Estudo da Fiocruz orienta que pessoas contaminadas devem manter distanciamento de cães e gatos

Outro resultado relatado pela pesquisa é que 46% dos animais infectados apresentaram sintomas leves, que podem estar associados ao coronavírus

Um estudo pioneiro desenvolvido na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que as pessoas podem transmitir coronavírus para os animais de estimação. A pesquisa recomenda que os donos infectados pela Covid-19 devem manter distanciamento social não só de humanos, mas também dos cães e gatos.

O levantamento foi realizado por meio da parceria entre duas unidades da Fiocruz: o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Os pesquisadores demonstraram a relação entre a exposição dos animais de estimação e a infecção dos donos, com os resultados publicados na revista científica internacional Plos One.

Foram selecionadas famílias do Rio de Janeiro com seus 39 animais de estimação, sendo 29 cachorros e dez gatos, entre maio e outubro do ano passado. Após a confirmação de humanos com Covid-19, os cientistas colheram amostras dos animais para saber o efeito do vírus sobre eles.

“Os principais resultados da pesquisa demonstram que, de 21 domicílios diferentes, quase a metade apresentava um ou mais animais de estimação positivos para Sars-CoV-2. Foram nove cachorros (31%) e quatro gatos (40%) infectados ou expostos ao Sars-CoV-2.  Os animais obtiveram resultados de RT-PCR positivos de 11 a 51 dias após o aparecimento dos primeiros sintomas de seus tutores.

Entre os cães, três apresentaram dois testes positivos realizados num intervalo de 14, 30 e 31 dias. As amostras de sangue determinaram presença de anticorpos contra o Sars-CoV-2 em um cão e em dois gatos”, explicou Guilherme Calvet, do Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas, um dos coordenadores do estudo.

Outro resultado relatado pela pesquisa é que 46% dos animais infectados apresentaram sintomas leves, que podem estar associados ao coronavírus. Também se observou que animais castrados são mais suscetíveis e que dividir a cama com o tutor eleva o risco de infecção.

A Fiocruz destaca que cães e gatos raramente se contaminam com a doença e que, quando isso acontece, geralmente têm uma evolução branda, de curta duração e com baixa quantidade de vírus encontrada. Até o momento, não há qualquer comprovação que cães e gatos possam transmitir a doença para humanos.

“Este trabalho – Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas e o Instituto Oswaldo Cruz – é de grande importância, uma vez que não estava claro, no início da pandemia do Sars-CoV-2, se os animais domésticos poderiam se infectar ou transmitir o vírus. A pesquisa foi bastante meticulosa por analisar, além de diversos fatores, o soro de cães e gatos infectados, demonstrando a neutralização viral pelos anticorpos produzidos por esses animais. É um estudo bastante completo e que contribui para um melhor entendimento da capacidade do novo coronavírus de infectar diferentes espécies animais”, afirmou a chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do IOC/Fiocruz, Marilda Siqueira.