Prudentópolis busca registro de Indicação Geográfica de cracóvia e mel

Produtos diferenciados e com origens no município têm potencial para obter o registro junto ao INPI

Redação e Assessoria Sebrae

A cracóvia e o mel produzidos em Prudentópolis, estão entre os produtos com potencial para buscar o registro de Indicação Geográfica (IG). Na semana passada, o grupo de trabalho composto pelo Sebrae/PR, Prefeitura de Prudentópolis, através das secretarias de Turismo e de Agricultura, PUC-PR, Unicentro, Associação dos Produtores de Embutidos de Prudentópolis, Associação Prudentopolitana de Apicultores e Meliponicultores (Apam) e o Sicredi, se reuniram para alinhar o trabalho. A intenção é protocolar o projeto no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em até um ano.
O gerente da regional Centro do Sebrae/PR, Joel Franzim Junior, lembra que, em 2020, o Sebrae realizou um levantamento de 110 regiões em todo o país, com potencial para conquistarem o reconhecimento oficial com IGs. Entre os produtos com potencial estão a cracóvia e o mel de Prudentópolis.
A consultora do Sebrae, Fabiola Costa, destaca que existem vários processos para a IG, sendo “como é feita a produção, quais seus diferenciais, quais as características notórias do município que fazem com que o mel e a cracóvia sejam referenciados”.
O presidente do Sicredi Centro Sul, Santo Cappellari, é um dos principais parceiros no processo de criação da IG da Cracóvia e Mel de Prudentópolis. Segundo ele, o Sicredi foi procurado para ser apoiador do projeto e na medida que foram conhecendo, também perceberam a importância desses produtos na história do município.
“Existe uma história de longa data que identifica esses dois produtos. Quando a gente começa a ver a quantidade de produtores de mel e cracóvia envolvidos percebemos a importância de contribuir”, conta Capellari.
Para a secretária de Turismo de Prudentópolis, Cristiane Boiko Rossetim, com a obtenção da IG, os produtores podem ganhar ainda mais mercado. A cracóvia é um embutido de carne e porco nobre defumada, que teve a receita criada por um morador local, Dionizio Opuchkevitch, na década de 60. Já a qualidade do mel fez Prudentópolis ser reconhecida, no passado, como a “Capital do Mel”. “Caso tudo ocorra conforme planejamos, seremos a primeira cidade do Estado a ter dois produtos com IG”, afirma a secretária.
Conforme o presidente da Associação dos Produtores de Embutidos, Marcos Machulekexistem cerca de 11 fábricas no município que produzem de 3 a 4 toneladas de cracóvia por mês.
Ana Léa Macohon é professora da Unicentro do setor de Ciências Contábeis e atua também no Campus de Prudentópolis. A entrada dela na área de apicultura ocorreu por meio de projetos extensionistas, os quais levaram a desenvolver iniciativas junto aos produtores de mel de Prudentópolis. Para ela, “a indicação geográfica é um direito de propriedade intelectual que é concedido pelo INPI, quando falamos em IG, falamos de qualidade”, aponta a professora.
Além da cracóvia, o município busca a IG para o mel, tanto o produzido pela abelha com ferrão, quanto o da abelha sem ferrão (Mandaçaia). A diferença entre eles, conforme explica o presidente da Apam, Tarcízio Kraiczek, está na propriedade de mel de uma abelha para outra. Hoje, a Associação conta com mais de 100 associados, sendo que a produção estimada no Município é de 400 mil quilos/ ano de mel.
“Em função da necessidade de diversificar a produção nas pequenas propriedades, a apicultura tem ganhado força novamente em Prudentópolis”, conta Kraizcek. Segundo ele, para que a produção seja de qualidade, a Associação tem atuado na organização do setor, com o apoio na aquisição coletiva de insumos; assistência técnica em parceria com a Emater; cursos em parceria com o Senar, além da criação de novas técnicas para o aumento de produtividade.
Hoje, o Paraná possui nove produtos com registro de IG que são o café do Norte Pioneiro, a goiaba de Carlópolis, o mel do oeste do Paraná, o queijo de Witmarsum, o melado de Capanema, a uva de Marialva, a erva-mate São Mateus – do sul do Paraná, o mel de Ortigueira e a bala de banana de Antonina. Outros cinco já foram protocolados no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI): a cachaça e aguardente de Morretes, o barreado e a farinha de mandioca do Litoral, o morango do Norte Pioneiro do Paraná e os vinhos de Bituruna. No Brasil são 87 produtos com registro.