Pe. Tadeu Dziedzic – um memorialista além de seu tempo

Foi um homem de vida de oração e de boa leitura. Paciente e compreensivo para com seus penitentes

Tadeu Dziedzic distinguiu-se pela bondade e simplicidade (Foto: Herculano Batista Neto)

 

Texto: Herculano Batista Neto

Pe. Tadeu nasceu no dia 03 de fevereiro de 1908. Aos 7 anos, ficou órfão de pai e mãe. Tinha um irmão mais velho, de um ano e meio. Os avôs e tios da parte da mãe se responsa- bilizaram pela vida e educação dos dois. De modo especial a tia Aniela Monasterska ocupou-se da educação dos sobrinhos órfãos. Três anos depois, quando Tadeu tinha 10 anos, ele viu a Polônia livre, graças ao grande Rui Barbosa.

Foi admitido no Seminário Interno, em Cracóvia, no dia 04 de setembro de 1923, adquirindo o conhecimento da vida de consagração a Deus e aos pobres, da história da Congregação e a vida de São Vicente de Paulo. Votos perpétuos proferiu no dia 28 de dezembro de 1925, durante os estudos de Filosofia, conforme a tradição daquela época. Prosseguiu os estudos filosóficos e teológicos no Instituto Teológico de Stradom, sob orientação de mestres devidamente preparados.

Dziedzic deixou um grande acervo de filmes das festividades (Foto: Herculano Batista Neto)

Conforme o costume, Tadeu foi recebendo durante os estudos de Teologia, a Tonsura e as quatro Ordens Menores, no final do III ano, o Subdiaconato. Recebeu o Diaconato e, aos 8 de setembro de 1930, foi ordenado presbítero pelo Bispo Auxiliar de Cracóvia, Dom Stanislaw Rospond, na Igreja de Stradom, anexa à Casa Provincial. Como não tinha idade canônica, recebeu a dispensa de Roma de 17 meses que faltavam. Foi ordenado também antes de concluir o ano de Teologia, pois seus colegas de classe deviam partir para as missões na China. De sorte que ele, ficando sozinho da classe, concluiu a Teologia no início de maio de 1931. Imediatamente foi enviado para a cidade de Lwów, em caráter de terceiro capelão de um grande hospital municipal. Lá, após três meses, recebeu a carta do Visitador, Pe. Józef Kryska, chamando-o para Cracóvia a fim de empreender viagem para o Brasil.

Teve tempo suficiente para despedir-se dos parentes e preparar os documentos necessários, de sorte que aos 29 de setembro de 1931, tomou o trem expresso Varsóvia-Paris, em companhia do Pe. João Wislinski, que também se dirigia para o nosso país. De Paris, seguiram para Bordeaux, onde embarcaram no navio “Jamaïque”, aos 08 de outubro. Desembarcaram no Rio de Janeiro aos 26 de outubro de 1931 pela manhã. Depois de permanecerem quatro dias na Cidade Maravilhosa, viajaram até Paranaguá. No mesmo dia, 1º de novembro, subiram de trem até Curitiba, sendo recebidos na Casa Central pelo Pe. Ludovico Bronny, Vice-Visitador.

Nos primeiros dias, visitaram os co-irmãos, as casas mais próximas de Curitiba. Permaneceram lá até 19 de dezembro.  Aos 23 de dezembro, Pe. Tadeu seguiu de trem, via Ponta Grossa para Irati, seu primeiro destino, onde Pe. Paulo Warkocz o aguardava na Igreja de Nossa Senhora da Luz. Permaneceu até abril de 1938. No começo de maio foi transferido para Mafra, onde trabalhou durante 10 meses. Logo depois, foi chamado para Curitiba, a fim de assumir o cargo de primeiro Diretor do Seminário Menor, recém organizado pelo Pe. Julian Janiewski, que retornou à Polônia. Iniciando o ofício em Curitiba, a 8 de março de 1939, permaneceu no cargo por dois anos.

Em janeiro de 1941, foi destinado como pároco nas seguintes paróquias: Prudentópolis (2 anos), Irati (5 anos), Prudentópolis (3 anos) e Araucária (3 anos).

Exerceu ainda muitos outros cargos em Seminários e na Província, até que em 1980, devido a idade, ficou na Casa Central como “residente”, prestando serviços nas paróquias quando necessário e atendendo confissões das Irmãs.

Aos 12 de fevereiro de 1989, às 6h da manhã, ao levantar- se para celebrar a Santa Missa, foi encontrado ao pé da cama, ajoelhado, sem vida.

Tadeu tinha um talento na música, tocava admiravelmente o violoncelo (Foto: Herculano Batista Neto)

Pe. Tadeu distinguiu-se pela sua bondade e simplicidade, humildade e disponibilidade para tudo e para com todos; nunca soube dizer não. Seu grande equilíbrio de espírito fazia irradiar paz e tranquilidade, alegria e bom humor. Pessoa de muita paciência, pontualidade e perfeição. Homem de talento na música, tocava admiravelmente o violoncelo; especialista em fotografias (foi um dos primeiros a aparecer em Irati com a novidade da máquina fotográfica com “disparo automático”, uma maravilha na época) e filmagem (é o autor do filme do Cinquentenário de Irati em 1957). Deixou um acervo muito grande e apreciável de filmes das festividades comemorativas, Congresso Eucarístico de Curitiba, Centenário da Etnia Polonesa, ordenações, paróquias, etc. Deixou um filme com a sua entrevista.

Pe. Tadeu foi um verdadeiro filho de São Vicente de Paulo, pela sua dedicação à Congregação e à Igreja. Homem de vida de oração e de boa leitura. Paciente e compreensivo para com seus penitentes. Bom confessor e orientador espiritual. Metódico, tudo previa anteriormente, bem organizado e realizado com ordem e disciplina. Atualizado nas técnicas modernas com diversos cursos e extremamente prático. Pela sua perseverança e seu testemunho Pe. Tadeu fez a sua história na Província e contribuiu muito para a história da Paróquia de Nossa Senhora da Luz e também na Igreja São Miguel, assistindo intensamente a comunidade polonesa.

 Devemos lembrar que foi o 2º pároco desta paróquia e foi o responsável pelo término da construção iniciada pelo seu antecessor, Pe. Paulo Warkocz, com quem havia trabalhado como vigário paroquial, naquele tempo chamado de coadjutor. Foi em seu mandato que houveram as primeiras ordenações sacerdotais na Paróquia.

Por essas e outras tantas contribuições na história de nossa cidade de Irati, Pe. Tadeu merece ser lembrado nestes 150 Anos da Imigração Polonesa ao Paraná.