Veterinária em Foco
Odontologia Veterinária - Como anda a saúde oral do seu pet?

Você já parou para observar os dentes do seu pet? Já sentiu odor desagradável vindo da boca dele? Sabia que eles também devem escovar os dentes? Todos nós conhecemos a intensidade da dor provocada por alterações odontológicas, não é mesmo? Nos animais não é diferente e, além de muito dolorosas, as afecções orais podem originar doenças sistêmicas graves e de difícil tratamento em cães e gatos. Por esses motivos, a prevenção é tão importante.

A falta de higienização bucal predispõe os pets ao acúmulo de bactérias na superfície dos dentes e abaixo da gengiva, formando placas bacterianas que, em contato com os sais minerais que compõem a saliva, se tornam uma estrutura de coloração amarelada e fortemente aderida aos dentes, denominados cálculos dentários. Esses, por sua vez, podem causar gengivite e, em casos mais severos, alterações nas estruturas de sustentação dos dentes, a doença periodontal, que afeta cerca de 80% dos cães com idade superior a quatro anos.

Raças de pequeno porte e aquelas com o focinho achatado são predispostas a desenvolver afecções orais, além dos vários outros fatores que contribuem para a formação dos cálculos dentários, como, por exemplo, o tipo de alimentação fornecida. Animais que recebem alimentos macios, como restos de comida, tendem a acumular mais placa bacteriana quando comparados àqueles que ingerem alimentos secos e crocantes, caso das rações, que têm ação mecânica sobre os dentes e auxiliam na limpeza. É importante salientar que ossos de outros animais não são indicados, pois devido à sua consistência firme, podem fraturar os dentes.

Mau cheiro na boca, sangramentos na gengiva, dor ou desconforto para mastigar, alterações no apetite e, no caso dos felinos, a perda do hábito de se lamber, são queixas comuns relatadas pelos proprietários durante o atendimento veterinário. O tratamento varia de acordo com a alteração individual de cada paciente. A remoção dos cálculos dentários (RCD), associada ao controle medicamentoso da dor e dos microrganismos, é fundamental para o sucesso do tratamento. Em alguns casos é necessário que um ou mais dentes sejam extraídos.

A RCD é um procedimento realizado sob anestesia geral. Consiste em remover mecanicamente os cálculos aderidos a superfície dos dentes, inclusive aqueles que estão abaixo da gengiva, com o auxílio de um equipamento denominado ultrassom odontológico. Após a limpeza, os dentes são polidos com aparelho específico e pasta de dentes de uso veterinário, a fim de arredondar as faces dentárias, dificultando, assim, que a placa bacteriana acumule novamente.

Medidas simples de prevenção são de extrema importância, considerando que afecções na boca podem originar doenças graves em órgãos vitais, como rins, fígado, coração, pulmões e, também, nas articulações, provocando redução na qualidade de vida e na sobrevida do seu pet. A profilaxia pode ser feita por meio da mastigação de alimentos e brinquedos que reduzem o acúmulo da placa bacteriana e, principalmente, da escovação diária ou, pelo menos, a cada três dias.

Para que a higienização dos dentes se torne um hábito, é necessário paciência e persistência. O condicionamento do animal deve ser realizado aos poucos, de maneira que seja interpretado como uma brincadeira. A dica para ganhar a confiança dele é massagear as gengivas com alimentos saborosos, usando gaze ou o dedo, e ampliando os movimentos de forma gradativa, para que, depois de habituado à manipulação bucal, seu pet aceite o procedimento com escova e creme dental veterinários.

Que tal levar seu amigo para uma avaliação odontológica? Ele ficará com a saúde bucal preservada e com o hálito agradável!

 

Médica Veterinária Rosana Pianaro Angelo

CRMV - PR 13.360

 

 

Outubro Rosa Pet - Campanha de prevenção, diagnóstico e tratamento do Câncer de Mama em Animais


Há mais de 20 anos, surgia, nos Estados Unidos, um movimento popular para conscientização das mulheres sobre a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. Tendo como símbolo um laço cor de rosa e, considerando o mês em que se realiza, a mobilização ficou mundialmente conhecida como Outubro Rosa. Anos mais tarde, a campanha se estendeu, alertando quanto à relevância da prevenção, diagnóstico e tratamento dos tumores mamários em fêmeas caninas e felinas.

O câncer de mama é a segunda neoplasia mais diagnosticada em cadelas e a terceira em gatas. A faixa etária comumente afetada varia entre 7 a 12 anos, para ambas as espécies. Machos também podem desenvolver esse tipo de tumor, ainda que numa incidência muito menor do que nas fêmeas.

Muitos elementos contribuem para o desenvolvimento e crescimento de nódulos nas mamas de gatas e cadelas. Fatores como genética, nutrição, ambiente e, principalmente, hormonais, podem estar envolvidos. Os hormônios estimulam a proliferação de células, predispondo a alterações genéticas responsáveis pela formação da célula cancerígina. Hormônios femininos, principalmente o estrógeno, são citados como promotores de crescimento tumoral. Por esse motivo, a castração de fêmeas caninas e felinas é indicada antes que o primeiro cio aconteça.

Estudos demonstram que cadelas castradas após o segundo e terceiro cio, apresentam chance de 8 a 26%, respectivamente, de desenvolver câncer de mama no futuro, enquanto que, nas fêmeas submetidas ao procedimento antes do primeiro cio, o risco diminui para 0,5%. Após atingir dois anos e meio de idade, a castração não é mais considerada uma maneira de prevenir a ocorrência de tumores mamários. O uso de anticoncepcionais é altamente contraindicado, já que são compostos por hormônios femininos que estimulam o crescimento dos nódulos, além de ocasionar outros efeitos colaterais graves.

Neoplasias mamárias podem apresentar comportamento benigno ou maligno, e, nos dois casos, devem ser removidas por meio de cirurgia. Crescimento rápido, coceira, secreções, feridas na superfície e formato irregular do tumor são fatores sugestivos de malignidade, porém, o diagnóstico definitivo só é obtido pelo exame histopatológico, que identifica o tipo de câncer, auxiliando o médico veterinário a estabelecer o tratamento adequado e o prognóstico.

Sistema linfático, pulmões, fígado, rins e baço são frequentemente afetados pelas metástases. Por esse motivo, exames complementares, como o ultrassom abdominal, a radiografia de tórax e análises sanguíneas, são fundamentais para avaliar o estado geral do paciente. Se houver metástase, é indicado que o animal seja submetido à quimioterapia. Embora ainda não seja usual na veterinária, a radioterapia pode ser utilizada quando a remoção cirúrgica não for possível.

Consultar o médico veterinário regularmente, estar atento ao aparecimento de nódulos nas mamas e tratamento imediato elevam a chance de cura e preservam a qualidade de vida do seu animal. Lembre-se que a prevenção é sempre o melhor remédio! Outubro Rosa Pet: participe dessa campanha você também!

 

Médica Veterinária Rosana Pianaro Angelo

CRMV - PR 13.360

 

 

Transfusão de sangue em pets - O seu pet pode ajudar a salvar uma vida!

A transfusão de sangue em cães e gatos é uma forma de terapia para manutenção da vida, que age por meio da correção de deficiências sanguíneas individuais de cada paciente, até que a causa da disfunção possa ser tratada. O sangue, após ser coletado do doador, pode ser processado e ter seus componentes separados em diferentes frações com funções terapêuticas distintas.

Na atualidade, existem bancos de sangue especializados em fornecer sangue e hemoderivados de uso veterinário conservados em condições específicas para que não percam a sua utilidade, porém, na rotina clínica da medicina veterinária de pequenos animais, principalmente em cidades distantes de onde se localizam os bancos de sangue, é mais comum a utilização do sangue total fresco, – sangue que, logo após ser coletado do doador, é transfundido ao paciente receptor – devido ao caráter emergencial dos atendimentos que necessitam desse procedimento.

Os animais doadores de sangue devem cumprir alguns pré-requisitos, como possuir temperamento dócil e calmo, ter entre um e oito anos de idade, não portar doenças crônicas ou que possam ser transmitidas pela transfusão, estar com vacinas, controle de vermes, pulgas e carrapatos em dia e passar por avaliação veterinária e exames laboratoriais pelo menos uma vez ao ano. Além disso, os felinos devem pesar no mínimo 5 kg e os caninos não devem estar abaixo dos 25 kg. Fêmeas gestantes ou lactantes também não devem doar sangue. Um cão acima do peso mínimo solicitado pode doar, com segurança, 450 ml de sangue a cada dois meses. Animais de rua não são considerados doadores seguros, já que seu histórico médico e estado de saúde são desconhecidos.

Usualmente, existem duas grandes razões que justificam a transfusão sanguínea: elevar a capacidade de transportar oxigênio para o organismo e melhorar a coagulação. A necessidade de transfundir é baseada, principalmente, na história clínica do paciente, na gravidade dos sinais clínicos e no resultado dos exames laboratoriais. Cães e gatos com a concentração de hemácias, tecnicamente denominada de hematócrito, inferior a 10% no exame de sangue, ou que sofram queda repentina do hematócrito ou, ainda, que tenham perdido mais de 30% do volume sanguíneo devem receber a hemoterapia. A quantidade de sangue a ser transfundido varia conforme a gravidade do caso.

Há possibilidade de o paciente apresentar reação imune ao sangue transfundido. Por esse motivo, é recomendado que o animal seja monitorado por médico veterinário durante todo o procedimento, e que se conheça a tipagem sanguínea tanto de doadores quanto de receptores, o que, infelizmente, nem sempre é possível na prática, considerando que grande parte das transfusões necessita ser realizada com urgência. Os felinos possuem apenas três grupos sanguíneos e os caninos podem variar entre oito grupos. O tipo de sangue de ambas as espécies pode ser identificado por meio de análises laboratoriais ou de testes rápidos realizados na própria clínica veterinária.

Recomenda-se que o volume de sangue total fresco que o paciente necessita receber seja transfundido em um período máximo de quatro horas depois de ser coletado do doador, a fim de evitar a contaminação e proliferação bacteriana. Devido a essa curta validade, é de extrema importância que os médicos veterinários tenham animais aptos e disponíveis a doar sangue em qualquer momento, aumentando, assim, as chances de um bom prognóstico. E você, conhece a tipagem sanguínea do seu pet? Ele é um potencial doador? Converse com o médico veterinário de sua confiança, seu amigo pode nos ajudar a salvar uma vida!

Médica Veterinária Rosana Pianaro Angelo

CRMV - PR 13.360