Paranaenses chegam ao fim do ano um pouco mais endividados

Pesquisa da CNC e Fecomércio PR mostra que 92% das famílias possuem dívidas. Por outro lado, inadimplência vem caindo

Assessoria

Os paranaenses chegam ao fim do ano um pouco mais endividados. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), 92% das famílias paranaenses possuíam algum tipo de dívida em novembro. É o maior percentual de famílias endividadas no mês de novembro de toda a série histórica e o mais alto desde agosto de 2013, quando chegou a 93,5%.

No cenário nacional, o nível de endividamento do consumidor brasileiro vem crescendo gradativamente nos últimos 12 meses, chegando a 75,6% no mês passado.

Inadimplência

Apesar do endividamento em ritmo crescente, com a segunda alta consecutiva, a inadimplência vem caindo desde junho no Paraná. Os paranaenses com contas atrasadas foram 18,5% no mês passado e os que reconheciam não ter condições de quitar seus débitos eram 6,2%, uma queda de 42,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. No Brasil, a redução das famílias sem condições de pagar suas dívidas foi de apenas 12,2% na variação anual.

O Paraná registra o menor percentual de famílias com contas em atraso e de famílias que não terão condições de pagar as dívidas em atraso desde 2012. Essa melhora na solvência está relacionada à reestruturação e renegociação das dívidas. O Relatório de Cidadania Financeira 2021 do Banco Central mostra que apesar do aumento do endividamento nos meses iniciais da pandemia, o recebimento do Auxílio Emergencial contribuiu para a diminuição da inadimplência entre os brasileiros que já usavam crédito, tendo em conta a duração do benefício e alterações na composição do crédito dos beneficiários, em especial aqueles de mais baixa renda que compõem o Cadastro Único. A inflação e o aumento das taxas de juros também fazem com que os consumidores fiquem mais cautelosos e priorizem o pagamento das dívidas já contraídas.

Em novembro, segundo a CNC, o tempo médio de atraso no pagamento das dívidas no Paraná foi de 63 dias, sendo que maior parte dos atrasos (44,2%) já era superior a 90 dias, configurando o denominador típico do indicador de inadimplência. As famílias com atraso no pagamento até 30 dias corresponderam a 23%, e com atraso entre 30 e 90 dias foram 32,8%. 

Segmentação por renda

As famílias de maior renda (acima de 10 salários mínimos) estão se endividando mais desde setembro e chegaram a 97,6% em novembro, atingindo o terceiro maior índice já registrado pela pesquisa. A relativa folga no orçamento e a falta de estímulo no pagamento à vista faz com que esse perfil de consumidor se sinta mais confiante em parcelar seus gastos, com a utilização, sobretudo, do cartão de crédito, que concentrou 85,9% das dívidas nesta faixa de rendimentos em novembro. A renda mais alta também favorece o pagamento das dívidas adquiridas, tanto que estas famílias tiveram, no mês passado, o menor índice de atrasos no pagamento de toda a série histórica do estudo, realizado desde janeiro de 2010.

O índice de endividamento também subiu entre as famílias de menor renda, ao passar de 88,6% em outubro para 90,7% em novembro. Assim como nas classes A e B, o endividamento segue em tendência de alta nas classes C, D e E, mas as condições de pagamento estão melhorando desde junho, o que indica a priorização da quitação das contas em aberto. 

Tipo de dívida

O cartão de crédito concentra a maior parte das dívidas dos paranaenses, com 68,3%. O financiamento de veículos tem sido outro grande motivo de endividamento e segue em aumento, ultrapassando os 10%, desde maio, chegando a 18,2% em novembro, sobretudo entre as famílias de menor renda, entre quais correspondeu a 20,9% das dívidas no mês passado, ante 5,5% entre as famílias de maior renda.

O financiamento imobiliário somou 7,4% no mês passado e também é maior entre as famílias com renda abaixo de dez salários mínimos, com 8,2%, ante 3,7% entre as famílias com renda acima deste patamar.