Enfermeiro Agostinho explica a impossibilidade do translado de mortos por Covid-19 em Curitiba

Decreto 536/2020 da capital diz que não pode ser transportado corpos de paciente que sejam suspeitos ou confirmados da doença

O segundo óbito ocorrido em Irati, do servidor público municipal, de 51 anos, entristeceu a cidade Ele também fazia tratamento de câncer, e como estava internado em Curitiba, onde acabou falecendo, a família não pôde transportar o corpo de volta a Irati, por causa do decreto 536/2020 da Capital, assinado pelo prefeito Rafael Greca.

Essa lei, que está baseada na RDC nº 33, diz que não pode haver translado de corpos de pessoas suspeitas ou que tenham a confirmação da Covid-19, quando a morte acontecer na Capital. E as famílias terão que fazer o enterro em Curitiba ou optar pela cremação.

O coordenador da sala de situação da Covid-19 de Irati e enfermeiro, Agostinho Basso, explica que foram feitas várias tentativas, entraram em contato com a Secretaria de Saúde de Curitiba, com o Estado, Assembleia Legislativa, e em Brasília foi feito um pedido, porém, não houve autorização, e a família optou por fazer a cremação.

Isso se torna um aviso para as Secretarias Municipais da região e também à população, pois, apesar da Santa Casa de Irati passar ser referência para tratamento da Covid-19, se não houver vaga na instituição e nos hospitais de Ponta Grossa e Campo Largo, os pacientes terão que ficar internados em Curitiba.

“É muito provável que da nossa região algum paciente tenha que ser internado em Curitiba, nos 10 hospitais que têm leitos de UTI, porque não será o primeiro nem o último caso. Esse decreto proíbe o translado, não é qualquer óbito, são de pessoas com suspeita ou confirmados de Covid-19, esse não são transportados por seu local de origem”, disse Basso.

ÓBITOS EM IRATI

Irati teve a confirmação da primeira e segunda morte por Covid-19, nesta semana, dois pacientes que estavam internados e tinham comorbidades vieram a falecer em decorrência do vírus. Município tem mais três pacientes internados na UTI e um na enfermaria.

No domingo (19), aconteceu o primeiro óbito, de uma mulher de 47 anos, que estava na Santa Casa de Irati, internada. A segunda morte foi confirmada na quarta-feira (22), de um homem, de 51 anos, servidor público municipal, que estava internando no Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, e fazia tratamento para câncer.

 “Os nossos óbitos, que para muita gente assistia no jornal era apenas um número, quando víamos em Manaus ou Rio de Janeiro, começam a ter rostos,  e rostos conhecidos, acabamos de perder um colega de trabalho, servidor público, que a cidade quase toda conhecia, estamos com mais pacientes internados em estado grave”, comenta Agostinho.

Ele ainda completa que as pessoas que faleceram “eles têm CPF, têm filhos, família, não é um número, já ouvi aqui em Irati: é inevitável que se morra. Mas não, não é. Para nós, jamais será um número, sempre é uma pessoa, uma história que esta ali”.

“Coronavírus não tem remédio, a vacina deve sair, mais ou menos, em março. Até lá o novo normal, novos hábitos, uso de máscara, distanciamento social, e muita disciplina, porque irati e região têm condições de sair dessa pandemia bem, com o mínimo de vidas perdidas e doenças causadas”.

Agostinho Basso

Em Irati, a média de idade de contágio da Covid-19 está entre 20 a 49 anos,  na grande maioria, sem comorbidades. O enfermeiro destaca que no Paraná se prevê o pico da doença  na primeira semana de agosto, entre 30 de julho e 10 de agosto. Por isso, as pessoas precisam tomar ainda mais cuidado. “‘Não se exponha, não é hora de ir no comércio comprar pelo anseio, ir ara outra cidade sem necessidade, festinhas em família, devemos sair somente para comprar o necessário. É hora de não fazer aglomerações. Em 30 anos de profissão, nunca passei por isso, onde o colapso se aproxima”, disse.

REGIÃO

Em todos os municípios da região aumentaram os casos de Covid-19, porém, o número foi menor que na semana passada. Além dos óbitos em Irati, Imbituva registrou duas mortes pela doença, e passa a ter quatro pessoas que faleceram em decorrência do vírus.

No total, a região teve mais 77 casos da doença, totalizando 436 casos confirmados, 332 recuperados, e 11 óbitos. Ainda, aguarda-se a liberação de 280 exames pelos laboratórios. Os dados são das secretárias de Saúde Municipais. Imbituva, que tem o maior registro de casos, não atualizou o boletim diário até o fechamento da edição, e não conseguimos contato a equipe.

As demais mortes em decorrência da doença aconteceram em Fernandes Pinheiro, Mallet e Teixeira Soares e Prudentópolis.