Roncopatia: saiba quais são as causas e o tratamento para esta doença

Através de exames clínicos e de imagem e polissonografia o médico irá indicar o melhor tratamento, até mesmo uma cirurgia. Veja fotos da cirurgia para apneia do sono

Dr. Bruno L. Alencar

Otorrinolaringologista

CRM 18299 RQE 13511

O ronco vem a ser o som provocado pela vibração dos tecidos moles da área colapsável da Faringe, que envolve os músculos do Palato Mole, Orofaringe e Amígdalas. A maior parte das pessoas desconhece e que até certos níveis em relação ao sexo e idade é considerado normal, porém em outros casos pode ser a primeira manifestação de problemas mais sérios.

Além do som existem outras características que indicam que algo está errado com o sono e que isso pode causar o distúrbio:

• Respiração ofegante;
• Perturbação ao dormir;
• Sonolência e cansaço ao longo do dia;
• Problemas para se concentrar e de memorização;
• Dor de cabeça pela manhã;
• Pouca disposição.

Através de exames clínicos e de imagem e polissonografia o médico irá diagnosticar a causa e indicar o melhor tratamento, podendo ser uma mudança no estilo de vida, ou cirurgia em casos onde exista obstrução nasal. Estes exames estão disponíveis no CADI, de Irati.

Polissonografia domiciliar

A Polissonografia Tipo 3 é um exame domiciliar indicado para o diagnóstico da apneia obstrutiva do sono. É realizado por meio de um dispositivo pequeno com poucos acessórios: a cânula no nariz para avaliar a respiração e o ronco, o sensor no dedo para verificar o nível de oxigênio e a frequência cardíaca, e a faixa no tórax para registrar os movimentos da respiração.

Como o aparelho monitora menos variáveis que a polissonografia completa, o teste pode ser montado pelo próprio paciente, de maneira simples. Após a finalização do exame, os dados ficam gravados e um laudo será realizado por um médico especialista em sono. Este exame também está disponível no CADI, de Irati.

O que é e pra que serve o CPAP

CPAP é a sigla em inglês de Continuous Positive Airway Pressure ou Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas em português. Essa forma de tratamento existe há aproximadamente 40 anos.

Como o próprio nome indica, o CPAP é um aparelho que gera uma pressão de ar contínua diretamente nas vias áreas da pessoa que sofre de apneia enquanto ela dorme, evitando os episódios de interrupção de fluxo de oxigênio e “engasgadas”, que acontecem com alguns pacientes.

Muitos pacientes que apresentam quadros de apneia também sofrem de insônia. O uso adequado do CPAP acaba influenciando neste caso também e diminuindo os sintomas da dificuldade de dormir e/ou se manter em estado de sono.

Como o CPAP funciona

O CPAP em si é uma máquina com um motor de compressão que gera um fluxo de ar pressurizado que é purificado diretamente na boca e/ou nariz da pessoa com diagnóstico de apneia do sono. A pressão de ar a ser aplicada varia de paciente para paciente. O fluxo consegue impedir a obstrução das vias aéreas, permitindo que o oxigênio chegue plenamente aos pulmões, sem interrupções.

Quando é indicada a cirurgia de apneia do sono?

Chamada de uvulopalatofaringoplastia, a cirurgia de apneia do sono é umas alternativas terapêuticas cirúrgicas indicadas para casos graves de apneia obstrutiva do sono, em que o paciente corre o risco de desenvolver problemas cardíacos sérios ou até mesmo de morte. Em geral, esta é uma operação que pode ser associada a outros procedimentos que ajudam a desobstruir a faringe e demais estruturas respiratórias.

A técnica cirúrgica consiste na remoção dos tecidos que estão impedindo a passagem do ar. Em geral, são retiradas as amígdalas do paciente e reposicionados os músculos da faringe para melhorar a respiração do paciente, mas também podem ser associadas a correção de desvio do septo nasal ou outras intervenções. Em todos os casos, a cirurgia de apneia do sono é realizada em ambiente hospitalar e com aplicação de anestesia geral.

Cuidados pré e pós-operatórios

Assim como em qualquer procedimento cirúrgico, a realização da cirurgia de apneia do sono demanda uma análise criteriosa do histórico clínico e estado de saúde do indivíduo. Além disso, o otorrinolaringologista responsável por conduzir o tratamento solicitará exames laboratoriais específicos, além de encaminhar o paciente para realizar uma avaliação cardiológica e anestésica antes da cirurgia.

O período de recuperação após o procedimento pode trazer incômodos como sensibilidade na garganta e dificuldade para falar e engolir, mas não exige um longo período de internação. Em casa, são necessários cuidados no que diz respeito à alimentação — que deve ser líquida nos primeiros dias — e repouso na primeira semana.