José Zavilinski – Cidadão além de seu tempo

Homem simples, cristão exemplar, lavrador, autodidata e líder que sempre trabalhou em prol da comunidade e da igreja

 

Era o ano de 1901, aos 14 de março nascia JOSÉ, em Thomaz Coelho, município de Araucária. Filho de Estanislau Zavilinski e Maria Novak. O casal teve oito filhos e José era o mais velho.

João e Sofia, pais de Estanislau e avós de José, vieram do Polônia entre os anos de 1876 a 1879,  (sem documento que forneça a data exata).

Para Thomaz Coelho, vieram imigrantes chamados Mazurianos das regiões de Gorlice e Biecz, também chamada de Pequena Polônia, e na época ocupada pelos Autríacos (Galicia). Foram recrutados por Bendazewski, segundos relatos no livro “Os Poloneses no Brasil”, escrito pelo primeiro cônsul polonês no Brasil, Kazimierz Gluchowski.

José prestou serviço militar em 1923, além de ser Agricultor, também trabalhou em uma olaria e, aos 25 anos, casou-se com Emília Budziak, no dia 17 de agosto de 1926, na igreja de São Miguel, em Thomaz Coelho.

Alguns meses após o casamento vieram morar em Irati, adquirindo um terreno no Rio Bonito, onde plantavam milho, feijão, batata e outros.

José e Emília trabalhavam todos os dias, inclusive com camaradas. Muitas vezes, em épocas de colheita, Dona Emília precisou lavar roupa e assar pão a noite, para poder acompanhar José na roça.

Tiveram 10 filhos, três faleceram quando crianças. Os filhos, ainda bebês, eram levados juntos para a roça. Colocavam os filhos em balaios com um travesseiro e os acomodavam.

Enfrentaram muitas dificuldades, inclusive pragas, como os gafanhotos que comeram todas as plantações.

Segundo João Zavelinski, filho de José, ele tinha uma plantação de linho e também uma Indústria de beneficiamento chamada Linho Dalvi, de sociedade com o Sr. João Wasilewski, do qual era muito amigo. Essa indústria localizava-se no Rio Bonito.

Quando o linho estava no ponto de colher, era logo trazido para a indústria. Devido à dificuldade de malhar para retirar a semente (linhaça) e as folhas, José inventou uma máquina para facilitar esse trabalho. Também, havia tanques com água, em que depois de retiradas as sementes, os caules ali eram colocados por vários dias. Com as fibras eram feitos os fardos e enviados para a indústria têxtil para fabricação de tecido de linho.

Na década de 1940, José adquiriu um caminhão que suportava a carga de 25 sacos de batata ou cereais. Ele comprava batatas dos colonos, lotava vagões e enviava de trem para Barra Funda, em São Paulo. Na época, as contas eram feitas a mão. José inventou uma máquina que fazia os cálculos. Era uma caixa com vários botões, dentro dela havia rolos de madeira cobertos com papel cheios de números.

Caminhão para transporte de batatas e outras mercadorias.

 

No ano de 1957, chovia muito e não podiam trabalhar na lavoura. José teve a ideia de fabricar um relógio diferente. Marcava 24 horas, dia, mês e ano e as fases da lua. As peças eram projetadas por ele e algumas reutilizava de relógios velhos. Chamou este de primeiro relógio calendário fabricado pela ocasião do cinquentenário de Irati.

Como apreciador de boa música, aprendeu a tocar violino de ouvido, e até compunha algumas polcas. Cantava em polonês no coral da Igreja São Miguel.

Foi também representante dos acordeões Todeschini, de Bento Gonçalves no RS nos anos de 1956 a 1970.

Em 1951, foi eleito vereador, sempre defendendo as causas dos agricultores. Alguns projetos apresentados por ele: a isenção de impostos para carroças, empréstimos do Banco do Brasil com juros módicos aos pequenos lavradores, entre tantos outros pedidos em favor dos pequenos agricultores.

Na época, os vereadores não possuíam salários e subsídios para tal função.

Foi um líder respeitado, pois sempre realizou trabalhos em prol da comunidade e na igreja sem esperar nada em troca.

Cristão exemplar, foi congregado Mariano, membro da Legião de Maria e fazia parte da comissão da igreja de São Miguel. Apesar de pouco estudo (não concluiu o primário), tinha paixão pela leitura, era assinante da revista Seleções, Veja, Dirigente Rural, Nasza Ojczyzna (Nossa Pátria) que recebia da Polônia, jornal Lud (o Povo), jornais locais e de Santuário de Aparecida, muitos livros e revistas infantis, católicas e informativas de 1930.

Nos anos 30, comprou um rádio Semp à bateria e podia acompanhar o que acontecia no Brasil e no mundo. Na Segunda Guerra Mundial, os vizinhos reuniam-se na casa de José para ouvir as notícias e ele esclarecia aos que não entendiam.

Com uma inteligência bem desenvolvida para seu tempo, era um apreciador da Astronomia e estudava o sistema Planetário. Podia dizer de cor a distância entre os planetas e seus tamanhos.

Nos casamentos, era convidado para ser Druzba (padrinho) e o costume era que os noivos saíssem da residência da noiva para irem até a igreja se casar. Mas antes, na sala da casa, os pais sentavam e os noivos, e convidados, em pé, ouviam a declamação do Druzba. Eram várias estrofes em polonês, descrevendo aquele momento de despedida com palavras emocionantes que faziam muitos chorarem.

José sempre foi muito severo na educação dos filhos, baseado nas citações da Bíblia. Ele dava exemplo de responsabilidade, honestidade, sempre pautado na verdade.

 

Homem simples, cristão exemplar, lavrador, autodidata e líder que sempre trabalhou em prol da comunidade e da igreja. José Zavilinski faleceu em 03 de dezembro de 1977

 

Máquina para retirada das sementes do linho criado por José