Jose Filipak e Maria Biernacki Filipak

Pessoas que orgulham sua descendência, pelo trabalho, pelas atitudes comunitárias e pela fé

Luiza Fillus

Preliminarmente, informo de que o presente artigo foi elaborado com dados do livro “Centenário da Família Filipak no Brasil”, de autoria de Francisco Filipak, editora O Formigueiro, editado em Curitiba, em 1980. Também constam alguns relatos orais de familiares, bem como, algumas lembranças que nos chegaram até nossos dias.
José Filipak era filho de Estanislau Filipak e de Sofia Glinski. Nasceu em 1858, em Jaslo, Polônia. Veio para o Brasil em 1880; saiu de Antuérpia, embarcou no navio Rossi e chegou ao Rio de Janeiro em 14 de junho. Tinha 26 anos de idade, conforme consta no Livro dos Imigrantes, nº 10 folhas 167 e 168, Arquivo Nacional, Secção dos Ministérios, Rio de Janeiro.
Veio para cá em companhia de seu tio Valentim Filipak e a esposa Margarida. Trouxeram toda a família.
Seguiram viagem até Antonina. Depois, José se estabeleceu na localidade de Botiatuvinha, arredores de Curitiba. Deixou sua família na Polônia. Nunca mais retornou para sua terra natal e não se encontrou com seus parentes poloneses
Maria Biernacki, sua esposa, também nasceu em Jaslo, Polônia.
Em 1885, José Filipak se casou com Maria Biernacki, que são meus bisavós, pais de Josefina Filipak Fillus, minha avó, casada com José Fillus.
Josefina Filipak Fillus (1888) era a primeira filha do casal. Seus quatro irmãos mais novos faleceram de crupe, cada semana falecia um deles. José Filipak, seu pai, somente soube dos falecimentos de seus filhos, por meio de sua filha Josefina, quando retornou de serviços de carpintaria, que realizava em alguns locais em Curitiba, motivo que ficava ausente vários dias. Segundo minha avó Josefina contava, que quando ele recebeu a trágica notícia, ajoelhou-se e chorava copiosamente, implorando a Deus, que não levasse nenhum filho dele novamente nessas circunstâncias, tão tristes. E que tivesse piedade de todas as famílias que padeciam com sofrimentos semelhantes.
Depois, o casal José e Maria Filipak tiveram os seguintes filhos: Teófilo Filipak, casado com Valéria Kitoski Filipak; Marciana Filipak, casada com Angelo Cumin; João Filipak casado com Paschoa Maria Budel; Inácio Filipak casado com Marta Prokop Filipak e Ana Filipak casada com Roberto Procópio (Procok).
José Filipak era carpinteiro, com especialização em construção de casas, igrejas e altares. Trabalhou na construção das igrejas de Campo Magro, Orleans, Abranches e Santa Cândida. Alguns filhos, netos e bisnetos herdaram a profissão, citamos aqui de Irati, seus bisnetos João Filipak, que foi proprietário de empresa Tacil e de Antonio Filipak, marceneiro, também com empresa em Irati. As empresas foram extintas, mas foram atuantes por muitos e muitos anos em nosso município. Ambos são falecidos e a profissão continua pelas mãos hábeis de seus descendentes, ou ainda por outros de descendentes da família de José Filipak.
Após residir por 30 anos em Curitiba, em 1914, veio residir no município de Irati, onde hoje se situam parte do terreno da Igreja São Miguel, parte do terreno do Colégio Nossa Senhora das Graças e parte do terreno do Cemitério Municipal de Irati. Fizeram a doação dos terrenos, conforme escrituras públicas registradas no Cartório de Irati em 02 de junho de 1942.
José Filipak residiu por longos anos num terreno nos fundos da Igreja de São Miguel. Depois, se transferiu para Colônia de Mato Queimado, onde faleceu em 25 de março de 1938, aos 80 anos de idade. Sua esposa se transferiu para Irati, vindo residir ao lado da casa de Josefina Fillus, onde faleceu em 26 de junho de 1947.
José Filipak fazia caixões de defuntos, inclusive, fez o seu próprio caixão e o deixou guardado no teto de sua casa a fim de que ninguém precisasse se preocupar com tal atividade, quando fosse necessário.
José Filipak dedicava-se, nas horas de folga, ao plantio de uvas. Tinha quatro pipas com capacidade de 600 litros cada, que abastecia parte do comércio em Botiatuvinha e, posteriormente, vendia para o armazém de sua filha Josefina Fillus, na Rua 19 de Dezembro, em Irati, Paraná.
Maria Biernacki, esposa de José Filipak, recebia revistas católicas de Polônia e, tão logo as recebia, lia para seus filhos, num ritual que se estendeu por várias décadas. Além disso, como uma fiel devota católica, conhecia os nomes dos santos de cada dia do ano e, assim, sempre fazia pequenos relatos de suas biografias e fatos que os levaram à santidade, momentos que encantavam seus filhos, netos e bisnetos.
Também, mantinha em seu fogão várias canequinhas de chás, plantas que colhiam em seu quintal, que as tomava com constância, para tirar todas e quaisquer dores, praticava dessa forma uma medicina natural, costume que era muito utilizado pelos nossos antepassados.
Maria era irmã de Pedro Biernacki, que tem descendentes religiosos como: Dom Ladislau Biernacki, que foi consagrado bispo em Roma, por meio do Papa João Paulo II, Karol Wojtyla, em 27 de maio de 1979.
Ainda nessa descendência de Pedro Biernaski, destaca-se o Revmo. Pe. Lourenço Biernacki, ordenado em 13 de março de 1954, que também foi Superior Visitador da Congregação dos Padres de São Vicente de Paulo, Província Sul – Brasileira.
Encontramos também mais dois padres descendentes da família BiernaskI, Dom Rafael Biernaski (bispo da Diocese de Blumenau) e Pe. André Biernaski,
Nós, da família de José e Maria Filipak, deixamos nossas homenagens a esse casal, que tantos exemplos nos deixou, por meio do trabalho e de seus constantes exemplos de fé, de caridade e de oração. Hoje, pudemos deixar alguns registros que mostram a benevolência e a bravura desses imigrantes que, aqui no Brasil, fizeram sua nova casa, construíram amizades em comunidades e aqui fizeram e honraram sua nova Pátria para eles e todos os seus descendentes.