Nossa Senhora de Monte Claro: Rainha da Polônia

26 de agosto, dia de Nossa Senhora de Monte Claro, conhecida como Nossa Senhora de Czestochowa – padroeira da Polônia

Nelsi Antonia Pabis

O dia 26 de agosto é uma data muito significativa para os poloneses e seus descendentes. Na Polônia é um dia santificado, inteiramente dedicado à sua padroeira, Nossa Senhora de Monte Claro: em polonês Matka Boska Jasna Góra, também conhecida por Czarna Madona – Madona Preta e Nossa Senhora de Czestochowa por seu Santuário estar na cidade de Czestochowa. A história da Polônia é de lutas pela liberdade e está fortemente relacionada à religiosidade. Para Iarochinski (2000), “ao longo dos tempos tumultuados sofridos pela Polônia, os centros religiosos foram a defesa espiritual e a riqueza material de seu povo. Nenhuma outra nação deu tanta importância a um lugar santo quanto os polacos deram e dão à igreja e monastério de Jasna Góra – Monte Claro”.


Uma das mais antigas imagens de Nossa Senhora está em um quadro no Santuário de Jasna Góra – Monte Claro na Polônia. A pintura foi obra de São Lucas; o evangelista pintou a imagem sobre uma tábua de mesa feita por São José e usada por Maria de Nazaré em Jerusalém, medindo 112x82cm. O quadro foi encontrado por Santa Helena, em Jerusalém que ofertou ao seu filho, o Imperador Constantino. Esta relíquia permaneceu no palácio imperial de Constantinópola até o ano de 431. Depois de vários séculos, chegou ao Castelo de Belz. Vários são os mitos sobre o quadro. Um deles é de que o príncipe Wladyslaw de Opole tentou levá-lo até suas propriedades, porém, os cavalos em cuja carroça estava a imagem pararam perto da aldeia de Czestochowa e não houve força humana que os fizesse caminhar. No entanto, assim que retiraram o quadro da viatura, no mesmo instante, os animais puseram-se em movimento.Vendo neste gesto a vontade da mãe de Deus de ali permanecer, o príncipe polonês resolveu que a imagem permaneceria naquele local, junto ao jasna góra – monte claro, e mandou construir um mosteiro e uma igreja que se tornou morada da sagrada pintura a partir de 1382 e continuou sendo através dos séculos o trono da Virgem Maria. Outro mito surgiu em 1430 quando ladrões tentaram destruir o ícone venerado; o chefe dos hussitas ao desferir sua espada no rosto da Santa, caiu fulminado por um raio no terceiro golpe. Ao tentarem fugir com o produto do roubo, ficaram com as mãos sujas com as tintas da pintura. Irritados, os ladrões cortaram o quadro e os cortes começaram a sangrar. Assustados e contrariados, os ladrões fugiram e deixaram o quadro que não foi possível restaurar totalmente e até hoje são visíveis as cicatrizes no seu rosto. Outro mito envolve um fato do século XVII, quando do cerco sueco à cidade. Depois de uma série de lutas contra as invasões suecas, o aparecimento milagroso de Nossa Senhora de Monte Claro fez com que os protestantes suecos desistissem do plano de ocupação e destruição do mosteiro. Os poloneses consideram estas vitórias a presença espiritual da Madona em terras polacas. De acordo com Ambroziak (2015), “o apego da nação aos valores religiosos e culturais, assim como o culto da Nossa Senhora de Czestochowa, ajudou aos poloneses a preservar a sua identidade, sempre ligada a forte devoção mariana, apesar de não possuírem, por mais de 120 anos, o estado próprio. O Santuário de Czestochowa tornou-se o verdadeiro coração da nação, o lugar sagrado e o forte símbolo patriótico ao mesmo tempo”.


A história da Polônia e dos poloneses, cuja imigração para o Paraná comemora os 150 anos, foi marcada pela luta para conquistar a liberdade e a independência política. Foram muitos os desafios que fizeram com que milhares de poloneses abandonassem as suas terras e passassem a viver em outras partes do mundo. Ao imigrarem, traziam consigo esse grande tesouro, o quadro de nossa Senhora de Monte Claro e a grande devoção à Maria Santíssima, a qual invocavam a sua proteção. Construíram igrejas em várias partes do Brasil e a ela dedicaram. Seu quadro encontra-se em muitas igrejas e capelas brasileiras como devoção à Maria Santíssima e, também, como uma homenagem aos imigrantes poloneses. Em muitas localidades encontra-se escrito em polonês: Nossa Senhora de Czestochowa, estamos sob vossa proteção.
Em Irati, na Igreja Matriz de São Miguel, edificada pelos imigrantes poloneses e seus descendentes, encontra-se em lugar de destaque, um quadro de Nossa Senhora de Czestochowa. Este quadro foi um presente do Papa João Paulo II ao governo brasileiro, que enviou ao Paraná e pelo significativo número de descendentes de poloneses na região foi doado à comunidade de Irati.
Durante vários anos, a comunidade polonesa e simpatizantes desta cultura reuniam-se nesta igreja para participar de missa celebrada em língua polonesa em homenagem a Rainha da pátria dos seus antepassados e relembrar a trajetória. Neste ano de 2021, devido à pandemia, não será realizada esta celebração.