquinas que serão utilizadas no moinho não são de Irati, pois não há fornecedor neste ramo. Elas são italianas e serão montadas em Fortaleza. O prédio novo deve ser finalizado até o fim deste ano.

PRÉDIO CENTRAL

Em relação ao prédio da empresa que fica no Centro de Irati, Marcelo diz que ainda não sabe o que será feito, pois é um dos mais antigos do município, e já tem 60 anos. “A ideia é fazer algo glamoroso, que ajude a remeter as origens do município, então pensando até em um concurso público de arquitetura ou de ideias para ver o que fazer com ele, ou com os órgãos municipais ou estaduais, como um prédio de 60 anos no Centro. A ideia é fazer um projeto muito legal lá, mas até agora não temos pré-definido o que vai ser”, comenta. A retirada do moinho do Centro deve ocorrer, se tudo estiver de acordo com as expectativas, em cinco anos.

MOAGEIRA

Moageira Irati é uma das empresas mais antigas do município e teve um bom desenvolvimento ao longo dos anos. No início, a ideia era construir uma fábrica de biscoito também no Centro, em frente ao moinho. Mas o projeto e a relação com os agricultores, a parte de trigo desta região, de originação, fez um desvio nas ideias dos empresários. “Veio para cá para trazer direto do produtor nessa unidade a gente recebe trigo e o milho direto do produtor, uma cultura de inverno outra de verão, industrializamos tudo aqui e sai com farinhas especiais e com a ração para gado leiteiro”, observa Marcelo.

TRIGO DE ORIGEM E TRIGO IRATI

A farinha Trigo de Origem é um projeto mais recente da Moageira, de 2019, e pioneira no Brasil, não há similar. Ela é especial e utilizada para panificação artesanal de fermentação natural. E já vem sendo bastante utilizada na região para a produção desses produtos. Para ajudar os consumidores, na embalagem há um QRCode e traz todas as informações.

Já a farinha de trigo que se vê pelos mercados da região, Farinha Irati, voltou a ser comercializada há cerca de seis anos, e segundo Marcelo, foi bem aceita pela população. Ela é comercializada apenas na região, e criou um vínculo com o consumidor. O que esperavam dela em cinco anos, aconteceu em três.

RAÇÃO

Desde 2018, a Moageira Irati trabalha com a produção de nutrição animal, que foi um projeto de utilizar o subproduto do moinho, o farelo de trigo, otimizar no mercado e produzir a ração para o gado leiteiro. A ração vai 30% de farelo de trigo, e é bastante consumido pela região. “Este foi o conceito que nós adotamos para implantar aqui, dentro do parque, e com isso vamos aproveitar e comprar o milho dos produtores da região, direto do produtor, milho e trigo. Este é o principal ponto das indústrias da cidade, tentar industrializar aqui e vender o produto para fora, porque você estaria trazendo recurso para a região”, disse Vosnika.