André Filipak: pai amoroso e munícipe empreendedor

Pessoa ímpar, cujos valores éticos e morais permearam toda a sua trajetória

Maria Cristina Filipak Trevisan e
Luciana Filipak Trevisan (com a colaboração de Júlio Bronislawski, Marta e Miguel Filipak e Lucélio Helder Cherubim)

Nas comemorações dos 150 anos da chegada dos primeiros imigrantes poloneses ao Paraná, a família Filipak lembra a trajetória de seus antepassados, que iniciaram uma longa jornada, desde suas terras natais, na Polônia, região de Jaslo, até o Brasil.
Apesar da vida difícil que aqui encontraram, com muito trabalho, fé, amor e dedicação, conseguiram formar uma grande família, a qual dedicamos esta homenagem.
A saga dos Filipak, em terras brasileiras, começou em setembro de 1880, quando Valentin Filipak e sua família chegaram ao Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro. Depois da quarentena na Ilha das Flores/RJ, que acolhia os imigrantes, seguiram para Antonina/PR. Ficaram acomodados em alojamentos destinados a imigrantes.
Após a liberação do então Governo da Província, fixaram residência em Tomás Coelho/PR, tornando-se proprietários de uma parte de terra. Plantavam e fabricavam potes, panelas, jarras, e outros utensílios de barro.

André Filipak: orgulho dos seus descendentes e da comunidade – Foto: Acervo familiar


Os filhos cresceram e se casaram. Cada um tinha, então, suas próprias terras para trabalhar. Francisco Filipak, um deles, casou-se com Maria Trybek Filipak e tiveram filhos, dentre eles, João Filipak, que se casou com Apolônia Gotfryd. Tiveram nove filhos: Alberto, Francisco, André, Maria, Matilde, Vicente, Felix, Ana e Balbina. A família transferiu-se para Irati, após a morte de Apolônia. João, então, se casou com Maria Gorski. Tiveram um filho, Estanislau, e fixaram moradia na colônia Nhapindazal.
Relatamos, a seguir, um pouco da trajetória de André, filho do primeiro casamento de João. André nasceu na localidade de Tomaz Coelho, município de Araucária, em 02 de outubro de 1912. Na ordem familiar, foi o terceiro filho, dentre os 10, da centenária família de João e Apolônia. Recebeu sacramentos da igreja católica, deixando um testemunho de fé para os seus descendentes.
Fez a escola primária em Tomás Coelho. Mais tarde, ele e seu irmão Francisco foram estudar em Curitiba. André formou-se Técnico em Contabilidade pela Escola Prática de Comércio.
Em 1926, André fixou residência em Irati, dedicando-se à lavoura em grande escala. Mais tarde, organizou uma moageira de café.
Em 1935, casou-se com Helena Burko, nascida a 26 de junho de 1914. Era filha de Jacó Burko e de Ana Burko, tradicional família de Rio Azul/PR, cidade onde se casaram. Embora Helena morasse em Rio Azul, eles se conheceram em Irati, na casa da irmã dela, Madalena, casada com João Wasilewski.
De 1940 a 1953, André se dedicou ao comércio de cereais. Em 1953, em sociedade com João Marochi, compraram a firma Cerealista Brasileira, que passou a se chamar Cerealista Filipak e Marochi, operando com beneficiamento de farinha de milho, produto de grande aceitação na microrregião de Irati.

André Filipak na colheita do milho, na sua cidade amada, Irati – Foto: Acervo familiar

André Filipak era muito atuante no meio social, com muitos amigos na cidade e no meio rural. Ele e a família eram frequentemente convidados para os casamentos nas colônias. Como ele tinha um automóvel, levava as noivas para a Igreja e elas ficavam muito felizes. O carro era enfeitado com flores de papel branco, como era o costume da época.
André era uma pessoa que dedicava sua vida ao bem de sua família e das outras pessoas da comunidade, ajudando a todos no que fosse preciso. Era muito prestativo, sempre pronto para servir às boas causas da sociedade. Era um homem de grande conhecimento. Um exemplo de honestidade, trabalho e respeito para com a sua família, descendentes e para com quem o conhecia ou admirava.
Em 16 de fevereiro de 1950, foi formada uma Comissão pró-construção da nova igreja Matriz de São Miguel, em Irati. André foi atuante nessa ação, como presidente da comissão. Como era do seu feitio, trabalhou arduamente na busca de recursos para a construção da igreja. Do mesmo modo, empreendeu esforços na busca de recursos para a construção da instalação da imagem de Nossa Senhora das Graças, na colina que leva o mesmo nome. Teve sucesso nos dois empreendimentos. Participou, também, da inauguração do campo da aviação, que traria grandes benefícios para o desenvolvimento da cidade que tanto estimava.
Em 1947, tomou posse como vereador eleito, função exercita até 1959. Nesse ínterim, em 1951 foi nomeado também Delegado Regional de Polícia de Irati. Faleceu em 05 de maio de 1959, na Santa Casa de Misericórdia, em Curitiba. Tinha então apenas 47 anos e muitos feitos em prol de sua amada cidade.
O pouco tempo de sua vivência foi sempre com muita sabedoria e intensidade, pois era exímio empreendedor e demonstrava seu espírito jovem e incansável. Tinha sonhos de um mundo melhor. Foi um homem cujas ideias eram inovadoras e arrojadas para a sua época.
A longa jornada da Família Filipak, desde a Polônia, iniciada em 1880 por Valentin Filipak, foi um legado de determinação e exemplo que André Filipak transmitiu com muito amor, junto com a sua esposa, Helena, para os seus cinco filhos: Marta, Mário (in memoriam), Miguel, Sérgio e Maria Cristina; seus netos: Luciana, Paulo André, Israel, Daniel e André; e os bisnetos: Fernanda, Milena, Ana Paula, Bernardo e Maya.
Em homenagem, o município de Irati outorgou a uma rua da comunidade iratiense, nas imediações da Rodoviária, o nome de André Filipak, bisneto de Valentim.
A família Filipak mantém os ideais de fé, amor, dedicação ao trabalho e fraternidade para com todos.