11 de novembro: o dia da Independência?

A ser recordado o dia da ascensão de Piłsudski e a liberação de Varsóvia

O Narodowe Święto Niepodległości como ficou marcada a data do 11 de novembro, compreende o retorno do país ao rol das nações, após 123 anos de infortúnios, quando da dominação pelas potências vizinhas, o Império Alemão, Russo e Austro-Húngaro. A data se refere, na essência, ao fato do herói da independência, o Marechal Józef Piłsudski, ter assumido o controle da recém emergida nação, naquele momento tendo lhe sido entregue plenos poderes do Conselho de Regência da Polônia. Neste mesmo dia, a Alemanha assinou o armistício no ocidente, sendo motivo de comemoração também internacional. No entanto, o processo que conduziu à liberação do país, depois de mais de um século de dominação, foi muito mais gradual e chegou até os anos 1920. Dessa forma, é necessário certo tempo para a conclusão e formação da chamada Segunda República da Polônia, a qual tem sua existência até 1939, quando novamente a independência polonesa é tomada com início da Segunda Guerra Mundial.
Apesar de diversos movimentos reivindicatórios de autonomia e independência ao longo do século XIX, a busca pela liberdade nacional da Polônia teve que esperar pela adversidade coletiva dos seus dominadores.Conforme Norman Davies em God’s Payground: A Historyof Poland, a Primeira Guerra Mundial, que a princípio não fora motivada pela “Questão Polonesa”, logo permitiu que esta fosse trazida à tona diante do conflito. Os poloneses foram conscritos pelos exércitos dos três países ocupantes, causando uma impressão de guerra fratricida entre eles, ou mesmo, que eram inimigos e lutariam em todos os lados. Os Impérios Centrais (Alemanha e Áustria-Hungria) e a Rússia tiveram de fazer promessas de autonomia e liberdade, a fim de garantir a lealdade dos poloneses.

“O processo que conduziu à liberação do país, depois de mais de um século de dominação, foi muito mais gradual e chegou até os anos 1920”


No contexto político, conforme Davies, surgiram diferentes grupos que clamariam pela independência da Polônia, destacando-se a liderança de Piłsudski, na Organização Nacional Polonesa (PON), sob autoridade austríaca, de Roman Dmowski no Comitê Nacional Polonês (KNP), vinculado aos aliados e a Rússia, entre vários outros (NKN, PKI, CAP, etc.). Tal perspectiva, demonstra a divisão entre os poloneses sob os caminhos para a autonomia e busca da liberdade, principalmente, na própria separação conduzida pela Guerra, entre aqueles que combatiam a Rússia ao lado, sobretudo, dos austríacos, e aqueles que se conjugavam ao lado dos aliados.
No contexto militar, igualmente, surgiram diferentes grupos. O mais destacado deles, as Legiões Polonesas, foram formadas em 1914, tendo como líder Piłsudski, junto ao exército austro-húngaro. No lado russo, foram recrutados a Legião Puławy, junto aos nacionais democratas. O Exército Polonês, também conhecido como exército azul, foi formado na França com poloneses que haviam escapado, sob liderança do ex-legionário Gal. Józef Haller. Quase 2 milhões de poloneses foram conscritos, chegando a 450 mil mortos ao longo do conflito, segundo Davies.

“A busca pela liberdade nacional da Polônia teve que esperar pela adversidade coletiva dos seus dominadores”


Quanto ao curso da Guerra, o que viria a ser o estado polonês, iria ser palco do front oriental, particularmente do confronto entre o Império Alemão e Russo, mas também, na Galícia, de conflitos entre russos e austríacos. A ocupação alemã das terras polonesas ocorreu em agosto de 1915, quando chegam a Varsóvia, sendo que o controle da Aliança sobre os territórios poloneses não muda ao longo da duração do conflito. Os alemães propõem, inclusive, certa autonomia aos poloneses em 1916, embora a subordinação às autoridades da Alemanha fosse a prática corrente. Inclusive, é imposto às Legiões, que trocassem sua afiliação da Áustria para a Alemanha, o que, diante da recusa, conduz Piłsudski à prisão em 1917. No mesmo ano irrompe, em fevereiro, a Revolução no Império Russo, fator preponderante para o front oriental e o curso da guerra e da retomada da independência polonesa. A participação norte-americana no conflito é incrementada, chegando a constar nos 14 pontos de Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos, a ideia de uma Polônia Independente com acesso ao mar, em 1918.
Ao passo que a Alemanha começa a ser derrotada e os austríacos a abandonar a guerra, alguns territórios poloneses vão ganhando autonomia diante do recuo dos ocupantes. A zona alemã passa por momentos de conturbação, quando finalmente Piłsudskié solto do Castelo Magdenburg em 10 de novembro, chegando a Varsóvia. Em 11 de novembro, o dia do armistício ocidental, ele toma ofício como Comandante-Chefe, propondo a deposição das armas dos alemães e sua saída da cidade, os quais concordaram com a proposta. Em 14 de novembro, Piłsudski assume como Chefe de Estado e começou a reconstrução do que viria a ser a Polônia no período entreguerras.