150 Anos da Imigração Polonesa no Paraná
Estachinho: de Wadowice à Irati

Após a Primeira Guerra Mundial, uma insurreição eclodiu na Polônia e prosseguiu até a assinatura do Tratado de Versalhes, em junho de 1919. O tratado recria um Estado Polonês. Foram vários tratados e conflitos na região até se estabelecer o atual território. A Polônia sofreu muito com as guerras, mas nunca perdeu a enorme fé e sua religiosidade cristã.

Em 10 de maio de 1925, na cidade Wadowice, nasceu Stanislaw Wajdzik (Estanislau Waydzik – Estachinho). Terceiro filho de Piotr Wajdzik e Marja Matuczki Wajdzik (Pedro e Maria). Nessa cidade também nasceu, em 18 de maio de 1920, Karol Józef Wojtyla, mais tarde o Papa João Paulo II.

O pai de Estachinho participou da Primeira Guerra Mundial – a Grande guerra, a maior e mais sangrenta guerra até hoje travada entre os povos. Pedro chegou a ficar soterrado por três dias sob os escombros de uma trincheira. Foi laureado como herói de guerra pela Polônia.

Em 1927, com a recessão pós-guerra, mas ainda com muita agitação em volta da Polônia, procurando paz e uma vida melhor para sua família, Pedro Waydzik, então com 28 anos, e sua esposa Maria, com 26 anos, seus quatro filhos e um irmão, partiram para uma longa viagem para o Brasil. Através do navio holandês chamado Gelria, atravessaram o oceano e desembarcaram no porto do Rio de Janeiro em 12 de junho 1927.

Da capital brasileira da época, Rio de Janeiro, a família partiu para o Paraná em busca de trabalho na agricultura ou em ofícios de carpintaria, e vieram para o distrito de Fernandes Pinheiro, município de Teixeira Soares. Ali, Estachinho passou sua difícil infância, pois com 9 anos perdeu sua mãe e, praticamente, ficou sozinho em casa, pois o pai e os irmãos mais velhos trabalhavam fora e ficou com os menores. Muitas famílias queriam adotá-lo e aos outros dois filhos mais novos, mas seu pai dizia: “filhos meus eu crio”. Estachinho desde criança aprendeu a cuidar dos afazeres de casa e até pão fazia. Levava comida ao seu pai que trabalhava carregando dormentes na estrada de ferro. O guri, Estacho, também trabalhou, ainda criança, levando água em corote aos trabalhadores ferroviários.

Da pequena Fernandes Pinheiro, a família Waydzik veio morar em Irati. Com o trabalho de operário de seu pai, um novo casamento de Pedro e filhos mais novos para dar de comer, Estachinho foi trabalhar como atendente no armazém de secos e molhados do seu Erasmo de Mello, situado na rua Munhoz da Rocha, número 302, onde hoje há uma loja de confecções. Já adolescente trabalhava em bailes e festas como garçom. Irreverente, alegre e humilde contava para os filhos que com uma boa gorjeta do senhor Agostinho Zarpellon ele conseguiu comprar um sonhado capote de couro.

Pescaria no Rio Velho com Estachinho, Pedro e outros companheiros. Foto: Arquivo da família

Por sua lealdade e eficiência, seu Erasmo ofereceu sociedade no seu armazém ao jovem Estachinho e com esse novo incentivo os negócios prosperaram.

Em pouco tempo Estachinho abriu seu próprio armazém, primeiro na Rua Engenheiro Doutor Fernando Seiller Rocha, depois em uma propriedade alugada na rua Dr. Correia e após, com a construção, pelo patrício Stanislau Bronilawski, de sua casa e armazém, na própria rua Dr. Correia, número 709, onde por décadas permaneceu em atividade o Armazém São Pedro.

Casou com Elvira Natalia Lechiu, em 1955, o que resultou do nascimento de quatro filhos.

Com o decorrer do tempo passou o armazém para a condução de sua esposa e foi trabalhar no ramo de extração de pedras. Em 1965, com uma pedreira própria na localidade de Lajeadinho, onde hoje está instalada a concreteira de seu filho José e outra pedreira alugada de Aleixo Rossot, no bairro que hoje se chama Pedreira. Estachinho foi o primeiro blaster de fogo, ou cabo de fogo, de Irati, produziu muita pedra para alicerces de construção e paralelepípedos para calçamentos

Foi, também, sócio da antiga Cristaleria Irati. Após, com grande esforço, aprendeu a trabalhar com pavimentação asfáltica. Fundou a Pavimentadora Irati, que permaneceu em atividade por mais de 40 anos. Foram muitas pavimentações asfálticas em diversas cidades, iniciando por Canoinhas, Santa Catarina. Depois Palmeira, Teixeira Soares e muito depois Irati, Porto Amazonas, Imbituva, Rio Azul, Ivaí, Fernandes Pinheiro e Guamiranga.

Enfim, muito trabalho, com dedicação e honestidade, por uma vida inteira. Só parando de trabalhar aos 80 anos, quando o câncer avançou pelo seu organismo.

Estachinho foi sempre muito religioso, nunca perdia missa aos domingos, participou ativamente dos movimentos cristãos católicos, auxiliando principalmente a Paróquia São Miguel, o Seminário Mãe de Deus, o Serra Clube, além de várias entidades filantrópicas. Apoiou várias iniciativas na área social em Irati. Tinha uma fé inabalável, muita alegria o que certamente prorrogou sua existência, pois lutou contra o câncer por mais de dez anos sem sequer cair um fio de cabelo com as quimio e radioterapias.

Mesmo possuindo somente a formação da escola primária, era uma pessoa além do seu tempo, um autodidata. Sempre incentivou seus filhos para a leitura, pois assinava dois jornais estaduais, a revista O Cruzeiro, a revista Seleções e a enciclopédia Barsa, bastante custosa na época, para prover seus filhos mais próximos às informações e cultura.

Na juventude, ajudou a fundar o União Futebol Clube, em seu armazém na rua Dr. Engenheiro Fernando Rocha, que após fundiu-se com o Olímpico, gerando o Clube Atlético União Olímpico, onde militou por vários anos, como jogador e torcedor.

As maiores paixões do Estachinho eram além do futebol, o jogo de cartas, a pescaria e as viagens.

Com bastante simplicidade e esforço viajou a vários países do mundo.

Contudo, o que mais marcou em sua vida, e na vida de quem o conheceu, era sua generosidade e irreverência. Estachinho, além da caridade para com as pessoas, gostava muitos de animais. Andava em seus carros com comida para cães, mas o que mais marcou nesse sentido foi a alimentação diária que fazia aos gansos do Parque Aquático. Todo dia, com um saco de pães amanhecidos que adquiria na Panificadora Irati, ele alimentava os gansos. Curiosamente, quando à tarde ele vinha chegando com seu carro Belina, só pelo barulho do veículo, os gansos vinham voando às margens do lago por onde ele chegaria.

Estachinho alimentando os gansos do Parque Aquático. Foto: Arquivo da família

Estanislau Waydzik, Estacho como apelido, derivando Estachinho pela sua pequena estatura, contrapondo com seu grande e benevolente coração. Uma pessoa além do seu tempo. Um polonês humilde, porém, com atitudes nobres ao longo de sua vida.

Faleceu em Irati na data de 26 de agosto de 2006.

Alzira, uma artista da música e da poesia

Alzira Dembiski Bueno nasceu no dia 27 de setembro de 1923, em Imbituva. Filha de Maria e José Dembiski, foi casada com o Professor Antonio Erotides Bueno, com quem teve apenas um único filho, Antonio Dembiski Bueno.
Alzira aprendeu piano na Academia de Música de Ponta Grossa e foi professora primária na Escola Normal Colegial Nossa Senhora das Graças, no município de Irati. Estudou datilografia por correspondência na Academia Paranaense de Comércio, em Curitiba, e realizou cursos em diversas áreas como de Aperfeiçoamento em Língua Portuguesa para professores de primeira à quarta séries do Ensino de primeiro Grau; Curso de Treinamento de Pessoal em Administração Pública; Curso de Audiovisual e Curso de Parapsicologia.

Dembiski foi também professora da Escola de Aplicação Braz Calderari e Francisco Vieira de Araújo e lecionou piano por 60 anos, de 1939 a 1999, foi, também, instrutora de datilografia no SENAC. “Anseio e Mensagem”, seu livro de poemas lançado em 2002, revela sua sensibilidade, e o mérito de sua obra. Chegou a receber diploma por participação nacional no Dia da Ave (1970).

Em 1987, recebeu diploma do governo municipal, através do prefeito da época, Alfredo Van Der Neut. “Por relevantes serviços prestados à comunidade como cidadã comprometida na construção de uma sociedade mais justa, valorizando de forma digna a condição feminina, sendo uma mulher que conquista a admiração de todos pela sua capacidade e seu humanismo”, disse Alfredo.

Alzira teve como primeira professora de piano Malvina Barletta (que foi a autora da valsa “Uma Noite de Natal em Irati”) que marcou sua época como professora e pianista em Irati e região. Dembiski herdou alunos da professora Malvina e com aproximadamente 15 anos já dava aulas de piano. Sua primeira audição, com alunos, foi no Colégio Irati, e depois encantou-se pelo acordeon, o qual estudou sozinha, com um da marca Fratelli Gentilli de 80 baixos, e em sua primeira audição apresentou um conjunto com 20 acordeons, executando La Comparcita. No cinquentenário de Irati, apresentou o Hino Nacional e o Hino de Irati, onde acompanhou Tico Lopes e Silvio Ribeiro ao violino, cantado pelo Coral XV de Julho, no Cine Theatro Central.

Reunia em sua casa personalidades como o poeta Foed Castro Chamma, que cantava ao som de seu piano, bem como o capitão Marinho, maestro da Banda da Prefeitura. Segundo ela, Irati parecia uma só família.

Em outra ocasião reuniu para 3 audições, no Colégio Nossa Senhora das Graças, todos os pianistas de Irati. Esteve acompanhada pelo Frei Juarez de Bona.

Sua casa sempre foi admirada pela arquitetura eslava, com perímetro ladeado pelos lambriquis, fato que fez esta construção ser, depois de doada pela família, reconstruída na comunidade de Pinho de Baixo, onde transformou-se no Memorial ALZIRA DEMBISKI BUENO, a Casa Dei Nonni (Casa dos Avós), abrigando museu e parte da cultura italiana.

Nos últimos anos de sua vida residiu em Curitiba, onde faleceu em 1º de setembro de 2010.

Sobre a Autora

Será lembrada sempre como uma das fundadoras da ALACS – Academia de Letras, Artes e Ciências do Centro-sul do Paraná, onde ocupou a cadeira nº 18. Na posse, no dia 23 de novembro de 2002, recebeu o diploma de acadêmica da ALACS do presidente da Academia Paranaense de Letras, Sr. Tulio Vargas.

TARDE

Lânguida e serena
vai a tarde caindo
Repousam no seu grande ombro
as atividades do dia-a-dia.

Aves, em desordenado vôo
buscam seus ninhos.

O grande astro
na sua gloriosa púrpura
vai fechando suas pálpebras,

dando lugar à noite que desce
com seu negro manto
rebordado de miçangas

A natureza vai pouco a pouco
adormecendo.
E o pensamento na sua plasticidade
não repousa, não se detém

Divaga, esbate-se penetrando
na mais ignota região sideral
derramando da minha alma
pétalas de arpejos

Enquanto meu corpo estremece
como plumas da madrugada
cantando os amores
e os encantos da vida.

Alzira Dembiski Bueno

Estanislau, o imigrante construtor de templos

Estanislau (popularmente conhecido como Stacho) Bronislavski nasceu em 1911, na aldeia de Plaucza Mala, comarca de Brzezany, Polônia e chegou ao Brasil em 1929, juntamente com seus pais, Miguel e Paracewa, e seus irmãos, João e Apolônia. O pai de Stacho, Miguel, além de agricultor, era também fiscal veterinário e controlava o abate dos animais.

Com as dores da Primeira Guerra e os conflitos com os países vizinhos, eles queriam apenas paz para trabalhar e viver sua religião. Assim, Miguel, preocupado com o futuro da família, decidiu vender tudo e imigrar para o Brasil, em uma viagem de 21 dias até o Rio de Janeiro, no navio à vapor Swiatowid, em meio a tempestades e solavancos estomacais, depois para o Porto de Paranaguá, no Paraná, e de trem até Curitiba, seguindo para o destino final, Irati.

Irati era uma pequena vila, um lugar simples, tranquilo, agradável, cercada de elevações e alguns pinheiros imponentes, ruas de terra batida, algumas com declive acentuado. O Chefe da Estação, com paciência se faz entender e indica para eles um grande barracão para imigrantes na Rua Dezenove de Dezembro, no final da subida da Rua 15 de julho e ali se instalam provisoriamente até a mudança para uma pequena casa.

Logo procuraram por trabalho e as atividades rurais pareciam a primeira opção. Era preciso andar, às vezes até 10 km para chegar ao local de trabalho, com sol ou chuva. Dividiam a plantação com o dono da terra, plantando feijão e batata, tratando a terra com carinho, já que dela tiravam seu sustento, com suor, dando graças a Deus pela liberdade e paz conseguidas na nova terra.

Em busca de novos desafios, Estanislau vai trabalhar na pedreira do Fortes (Cezário Fortes) e foi quebrando pedras que o jovem descobriu sua nova profissão. Com o tempo, adquiriu a pedreira e fez o primeiro calçamento de Irati, na Rua Munhoz da Rocha. Observando os mestres de obras e pedreiros desenvolveu técnica própria e da pedra ao tijolo, passou, então, a construir casas de alvenaria e ficou conhecido por seu esmero, honestidade e uma extraordinária energia.

Então, Stacho foi chamado para levantar a Igreja de São Miguel, em Irati. O belo trabalho repercutiu rapidamente e recebeu, em 1950, convite do Padre Pinocy para ir a Prudentópolis, construir, em estilo gótico, o Santuário de Nossa Senhora das Graças, cristalizando sua fé nos alicerces de pedra da igreja.

Estudou, por correspondência, técnicas de arquitetura e construção e através de reboques e tijolos, traçou seu caminho. Construiu o Hospital para as irmãs ucranianas, parte do Seminário para os padres ucranianos e o cinema para o Domingos Luiz e retornou a Irati no final de 1957.

Foto: Stacho Bronislavski, sentado ao centro no carrinho de mão

Profissional competente passa a ser valorizado pelos engenheiros com os quais trabalha, a ponto de ser solicitado a opinar nas plantas e perspectivas de projetos. Construiu várias casas e o prédio ao lado da Igreja Nossa Senhora da Luz. Seu último trabalho foi a construção do Hospital de Ortopedia para o Dr. Jorge Elmor Junior, de quem virou grande amigo.

Estanislau foi casado com Felícia Ruski Bronislavski, com quem criou oito filhos. Deu a eles seu modo de viver, seu exemplo, noção de moral, do certo e do errado, do justo e do injusto, do bem e do mal. Enraizou neles também o amor pela terra distante, religião católica, gastronomia e tradições polonesas da Páscoa e do Natal, inclusive as colendas (canções de Natal polonesas).

Ao completar 90 anos, foi homenageado com músicas cantadas em polonês por Genoveva Zavilinski, durante missa na Igreja de São Miguel e um almoço tipicamente polonês na chácara da família.

Estanislau faleceu aos 94 anos, 2005, em Irati e por iniciativa do vereador Hamilton Kominski virou nome de rua em Irati.

Sempre sereno e tranquilo, dignificou, com sua vida, a história da imigração polonesa em nossa cidade.

A grande liderança de Józef Smolka

Em comemoração aos 150 anos da Imigração Polonesa no Paraná, a Braspol, em parceria com o jornal Folha de Irati, contará nesta edição a história de Józef Smolka.

Nascido em 1882, em Curitiba, foi criado na Colônia Orleans. Era filho de Cristian e Mariana Gregulis, viúva de Makiolka. Józef veio para Irati trabalhar na indústria madeireira e aqui casou-se com Edvirges Grocholski, criando 10 filhos e duas sobrinhas, cujos pais haviam falecido. Este é um pequeno trecho da biografia de Józef, um dos fundadores do Clube Polonês.

Seu filho mais velho, João, era casado com Helena; a segunda mais velha, Albina, era casada com Samuel Vink; a terceira, Helena, foi casada com Bobrowski; Emília era casada com André Dziniewicz; Cecília era casada com Estevo Dziniewicz; Lídia era casada com Boleslau Tomczyk; Olga era casada com Oswaldo Gotlieb; Genoveva era solteira; Clara era casada com João Barbosa; e Thadeus era casado com Maria Pessoa. As sobrinhas Lidia e Irene eram casadas com Luis e Boleslau Hessel, respectivamente.

EMPRESÁRIO
Smolka revelou-se um empresário de sucesso no ramo da madeira. Seus feitos neste setor permitiram fazer doações de terras e construir obras importantes para os poloneses e para a cidade. Józef adquiriu uma serraria onde hoje é o Clube Polonês. Neste terreno, construiu sua casa de frente para a atual rua Coronel Grácia que, na época, era a principal entrada da cidade. Ele também doou lotes deste terreno para os filhos e filhas à medida que estes iam casando.
Também adquiriu a serraria na Serra dos Nogueiras, de uma família alemã que estava com dificuldades financeiras, e após recuperar a indústria, esta foi incendiada, mas foi salva da completa derrota. Depois da recuperação, foi ateado fogo novamente, causando outro incêndio que a destruiu completamente.
Józef construiu outra serraria na localidade de Pedra Preta, próximo a Gutierrez, cujo terreno ainda é propriedade dos descendentes.

Ainda hoje existe a represa utilizada no terreno da Pedra Preta e as instalações da serraria principal. No centro de Irati foram desmanchadas logo após seu falecimento na década de 30, restando ainda alguns sinais do pequeno lago que ali existia às margens do rio das Antas.

Józef ainda adquiriu terreno rural de frente para o atual Parque Aquático (estrada para o Camacuã), iniciando no atual DER e indo até o atual CT, onde plantava frutas, verduras e hortaliças. Partes destas terras foram vendidas em vida e o saldo foi loteado após o falecimento de sua esposa, nos anos 1960.

FILANTROPO

Naquela época, as famílias de poloneses viviam unidas, não só para enfrentar as dificuldades com seus bens e sua força de trabalho. Para isto acontecer, doou terreno, madeira e trabalhou para a construção e funcionamento de duas importantes e necessárias instituições: a esola polonesa e a Igreja São Miguel (Igreja dos Poloneses)
A escola fundada por Jozéf Smolka foi muito importante para a jovem cidade de Irati, pois acabaram estudando ali não só filhos de imigrantes poloneses, mas também de outras etnias.

Ele liderou movimento junto à comunidade e ao Consulado da Polônia e construiu Escola Polonesa que virou Centro Cultural e de Fisicultura onde, atualmente, existe o Clube Polonês (SBCI) e, também, criou uma banda (a antiga banda Lyra) para alegrar as festividades do Centro Cultural, onde havia teatro, bailes e esportes.

Józef Smolka na construção da Sociedade Liberdade, em pé, à direita. Foto: Arquivo Clube Polônes

 

Józef construiu uma quadra de basquete junto à escola, o que foi importante na comunidade e permitiu trazer este esporte para Irati. Liderou movimento junto às autoridades eclesiásticas em Curitiba e construiu a Igreja São Miguel. Neste caso, o terreno que Józef Smolka doou era onde foi construído o antigo Hospital de Caridade São Vicente de Paulo, no alto da Rua 15 de Novembro.

O falecimento de seu filho mais velho, João, em 1933, fez com que sua saúde se debilitasse, e Józef Smolka veio a falecer em 1934, aos 52 anos. Seu filho mais novo, Thadeus, tinha na época 9 anos de idade.

OUTROS DADOS

Registros sobre Józef Smolka foram relatadas em obras literárias editadas na Polônia em 1966 pelo Dr. Apoloniusz Zarytcha, formado em Topografia e História pelas Universidades de Varsóvia e Jagiellonica, de Cracóvia. Foi Ministro de Relações Exteriores da Polônia. Em 1922, esteve no Brasil, enviado pelo governo Polonês, para trabalhar na organização das escolas polonesas no Paraná. E foi a Sociedade “WOLNOSC”, na cidade de Irati o seu primeiro campo de trabalho onde lecionou por dois anos Geografia e História da Polônia. O apogeu da vida cultural polonesa nesta Sociedade na década de 20 encontramos em suas memórias editadas na Polônia sob o título “Na Escola e na Selva”, Varsóvia, 1966.

Em 1972, Apoloniusz publicou pela Academia Polonesa de Ciências - PAN, do qual era membro efetivo e professor catedrático do Departamento de Geografia, o livro “Compêndio Topográfico e Geográfico Sobre o Brasil”, onde relatava feitos de Józef.

Menção honrosa Cruz de Prata.
Foto: Arquivo da família Jóse Tadeu Smolka

“Józef Smolka, filho de imigrantes da região da Silésia; era de estatura alta, elegante, calmo, sempre com um sorriso discreto. Cidadão de posses, dono de um grande patrimônio, proprietária da Serraria a Vapor ‘Pedra Preta’.

A obrigação do presidente da sociedade Liberdade (WOLNOSC), foi entendida da seguinte forma: não somente deu o terreno para a construção da escola como também cedeu seus operários, pagando os mesmos e trabalhou com eles nesta construção. Smolka entendia bem de construções em madeira (Carpintaria). Os demais colaboradores da Sociedade Polonesa da época e agricultores também ajudaram dentro de suas possibilidades, fazendo deste trabalho justo, de forma igual, pensando no futuro de seus filhos que ali iriam estudar”, escreveu.

No livro “Entre os Pioneiros Poloneses nos Continentes” (1927), de Kazimierz Gluchowski, um trecho relata a importante obra da imigração polonesa no Paraná. “A nova Sociedade "LIBERDADE" na cidadezinha de Irati, existe graças ao incentivo e doações do cidadão Józef Smolka (proprietário de serraria); é um belo edifício, a mais bela Sociedade (Clube), das que conheci no interior do Paraná, cedendo apenas para a Sociedade ‘Junak’ de Curitiba", conta o livro

Smolka faleceu no dia 23 de outubro de 1934. Na ocasião, a banda de Lyra participou do funeral, homenageando o grande líder que impulsionou a Sociedade. Sua morte precoce o privou de receber em vida uma menção honrosa, por merecimento, oferecida pelo Governo Polonês em 1935. Era a Cruz de Prata, que foi entregue posteriormente em cerimônia especial e recebida por sua esposa.

150 anos da imigração polonesa no Paraná

A Polônia, situada na Europa Central, foi constituída como Estado no ano de 966, sofreu modificações em suas fronteiras devido as várias invasões e dominações estrangeiras. Os poloneses viveram muitas adversidades, foram submetidos às mais diversas privações, fazendo com que muitos tivessem que abandonar a terra natal em busca de espaços onde pudessem viver com liberdade. Todas essas batalhas fizeram com que a história da Polônia e dos poloneses se tornasse uma história de lutas para a conquista da liberdade e independência política conseguida em 1918.

Sucessivas guerras, desorganização interna, interferências externas possibilitaram que em 1795 a Polônia fosse tripartida entre a Rússia, Prússia e o Império Austro-Húngaro. Foi neste período de crise, sem nenhum tipo de auxílio, influenciados pela propaganda brasileira feita na Europa - febre brasileira -aconteceu o grande fluxo imigratório para o Brasil com destaque para o Paraná. As primeiras famílias chegaram em 1869, instalaram-se em Brusque – SC. Em 1871, dezesseis famílias saíram de Brusque e instalaram-se no bairro Pilarzinho em Curitiba. Posteriormente, vieram outras famílias que instalaram-se em Abranches e nas Colônias Tomás Coelho, Murici, dentre outras.

Quanto a Irati, segundo Orreda (2007) os primeiros poloneses e seus descendentes, chegaram em 1904, eram provenientes destas Colônias; fixaram-se na Serra dos Nogueiras e os que vieram posteriormente, instalaram-se em diversas localidades e na jovem cidade.

Os agricultores eram em maior número, mas também vieram os que se dedicavam ao comércio, à indústria, à carpintaria e os artesãos, como os oleiros. Gluchowski (1924), primeiro Consul da Polônia no Brasil, ao visitar o interior do Paraná em 1923, no livro Os poloneses no Brasil, escreveu que “a colônia Irati é uma bela prova e exemplo do vigor do nosso camponês” (p. 75). Além das atividades laboriais que exerciam trouxeram a cultura representada pela língua, música, gastronomia, arquitetura, religiosidade. Com sua presença e seu trabalho contribuíram para o crescimento do município e construção da identidade da região.

Para Irati a data é especial, além da comemoração dos 150 anos da imigração no Paraná, comemoramos os 100 anos da fundação da atual Sociedade Beneficente Cultural Iratiense, conhecida como Clube Polonês, idealizada e construída pelos poloneses, inicialmente como escola étnica e depois transformada em sociedade.

Nesta data tão significativa, 150 anos da presença dos poloneses no Paraná e 100 anos do Clube Polonês, o Núcleo da BRASPOL de Irati – Representação Central da Comunidade Polonesa no Brasil, homenageia, com atividades que serão realizadas durante este ano, os corajosos desbravadores que para aqui vieram, assim como os que aqui nasceram e colaboraram na construção do município e outras localidades. Dentre as atividades propostas, serão publicadas neste espaço, biografias de poloneses e seus descendentes. Com apoio de instituições locais, também serão realizadas palestras, antologia de crônicas, publicações, solenidades religiosas, cívicas, culturais, artísticas e outras atividades pertinentes, em datas e locais a serem divulgados oportunamente.

Convidamos as pessoas que conhecem a história dos imigrantes e seus descendentes, a colaborarem para as referidas publicações, indicando nomes e dados biográficos para que possam ser divulgados. Agradecemos pela colaboração. Acompanhem.