Bairros de Irati
Colina Nossa Senhora das Graças

“Um relato do Padre Rui Pereira aponta Jorge Garzuze como um dos principais idealizadores dos eventos do cinquentenário. Ele encabeçava a ideia de marcar esta passagem com algo realmente ressaltante. Segundo Pedro Filus, durante uma conversa no Colégio São Vicente, Padre Rui olhava na direção norte da cidade quando exclamou: Que tal construir uma estátua lá no morro? A ideia foi apresentada no café das 10 horas, na sala dos professores. ” (Livro: Irati 100 anos de Audrey Farah, Chico Guil e Silvio Philippi – pag. 103).

A denominação atual do bairro se deu pela instalação dessa imagem. A segunda maior estátua de Nossa Senhora das Graças do mundo.

Os terrenos ali, e no entorno, pertenciam a: João Marochi, Luiz Luitz, família Buzzo, família Delong, família Filus e família Chasko.

Para chegar ao morro, e sair para Guarapuava, o único caminho era pela atual rua Professora Maria Ferrari, a rua do Samuara Clube de Campo.

Helton Ênio Filus, morador do bairro há 67 anos, conta que em 1966 foi aberta a Avenida Ladislau Greczinski. Quando dessa abertura foram edificadas novas moradias de: Bráulio Zarpellon, Olívio Rigoni, Jango Marochi, José Kubaski, dentre outros.

Helton conta, ainda, que até 1963 não existia o contorno da BR-277, que se inicia na Serra da Cachoeira, passa pela Vila Nova e chega ao Nhapindazal. Os terrenos para esse trecho da rodovia foram doados pelas famílias: Chiczta, e Filus. Em 1974 o trecho recebeu pavimentação asfáltica, executada pela empresa Barbosa Mello. Na época, o prefeito da cidade era o Dr. Fornazari.

No bairro, existe uma linda cachoeira: a Cachoeira dos Filus. Localizada no terreno que pertencia a Martin Filus, pai do senhor Pedro Filus. Aliás, esse senhor foi vereador de Irati por quatro gestões. A comunidade, ainda, elegeu a professora Zuleika Filus Onesko, também moradora do bairro. Pedro Filus possui um posto de combustíveis na Avenida Ladislau Greczinski, depois de propriedade de Elias Mansur, e hoje desativado.

Onde foi instalada, por um determinado período, a fábrica de papel Dalpel, existia o moinho dos Delong, também moradores da localidade.

No local onde está instalada a estátua de Nossa Senhora das Graças, além dos milagres, há vários fatos a serem contados. “Certa feita, o senhor Teodoro Francoski estacionou seu veículo tipo Ford pé-de-bode na ladeira ao lado do morro e foi rezar, quando na volta viu o veículo quase dentro do Rio das Antas, pois seu filho entrou no carro e desembreou-o. Nada aconteceu à criança. Mais um milagre da Santa” (Helton Filus).

Na administração Toti Colaço a Rua Padre Pires recebeu pavimentação asfáltica. Posteriormente, quando Alfredo Van Der Neut foi prefeito, as ruas do entorno receberam pavimentação poliédrica, a escadaria foi executada e feitos os muros de arrimo, criando platôs mais aprazíveis no local.

Havia também uma estrada, na parte baixa do morro, que passava pelo terreno do Dalegrave, do Marochi e chegava próximo a antiga fábrica de beneficiamento de erva mate dos Dziecinny.

Algumas ruas do bairro foram denominadas por nome de pessoas que viveram na cidade de Irati, tais como: rua Padre Pires, Ladislau Filus, Ladislau Obrzut, Ladislau Grechinski, Irmã Michelina.

Os bairros vizinhos são: centro, Vila Nova, Loteamento Dalegrave, Pedreira, Canisianas.

Salve a história de nossa cidade!

Loteamento Nazle Mansur

A primeira estrada que ligava o Irati Velho ao centro da cidade de Irati passava pelos terrenos do senhor Davi Pichibilski, conta seu filho Carlinhos, morador no local há 59 anos. Esta estrada hoje, chama-se Rua Luisa Simionato Stroparo, e dá acesso ao loteamento Nazle Mansur.

“Certa tarde, eu e os piás da Dona Margô (Margarida Malucelli), o Sérgio e o Fernando, estávamos caçando passarinhos naquela mata fechada e demos de cara com uma jaracuçu de 2 metros de comprimento. Matamos a enorme cobra a tiros, coisa de piá que não media o perigo eminente que encontrava. ” disse Carlinhos, também da mata que hoje é o loteamento. A jararacuçu é a segunda maior cobra do Brasil.

O Loteamento Nazle Mansur situa-se a aproximadamente 2 km do centro da cidade, na parte sudeste de Irati, próximo à rodovia a BR 153. A primeira versão do desenho do loteamento Nazle Mansur surgiu no final do ano de 1981.

Certa manhã, no início dos anos 80, chegou procurando-me na Secretaria de Obras da Prefeitura Municipal de Irati, o simpático e ilustre engenheiro civil Plinio de Mattos Pessoa. Como eu era responsável pela análise e aprovação de projetos de edificações, loteamentos e obras diversas, o senhor Plinio apresentou-me um projeto de um condomínio fechado. Ousado para época em Irati. Para não dizer inédito. Porém, por motivos diversos, o projeto do condomínio foi transformado em loteamento, o Loteamento Nazle Mansur.

Plinio Anciutti Pessoa, autor e executor do loteamento Nazle Mansur, nasceu em Irati, em 14 de fevereiro de 1931, sendo o quarto filho de João de Mattos Pessoa e Matilde Anciutti Pessoa, casou-se com Jasmin Mansur Pessoa e estudou no Colégio Nossa Senhora das Graças, em Irati, e formou-se Engenheiro Civil pela Universidade Federal do Paraná, em 1959. Executou, com sua empresa individual, obras no Clube Polonês em 1959 e no mesmo ano foi admitido pelo departamento de Estradas de Rodagem do Paraná e designado como engenheiro chefe do 15 º DER, de Irati. Projetou e executou diversas obras na região, dentre elas: sede do DER de Irati; BR-277 trecho Palmeira-Irati; estrada Irati-Ponta Grossa; estrada Sprea-Ponta Grossa; retificação BR-153 entre Irati e Mallet. Em 1966 foi designado como Diretor Geral do DER do Paraná, daí em diante, projetou e executou: a sede do DER/PR em Curitiba; o Recanto dos Papagaios; a sede do Clube dos Engenheiros de Curitiba; elaborou o Plano Rodoviário para o Norte Pioneiro; dentre outras diversas e importantes obras pelo Paraná afora. Em Irati, ainda executou: edificação para Irmandade do Hospital; Cooperativa Agrícola de Irati; Caixa Econômica Federal; e outras obras. Faleceu em 21 de março de 2016, em um acidente automobilístico na estrada que ele próprio construiu, na sua cidade natal – Irati.

Nazle Kfouri Mansur, nascida em 17 de junho de 1899, no Líbano, chegou em Irati no início do século XX, por volta de 1918, após a Primeira Guerra Mundial, a família perdeu todo seu patrimônio no Líbano, em decorrência da Grande Guerra, a mais sangrenta da história mundial, era casada com Abib Mansur, com quem teve seis filhos: João, Olga, Saúla, Margarida, Antenor e Jasmin. Moraram no Pirapó, distrito de Guamirim. Eles tinham uma serraria e trabalhavam com extração de erva mate.

O loteamento Nazle Mansur tem uma área de 50.476,33 metros quadrados, que perfazem 97 lotes, os proprietários eram Jasmim Mansur Pessoa (filha de Nazle Kfouri Mansur) e João Mansur Pessoa (neto de Nazle). O local é composto quase que na sua totalidade por residências e o terreno pertencia a família Mansur.

Algumas ruas do bairro foram denominadas por nome de pessoas que viveram na cidade de Irati, tais como: rua Engenheira Marcia Luiza Cenci (que trabalhou na secretaria de obras e faleceu num acidente automobilístico); rua Pedro Waydzik; Juvenal Teixeira; Julio Posselt; Estanislau Letchacoski.

Os bairros vizinhos ao loteamento são: Loteamento Pichibilski, Loteamento Margarida (em construção), loteamento São Francisco de Assis.

A atual administração está fazendo a pavimentação asfáltica da Rua Luisa Simionato Stroparo, que é a entrada do bairro, e acesso à BR-153, bem como, está programada a conclusão da rede de esgotos que falta no local.

Salve a história de nossa cidade!

Riozinho

Conta o iratiense Darci Bernardo da Silva, que no ano de 1882 seu bisavô, o senhor Ismael Teixeira dos Santos, com a esposa Mariana Freitas de Oliveira, o cunhado Salvador Freitas de Oliveira e o filho José Freitas dos Santos vieram para fixar residência no Riozinho. A localidade pertencia ao município de Santo Antônio de Imbituva. Em 1893, as terras foram registradas no cartório de Bom Retiro, hoje Guamirim, do município de Irati. Existe um mapa dessas terras com o senhor Darci Bernardo da Silva.

Darci conta, também, que seu avô José Freitas dos Santos, que morava no Riozinho, foi a única pessoa que esteve presente no ato da emancipação do município de Irati do município de Imbituva.

No livro, Aconteceu nos Pinhais, de José Carlos Veiga Lopes, está escrito, na página 457: “Várias pessoas cadastraram terrenos no lugar denominado Iratim...Ponciona Antonio Ribas (caminho do Riozinho) ...”

Em 1912, foi construída a estação ferroviária de Riozinho, em 1928, iniciou-se a construção da estrada de ferro que ligava Riozinho à cidade de Guarapuava, mas em 1938 a estação foi demolida.

Outra família pioneira no local foi a dos Anciutti. Antonio Ângelo Anciutti (Alemão), que nasceu no bairro há 70 anos, conta que seu avô, João Batista Anciutti, veio da Itália, em 1907. Trouxe de Curitiba, junto com ele, as famílias Razera e Mores. Ele possuiu 12 serrarias, no Riozinho e em outros lugares, teve fábrica de beneficiamento de madeira, inclusive fornecendo embalagens para a famosa indústria Cica, e também, explorava o ramo da erva mate. A casa de madeira de imbuia, da entrada do bairro, que hoje é uma pensão, pertenceu a João Batista. Hoje, essa propriedade foi restaurada, pertence a Cleoni Mazur e foi denominada como Vivenda Dona Mariquinha.

A história do bairro também teve como um dos atores o senhor Agostinho Boscardin. Nasceu em 1922, em Curitiba, e veio para o Riozinho, com 9 meses, em fevereiro de 1923. Conta Claudete Boscardin, que seu pai Agostinho, montou uma empresa familiar. Iniciou suas atividades muito discretamente nos anos de 1950 em Riozinho, com um empréstimo solicitado ao interventor Manoel Ribas. Na propriedade, Agostinho descobriu uma pedreira e a partir dali passou a dedicar-se de corpo e alma à extração de pedras. Inicialmente, fornecendo pedras para alicerces de casas, escolas, hospitais entre outros. Naquela época, as pedras eram quebradas por marretas e martelos, não existiam máquinas (britadores) e eram transportadas por carroças. Atualmente, a empresa é administrada por Claudete e seu irmão Luis Augusto Boscardin (Ico). Gera 50 empregos diretos e inúmeros indiretos.

Maria Olivia Anciutti Gracia, mais conhecida como Dona Mariquinha, foi uma valorosa mulher para o bairro e para toda Irati. Pessoa sensível, religiosa e que praticava a caridade o tempo todo. Filha de João Batista Anciutti e casada com Trajano Gracia, suas ações foram fundamentais para construção do Seminário Santa Maria, cedendo os tijolos para construção e até, mais tarde doando a própria olaria aos padres capuchinhos, a construção foi iniciada em 1950.

Arlete Richa, esposa do ex-governador José Richa, nasceu no bairro e conviveu muito com a “Tia Mariquinha”.

Atualmente, as instalações do seminário é o campus da Universidade do Centro-oeste – Unicentro. A Instituição foi transferida no ano de 1994 ao bairro Riozinho. Luiza Nelma Fillus foi a primeira diretora do campus. Em 1997 a instituição teve seu reconhecimento pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).

O clube de futebol Guarany do Riozinho, nascido em 1928, teve como principais fundadores a família Molinari. O campo de futebol situava-se onde hoje é a oficina da empresa Derbli. A sede social já foi muito movimentada, através de várias atividades. Lá havia canchas de bocha, reuniões, carteado, jogo de cachola e muitos bailes.

Seu Gaspar Valenga nasceu no bairro em 19 de abril 1923, de origem humilde, ferreiro de profissão, mas escritor e contador de causos por paixão, publicou três livros sobre a comunidade e faleceu em 07/08/2017.

Dona Neiva, mãe do atual prefeito Jorge Derbli e esposa do Ico Boscardin, foi outra pessoa que praticava a caridade no bairro, principalmente para as crianças carentes. Certa feita, estive em sua casa para prestar serviços de engenharia e notei dezenas de uniformes escolares, perguntei para o que eram aquelas roupas, e ela respondeu: para as crianças carentes que não têm uniforme, irem ao desfile da Independência.

Famílias que viveram e algumas ainda vivem do bairro: Teixeira dos Santos, Anciutti, Castagnolli, Razera, Freitas dos Santos, Andrioli, Bini, Borgo, Brusamolin, Cecato, Carborar, Chiqueto, Mósele, Caus, Valenga, Mores, Polo, Sobol, Chami, Bueno, Gadens, Licowiecz, Ferreira, Stasiak, Grácia, Molinari, Derbli, dentre outras.

Sediada no Riozinho, a Construtora Derbli incorpora uma usina de asfalto, diversos equipamentos de terraplanagem e pavimentação, além de empregar cerca de 300 funcionários. Aliás, a família Derbli doou o terreno para a construção de um grande hospital para tratamento do câncer – o Hospital Erasto Gaertner.

O bairro possui a Escola Municipal João Batista Anciutti, inaugurada em 1938; o CRAS - Centro de Referência de Assistência Social, Unidade Básica de Saúde, Centro Social Rural, quadra poliesportiva coberta, a Igreja Católica Santo Antônio que possui um excelente salão para festas e reuniões, capela mortuária, cemitério e campo de futebol.

Um sonho dos iratienses é a pavimentação da estrada de Irati a São Mateus do Sul. A obra que nasce no bairro foi iniciada nesse ano de 2019.

Muitas outras pessoas teriam um capítulo na história do Riozinho. Todas as famílias de uma forma ou outra contribuíram para história do bairro.

A origem do nome se deve ao Rio Riozinho, que segundo a carta do IBGE, nasce na Serra do Pique, cruza a localidade e desagua no Rio Potinga, no município de Rebouças.

Bairro da Lagoa

As carroças e cavaleiros avistavam uma linda lagoa e o armazém do Antônio Borazo. Ali paravam para dar água aos cavalos e se alimentar no comércio daquela construção em madeiras. Dessa lagoa surgiu o nome do bairro. Hoje já não mais existe. Situava-se no encontro da rua Antônio Borazo, com avenida Noé Rebesco, em frente a rotatória da estrada que leva à Inácio Martins

Na época, o local era tomado por potreiros e capoeiras. Aliás, um fato interessante é que nesse mesmo local situa-se o divisor de águas de duas grandes bacias hidrográficas do Paraná, a do Rio Iguaçu e do Rio Tibagi. Está aí a origem do nome do bairro.

Pioneiro do local foi o senhor Caetano Zarpellon. Nasceu em um navio que vinha da Itália para o Brasil, em 1877. Construiu, no bairro Lagoa, uma das primeiras casas feitas em alvenaria de tijolos de Irati. Caetano construiu uma olaria, no bairro. Forneceu tijolos para as construções do Colégio São Vicente, Igreja Nossa Senhora da Luz e Hospital São Vicente de Paula.

Conta Jerson Rebesco que da Lagoa saiu o primeiro motorista de Irati, que foi José Galicioli, genro de Caetano Zarpellon. Aliás, o primeiro carro da cidade pertenceu à Caetano, adquirido em 1919. Caetano foi camarista e presidente do legislativo iratiense, no período de 1916-1917. Galicioli foi prefeito de Irati de 1947 a 1951.

Caetano Zarpellon possuía uma serraria a vapor. Esse cidadão comercializou muita madeira com o grupo industrial Matarazzo, de São Paulo. “As Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo, com sede na cidade de São Paulo, foram o maior grupo empresarial da América Latina. ” (Wilkipédia)

Outro cidadão empreendedor no bairro foi Bernardo Rebesco. Nasceu no bairro Lagoa em 26/09/1926. Fundou a Serraria Nossa Senhora da Luz em 1947. Essa empresa está ativa até hoje e gera inúmeros empregos. Também possuiu armazém de secos e molhados, sapecadeira de erva mate e indústria de beneficiamento de madeiras.

Admar Rebesco e seu irmão de Bernardo fundaram a Ervateira Pérola do Sul, em 1957. Após uns tempos a empresa ficou somente com Admar. A Ervateira Rebesco e Cia. Ltda. nasceu no ano de 1962, e existe até os dias de hoje. Seus filhos continuam suas atividades, com galhardia, até os dias de hoje.

A Capela da Lagoa foi construída em 1951, com a ajuda dos moradores do bairro. O senhor Darci Bernardo da Silva relata que o seu bisavô Antônio Ponciano Ribas doou, em 1895, o terreno onde existia a capela do Divino e também o sino dessa capela, que veio de Gênova na Itália. Esse sino está guardado ao lado da igreja nova. Ponciano foi um dos pioneiros da Lagoa. Possuía terras no local.

O Asilo Santa Rita, instituição que ficava no centro da cidade para melhor comodidade dos idosos, em 1975, foi transferido para a nova sede na Lagoa. A edificação foi construída pelo construtor Ernesto Otto Smoger. Na inauguração estiveram presentes o então governador do Paraná Jaime Canet Jr, o prefeito Dr. Fornazari e o presidente do asilo senhor João Mansur. Esta entidade presta relevantes serviços a Irati e região desde 21/03/1957, ou seja, há 62 anos. A diretoria dessa entidade é composta por membros da Maçonaria de Irati.

Na área social e educacional do bairro destacamos o Orfanato São Valdomiro. Atualmente no prédio funciona a Escola Municipal São Valdomiro. Em contato com a atual diretora da escola, a Professora Otilia Setnarski, ela nos forneceu um histórico do Orfanato. Foi fundado em 1948, na localidade de Linha B de Gonçalves Jr., pela irmã Olga Woicichovicz, da Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada. Congregação que nasceu na Galícia, Ucrânia Ocidental em 1892 e que veio a Irati no ano de 1938.

Em 1962 foi transferido para o bairro Lagoa. Ao longo dos anos até seu encerramento, em 1997, a entidade atendeu mais de 1000 crianças órfãs. Atualmente, a Escola São Valdomiro atende 186 crianças. Essa escola representa um patrimônio histórico para o bairro e para Irati.

Também, o bairro possui a Escola Estadual Professora Luiza Rosa Zarpellon Pinto - Ensino Fundamental, séries finais do 6º ao 9º ano. Seu nome foi em homenagem à Professora Luiza Rosa Zarpellon Pinto, que representou importante papel junto à comunidade, não somente como professora dedicada que era, mas pelo seu espírito de solidariedade, principalmente com os alunos mais carentes. A escola foi construída no mandato do prefeito Alfredo Van Der Neut. Sua primeira diretora foi a Sra. Otília Setnarski, em 1991. Atualmente, é dirigida pela professora Vera Lúcia Girardi.

Ainda, no bairro há a Escola Municipal Professora Vilma Rossa Bartiechen, que se situa no mesmo espaço da escola estadual. A primeira diretora foi Otilia Setnarski e a atual é Eliane Gelichinski. Além, de uma unidade básica de saúde.

Na política o bairro teve eleito os vereadores: Bernardo Rebesco, Jerson Rebesco e Otilia Setnarski.

Famílias pioneiras do bairro foram: Zarpellon, Rebesco, Borazo, Setnarski, Ribas, Gil, a família da escrava Celestrina, da Luz, Tulio, Bonete, Ferraz, Pereira, Cardozo, Lau, Trevisan, dentre outras.

Salve a história de nossa cidade!

Bairro Gomes

Emílio Batista Gomes nasceu na Espanha, na Província de Albacete, veio para o Brasil em 25 de maio de 1889, casou-se com Etelvina de Andrade e tornou-se administrador das propriedades de Manoel Gracia, em Covalzinho, no ano de 1899. Em 1917 criou a empresa Emilio B. Gomes e Filhos, que nas décadas seguintes tornar-se-ia uma das maiores madeireiras locais. Tornou-se o primeiro prefeito de Irati. Emilio e sua esposa Etelvina tiveram os filhos: Ezequiel, Edgard, Egas, Erothides, Eulésia, Eunice, Edy, Eny, Esther e Eloisa. (Fonte: livro Irati 100 anos – Audrey Farah, Chico Guil, Silvio Philippi – Ed. Arte – dez. 2008)

O filho de Emilio, Edgard Andrade Gomes, como o administrador, foi o que deu o grande impulso à empresa, que se situava onde hoje é o Bairro Gomes. Desde a Rua Alfredo Bufren até o Arroio dos Pereiras e a BR-153, abrangendo onde é hoje, a atual Praça Etelvina Andrade Gomes e a Igreja Matriz Nossa Senhora da Luz, cujos terrenos dessas obras foram doados pela Família Gomes. Edgard Gomes foi prefeito de Irati por quatro vezes.

O senhor Leonço de Paula Pires, funcionário da empresa Emilio Batista Gomes e Filhos, de 1963 a 1993, contou que dentro, do terreno da empresa existia uma comunidade. Havia casas para os funcionários, luz em parte do terreno, a água para as casas vinha de poços cavados e de muitos olhos d’água ali existentes. Existia cancha de bocha e um campo de futebol, e atrás desse havia uma mina d’água. Ali, as donas das casas colocavam tinas de madeira para lavar as roupas da família. Era costume da época as grandes empresas disponibilizarem moradias aos seus empregados, no próprio terreno da companhia, facilitando assim a vida das famílias dos seus trabalhadores.

Quando da existência da serraria havia trilhos para vagonetes que ligavam a fábrica aos depósitos, onde hoje é o almoxarifado da Empresa Thoms Projetos Elétricos, estes trilhos cruzavam a rua Coronel Pires e, muitas vezes, os veículos que ali transitavam tinham que esperar os vagonetes com madeira atravessarem a via. Na época mais carroças e tratores que outros veículos.

O bairro, atualmente, é um lugar residencial. Possui ótimas moradias, tem toda a infraestrutura necessária e, ainda, uma importante mata, ao longo do Arroio dos Pereiras, que é uma das poucas remanescentes da cidade. Quiçá que esse “pulmão verde” seja preservado, para o bem da população de Irati.

O bairro Gomes tem como vizinhos: o loteamento Ouro Verde, a BR-153, o Jardim Califórnia, o Arroio dos Pereiras e o centro da cidade.

As ruas foram denominadas por nome de pessoas que viveram em Irati: Prefeito Alcides Boese, Osdival Carneiro, Matias Kolczyk, José Smolka, Manuel de Vasconcelos Souza, Estefano Paramutchak e Padre Sebastião Mendes.

Anteriormente, o Bairro Gomes despontava pela grande indústria da família Gomes, atualmente é um prazeroso bairro residencial, com uma importante mata no centro da cidade que o sonho dos iratienses seria de que essa área fosse transformada num parque ambiental e de lazer.

Com mais esse relato continuamos resgatando parte de um importante capítulo da história de Irati.

Salve a história de nossa cidade!

Vila Matilde

Matilde Anciutti Pessoa nasceu em Irati, no Riozinho, em 28 de agosto de 1908, fez seus estudos em Curitiba, no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, onde também aprendeu a pintura em telas e aulas de violino. Casou-se em 24 de abril de 1926, com o farmacêutico João de Matos Pessoa, este que veio de Curitiba à Irati em 1924 e montou, junto com seu colega Arion de Vasconcelos, a Farmácia Central. Dona Matilde muito dinâmica, além das atividades domésticas, fazia parte da Associação da Damas de Caridade, que disponibilizavam doações de alimentos e roupas arrecadados às famílias carentes e ao Hospital de Caridade de Irati. Matilde faleceu em 26 de junho de 1990.

No ano de 1997, a administração municipal, adquiriu de herdeiros da Família Anciutti Pessoa, um terreno de 155.288,33 metros quadrados, ou seja aproximadamente 6,5 alqueires de terra. O prefeito era Luiz Rodrigo de Almeida Hilgemberg, o governador do Paraná era Jaime Lerner e Fernando Henrique Cardoso o presidente da República.

Rodrigo contou que adquiriu o imóvel, com recursos próprios do município, pelo valor de duzentos e cinquenta mil reais. O objetivo era suprir uma enorme fila de espera de famílias necessitando de moradia, com isso, criou-se o projeto Lote Fácil. A administração abriu as ruas, fez a terraplanagem e levou rede de água para parte dos imóveis, os lotes foram disponibilizados aos mutuários pelo módico preço de R$ 10,00 mensais. Foi uma grande conquista da administração municipal, com o intuito de minimizar o problema da carência de moradias populares na cidade.

o decorrer do tempo, foram executadas, pelos próprios proprietários dos lotes, 426 moradias, criando-se assim a Vila Matilde. O nome do bairro foi em homenagem a Dona Matilde Anciutti Pessoa, matriarca das tradicionais famílias Anciutti e Pessoa. A mesma, era mãe dos herdeiros que venderam a área de terra. Anteriormente, no local, havia uma mata e alguns potreiros, onde um dos herdeiros, o “Nego João”, criava seus cavalos de corrida. A mata foi derrubada pela Prefeitura, em apenas quatro dias e, posteriormente executado o loteamento que foi desenhado e acompanhado pelo Fernando Schulumberg, conhecido pela alcunha de “Queijo”, topógrafo de carreira da municipalidade.

Na administração 2005-2008, que tinha como prefeito Sérgio Stoklos, foi adquirida pela prefeitura o imóvel da sede da Unirati, com intuito de se instalar o Instituto Federal do Paraná, importante conquista para a educação de Irati

Esse grande educandário, o Instituto Federal do Paraná (IFPR), é uma instituição pública federal de ensino, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), voltada a educação superior, básica e profissional e especializada na oferta gratuita de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades e níveis de ensino. A instituição foi criada em dezembro de 2008 através da Lei 11.892. O Campus ocupa área de 39.000 metros quadrados e possui dois prédios, um de 1.112 metros quadrados, e outro de 2.727 metros quadrados, com salas de aula, laboratórios, biblioteca, dentre outros, o ginásio de esportes possui 1.682,74 metros quadrados de área construída e capacidade para 800 pessoas.

O bairro recebeu pavimentação com pedras irregulares, quase que na totalidade das vias. O acesso ao bairro se dá pela Rua Athis Fernandes Silva, rua essa que foi recapada pela administração Derbli, bem como está ocorrendo a total recuperação da Rua Augusto Anciutti Sobrinho com recape asfáltico, novas galerias e calçadas para pedestres. Essa via dá acesso ao Instituto Federal do Paraná e ao loteamento Cartoon. O bairro Vila Matilde é contiguo à Vila São João e à Vila Flor.

As ruas foram denominadas por nomes de antigos moradores da cidade de Irati. Alguns eram parentes dos antigos proprietários da área, tais como: João Anciutti Filho, Augusto Anciutti Sobrinho, Maria Pessoa Smolka, João Anciutti Pessoa. Também, as ruas: Pedro Koppe, Vico Teixeira, Miguel Komniski, Antonio Ditrich, Francisco Pabis, Hermes Custódio e Leontino Menon.

Com mais esse relato continuamos resgatando mais uma parte de um importante capítulo da história de Irati.

Salve a história de nossa cidade!

Pedreira

Cesário Fortes nasceu na Espanha, filho de mãe nobre, estudou em colégio de padres e, posteriormente, em uma escola de engenharia. Nessa escola aprendeu o ofício da cantaria, os cantareiros são os artífices em talhar pedras brutas, transformam um grande bloco rochoso em peças geométricas regulares. Hoje são poucos os profissionais dessa área.

No ano de 1932, Cesário Fortes veio da Espanha para o Brasil. Trabalhou no Porto de Santos e em Curitiba com a família Greca, família tradicional no ramo da cantaria. Depois disto, a convite do Padre Mendes, veio para cortar pedras e transformá-las em alicerces do Colégio São Vicente, comprou uma área de terra onde hoje situa-se o bairro Pedreira, devido ao grande maciço rochoso que ali existia.

Contado pela Dona Luci Fortes Adamovicz, filha do seu Cesário, eles foram os primeiros moradores daquele local, o bairro tem a denominação de Pedreira justamente por que ali existe esse grande maciço rochoso de pedras tipo diabásio, conhecida popularmente como pedra ferro, que foi explorada por muitos anos. Das pedreiras do Cesário Fortes e do Aleixo Rossot, posteriormente utilizada por Estanislau Waydzik o popular Estachinho, originaram materiais para boa parte das construções de Irati e região, quer seja pedras para alicerces da construção civil, ou paralelepípedos, meio-fios e lousinhas para pavimentação das ruas da cidade.

Seu Cesário ajudou, com seu ofício nas pedras, a fazer além da fundação do Colégio São Vicente, a fundação das seguintes obras: Grupo Escolar Duque de Caxias, Prefeitura antiga, Igreja Nossa Senhora da Luz, Colégio Nossa Senhora das Graças, da atual Casa da Cultura, Praça da Bandeira e ainda diversos bueiros, galerias e cabeceiras de pontes.

Até a década de 80, a chegada ao bairro era por uma única estrada, que saía da Avenida Vicente Machado, passava ao lado do campo de futebol denominado Palhão, cruzava o Rio das Antas sobre uma ponte de madeira e após uma encosta íngreme chegava-se ao bairro, e mais acima às pedreiras. Essas pedreiras, com material de alta qualidade, pararam de ser exploradas devido à construção das casas da cidade terem se aproximado muito das mesmas, causando assim um grande risco quando das explosões, que eram necessárias para retiradas das pedras.

No bairro, atualmente, há um espaço de grande valor para nossa sociedade: a clínica de equoterapia Petra, de propriedade do empresário Milton Ferreira, o Kiko, e proprietário da Vidraçaria Kiko.

Em 1988 o prefeito em exercício era Alfredo Van Der Neut. O mesmo tinha grande apreço pelos moradores do bairro Pedreira, pois muitos dali trabalhavam como funcionários da própria prefeitura. As casas eram feitas em madeira, assim, a Prefeitura visando melhorar as condições do local, em parceria com a Secretaria Estadual de Habitação, construiu 50 casas novas em alvenaria, num terreno que perfazia 24.804,60 metros quadrados de área.

O local, posteriormente, recebeu pavimentação asfáltica. As ruas foram denominadas por nome de minerais: Topázio, Brilhante, Diamante, Rubi, Safira, Pérola, Ametista e Água Marinha. A atual administração, do Prefeito Jorge Derbli, recuperou totalmente o centro comunitário que estava deteriorado e em desuso.

Com mais esse relato continuamos resgatando mais uma parte de um importante capítulo da história de Irati.

Salve a história de nossa cidade!

Novo Irati

Na parte sul da cidade, ao lado do conjunto habitacional Luiz Fernando Gomes, no mês de julho de 1988, nasceu um novo bairro: o conjunto habitacional Novo Irati.

A administração municipal da época, que tinha como prefeito o senhor Antonio Toti Colaço Vaz, em parceria com a Secretaria de Habitação do Paraná, comandada por Odeni Mongruel, continuou o importante projeto de mutirão de casas populares em Irati, visando suprir a escassez de habitações na cidade. O projeto contemplou 101 unidades habitacionais e um centro comunitário que a Cohapar financiou e fiscalizou.

A Prefeitura assumiu a responsabilidade técnica pela construção das casas, objetivando baratear o custo e viabilizar a obra, forneceu os terrenos, alguns profissionais da construção civil, a terraplanagem dos lotes, a infraestrutura com arruamento, luz, rede de água, rede de esgoto, pedra brita e areia. A regra era que cada proprietário da futura casa devia disponibilizar uma pessoa para trabalhar na obra, fosse membro familiar ou outra pessoa e, com isso, as últimas prestações foram pagas no módico valor de R$ 17,00 por mês.

A obra, segundo o senhor Valdir da Silva, morador do local há 30 anos, levou 8 meses para ser executada. Contou ainda o senhor Valdir e também o senhor “Sebastião das Muletas” que havia no local, uma grande árvore, onde os trabalhadores sentavam sob a mesma e comiam suas marmitas. Nesse mesmo local eram celebradas algumas missas em agradecimento a obra.

O bairro tem acesso pela rua Ivaí, situada no Bairro Luiz Fernando Gomes e pela rua São Paulo, situada no bairro Vila São João. Próximo ao local situa-se o CAIC João Paulo II – Centro de Atenção Integral da Criança e do Adolescente, obra edificada na gestão do Dr. Felipe Lucas (1992-1995).

Ao lado deste bairro, foi construído pela Sanepar, recentemente, um novo reservatório em aço vitrificado, com capacidade de armazenamento de 1,6 milhões de litros de água tratada, ampliando a reserva do sistema em 60%, o que se diz que deverá suprir o abastecimento em Irati para os próximos 30 anos.

Ainda, vizinhando o bairro Novo Irati, instalou-se a grande indústria Siemens, hoje denominada Yazaki, que atua no ramo de autopeças, sendo uma das maiores empresas de nossa cidade. A atual administração recuperou um campo de futebol de areia e também disponibilizou uma academia ao ar livre. O local, posteriormente, recebeu pavimentação asfáltica.

As ruas foram denominadas por nome deárvores: das Pereiras, das Erveiras, das Castanheiras, das Laranjeiras, das Macieiras, das Amoreiras, das Ameixeiras e assim segue. O nome do bairro surgiu de uma alusão ao primeiro bairro de Irati: Irati Velho, hoje Vila São João, e então, como ficava próximo ao bairro Irati Velho, o bairro foi batizado de Novo Irati.

Com mais esse relato continuamos resgatando mais uma parte de um importante capítulo da história de Irati: a criação de novos bairros.

Salve a história de nossa cidade!

Ouro Verde

Em 29 de março de 1988, a administração municipal, em parceria com a COHAPAR – Companhia de Habitação do Paraná- iniciou um projeto diferenciado e inovador de casas populares em Irati, visando suprir a escassez de habitações na cidade. O nome do projeto era denominado de autoconstrução, denominado assim porque porque o próprio proprietário contratava a mão de obra para sua realização.

A municipalidade adquiriu parte do loteamento Ouro Verde, mais precisamente 8.233,60 metros quadrados, na quadra G, J e K. A área adquirida resultou em 20 lotes para novas casas.

Foram elaborados, pela Secretaria de Viação, Obras e Urbanismo, alguns projetos padrões para casas desse programa e disponibilizados para escolha pelos futuros proprietários, os projetos não ultrapassavam a área de 70 metros quadrados.

A Cohapar financiou, fiscalizou e assumiu a responsabilidade técnica pela construção das casas. Objetivando baratear o custo e viabilizar a obra a Prefeitura forneceu os terrenos e a pedra brita e areia, bem como os projetos, além de isentar de todas as taxas possíveis. Existia, na época, um convênio, chamado Casa Fácil, entre a Associação dos Engenheiros Civis de Irati, a Prefeitura Municipal e o CREA-PR – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia e Prefeitura isentavam as taxas referente a essas obras de até 70 metros quadrados. Tratava-se de um excelente programa, que infelizmente não foi dado continuidade, como não havia a rede de esgotos próxima à obra, o conjunto foi atendido por fossas sépticas e, mais tarde, na administração de 1989-1992, o local foi beneficiado com rede de esgotos. Na administração de 1997-2000 o bairro recebeu calçamento com pedras irregulares, segundo informações de moradores e mutuários do local.

O bairro tem acesso pelas ruas Coronel Pires e pela Avenida José Galiciolli, próximo à Associação da Copel de Irati construiu sua sede campestre. Também nas imediações ao conjunto encontra-se o Loteamento Solaris, a extensão do Hospital Erasto Gaertner e o Colégio São Vicente de Paulo, ou seja, um bairro bem localizado e pouco distante do centro da cidade.

Foi um projeto inovador pois a autoconstrução de um conjunto habitacional ainda não existia em Irati e, infelizmente, não houve mais na sequência desse programa na nossa cidade.

O local atualmente possui rede de esgotos, pavimentação poliédrica e casas de um bom padrão, o que atraiu outros moradores que construíram belas casas no bairro. As ruas foram denominadas por nomes de países: Brasil, Polônia, Japão, México, Holanda, Espanha, Argentina, Alemanha, como que em homenagem a diversidade de moradores de outros rincões de Irati.

Com mais esse relato continuamos resgatandomais uma parte de um importante capítulo da história de Irati: a criação de novos bairros no mapa de nossa cidade.

Salve a história de nossa cidade!

Promorar I e II

Hoje, Vila São João, um dos bairros mais populosos de Irati, que teve uma famosa “raia” para corridas de cavalos, um campo de aviação, uma indústria chamada Carvorite, que foi uma das mais importantes empresas de carvão ativado do Brasil, olarias, serrarias e outras empresas, hoje tem uma Yasaki, Engeprócons, Acome, dentre outras indústrias.

Ali nasce o Arroio Couro Pelado, num terreno que pertencia ao Ministério da Agricultura, o Fomento Agrícola – Escola de Tratoristas de Irati, atualmente pertence ao Estado do Paraná e funciona nosso Colégio Florestal. Adiante, esse arroio cruza a BR-153 e transforma-se no Rio das Antas, nosso principal rio, que atravessa a cidade e deságua no Rio Imbituvão. O rio, que atraiu os primeiros moradores, quando maltratado pode trazer incômodos, um deles é o alagamento das áreas do entorno causando prejuízos e deixando, muitas vezes, desabrigados.

Numa parte da Vila São João, no final da década de 70, existia uma favela chamada Buraco Quente, ficava ao lado da antiga serraria do seu Olavo Santini. Ali viviam dezenas de famílias, às margens do já maltratado Rio das Antas. No local foi alocada uma creche, num vagão de trem, essa creche depois foi transferida, pela prefeitura, para o centro do bairro e recebeu a denominação de Creche João Paulo II, porém, as famílias do local, além de morarem em barracos, sofriam com constantes alagamentos que ocorriam com chuvas maiores.

Na gestão municipal de 1983 a 1988, novamente funcionou o Sistema Municipal Habitacional, e numa área de 15.762,50 metros quadrados, local próximo, porém mais alto, foram edificadas 95 unidades habitacionais, em forma de mutirão. Ainda, com o objetivo de agregar as famílias, foi edificado um centro comunitário, que infelizmente hoje não existe mais. Esse conjunto habitacional foi feito em duas etapas: Promorar I e Promorar II. Denominada assim por ter iniciado o programa habitacional com esse nome. O terreno pertencia ao Aeroclube de Irati.

O pequeno bairro, dentro do Bairro Vila São João, possui como vizinhos o Loteamento Jardim Aeroporto, esse que foi propriedade da família Luitz, e também o bairro Novo Irati, do Programa Habitacional da Cohapar. Os acessos se dão pelas ruas São Paulo e das Castanheiras. Cabe aqui ressaltar que os Luitz, então moradores do bairro, foram grandes profissionais na área de topografia e muitos importantes serviços fizeram em Irati e na região. Ainda, morando em Irati está o senhor Raul Adão Luitz, professor e topógrafo.

O bairro acolheu, principalmente, moradores das margens do rio das Antas. Hoje os bairros Promorar I e Promorar II são compostos de gente simples e trabalhadora, o que muito orgulha Irati, principalmente por terem participado da construção, em forma de mutirão, das próprias moradias.

Com mais esse relato continuamos resgatando mais uma parte de um importante capítulo da história de Irati. A criação de novos bairros no mapa de nossa cidade.

Salve a história de nossa cidade!