Apadrinhamento afetivo é ato de amor ao próximo

Projeto da Instituição de Longa Permanência para Idosos (asilo) Santa Rita cria laços entre comunidade e moradores. Dos 75 residentes, 19 ainda precisam de padrinhos

A mensagem mais importante de Natal é o amor ao próximo. E uma das demonstrações mais fiéis a este significado é disponibilizar tempo e afeto a pessoas que precisam de atenção. Um destes exemplos é o projeto de Apadrinhamento Afetivo que é realizado na Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) Santa Rita, o asilo, como é comumente chamado.

O verbo apadrinhar tem o conceito o ato de proteger, defender e cuidar. E é exatamente esta a função do padrinho com seus afilhados no asilo. Praticado já há muitos anos pela entidade, o apadrinhamento se transformou em projeto, de fato, há quatro anos. “O Apadrinhamento Afetivo visa trazer um convívio familiar e comunitário com os idosos que não possuem familiares. O padrinho ou a madrinha fazem visitas, conversam e até levam seus afilhados para passear, dependendo do estado de saúde. A função é dar atenção, carinho e afeto que muitos deles não têm pela ausência de vínculos familiares, que são fragilizados ou rompidos”, explica Juliana Marinski, secretária administrativa da entidade.

Hoje, o asilo conta com 75 moradores. Destes, 57 têm padrinhos e 19 estão na espera para se tornarem afilhados. “Estamos sempre buscando pessoas que têm interesse em fazer algum trabalho aqui na entidade. É uma forma de estar vindo visitar não só o afilhado, mas os outros moradores, tendo convívio com todos”, diz Juliana. Segundo ela, esta troca de afeto reflete no bem-estar e na qualidade de vida dos moradores.

MADRINHA HÁ MAIS DE 10 ANOS

Uma das madrinhas mais antigas da instituição é Andrea Leite. Desde os 12 anos de idade, ela frequentava o asilo e, depois de um tempo que morou fora e voltou para Irati, assumiu o compromisso de cuidar da afilhada, Iracema de Lima Teixeira, de 87 anos.

“Tem mais de 10 anos que sou madrinha da Iracema”, conta Andrea. Ela acredita que a pessoa tem um perfil para isso. “Eu já tenho um trabalho com a ONG S.O.S. Amigo Bicho. Então, sempre gostei de dedicar um pouco de tempo. Acho que todo mundo deveria ter um trabalho voluntário, tirando o seu trabalho normal, nem que fosse uma vez por semana ou a cada 15 dias”. Andrea diz que tenta despertar esse afeto em mais pessoas.

A madrinha da Iracema observa que muitas pessoas têm receio de fazer este tipo de ação por observarem este trabalho com outro aspecto. Algumas pessoas ficam tristes ao se depararem com situações de doença ou vulnerabilidade, por exemplo. “Mas temos que ver o lado positivo, do bem que você faz para aquela pessoa que está precisando. É uma grande lição”. Andrea lembra que a melhor caridade é de dedicar o tempo ao seu próximo sem que os outros precisem saber.

OS AFILHADOS AGRADECEM

Além dos padrinhos, os afilhados também ficam com o coração cheio de alegria por contarem com pessoas que fazem diferença em sua vida. Irene Silva do Rosário, de 56 anos, está no asilo desde 2005 e, pouco tempo depois que entrou, ganhou a madrinha Regiane Franco.

“Ela é igual uma mãe para mim. Nos damos muito bem. Ela me ensinou muita coisa, me aconselha e é uma pessoa muito boa. Quando demora um pouco para me visitar, eu fico sentindo sua falta. Ela sempre me traz presentes também, mas eu gosto dela não por interesse, mas porque ela é muito importante para mim”, conta Irene.

COMO SER PADRINHO

Como mencionado acima, ainda há moradores do asilo que estão a espera de um padrinho ou madrinha. Para se tornar um colaborador afetivo, é necessário ter mais de 21 anos, preencher os requisitos do projeto e assumir um compromisso.

“Desde que foi implantado o projeto, já existe um termo de responsabilidade em que nós explicamos o que é ser um padrinho, que não é só na época de Natal, mas que a função da visita deve ser exercida no ano inteiro”, relata Juliana.

“Tem pessoas aqui que vêem o padrinho como a única referência. Então, eles se preocupam quando não recebem a visita ou está demorando. Por isso, que o padrinho tem que ser comprometido, pois se torna alguém da família”. Em nome de toda a entidade, Juliana agradece todas as pessoas que fazem parte do apadrinhamento afetivo e que colaboram para a alegria dos idosos.