Pessoas que trabalham com eventos enfrentam dificuldades na pandemia

Desde março os eventos estão suspensos, os que trabalham na organização deles não têm esperanças para retornar este ano

A pandemia da Covid-19 afetou todos os setores, saúde, economia, educação e muitos outros. Os eventos pararam de acontecer desde março. Em setembro, os casos estavam se estabilizando e alguns setores começaram a ser liberados, como pequenas comemorações de casamento e aniversários, mas neste mês, devido ao crescimento de casos em Irati e no estado tudo foi suspenso novamente. Assim, as pessoas que tiravam o sustento fazendo eventos estão tendo que procurar outros meios lucrativos.

O sócio proprietário do Park Dance de Irati, Andre P. Vicente, conta como está sendo manter os eventos cancelados e tudo fechado há quase nove meses. “Como todo mundo foi pego de surpresa com esta pandemia, para nós que fazemos eventos não foi diferente, à primeira vista pensamos que seria algo passageiro, ficaríamos parados em torno de 15 a 30 dias e tudo retornaria ao normal, mas quando as coisas começaram a tomar proporções maiores comecei a ficar assustado. Percebemos que era algo sério e que ia durar”, disse Andre.

Ele conta que a partir do terceiro mês parado começou a ser necessário remanejar as coisas e se tornou assustador, porque este setor parou 100%. “É a mesma coisa que chegar e desligar uma chave de luz, foi da noite para o dia. O último evento nosso foi no Carnaval, e uma formatura em um sábado, depois parou tudo”, afirma o empresário.

“Fomos os primeiros a parar e seremos os últimos a voltar. Eventos não são feitos só com o cantor e o DJ, tem as pessoas que puxam caixas de som e equipamentos, as pessoas da bebida, as que fazem os salgadinhos e docinhos, então são muitas pessoas envolvidas”. – Julio Cesar Luginski

Todos os funcionários do Park Dance continuam contratados e recebendo, são 10 funcionários registrados e uma média de 25 a 30 freelancers que trabalhavam nos fins de semana. “Ninguém foi demitido, eles fazem outros serviços e continuam recebendo. Uma educação que temos de dentro de casa é presar pelos empregados, é algo que foi repassado pelos meus pais, que pode atrasar uma conta, mas não atrasar o salário dos funcionários, ou, deixar de pagar uma conta e não demitir um funcionário”, explica Vicente.

Andre também relata a experiência triste de passar o 27º aniversário do Park sem poder fazer shows e alegrar a população que sempre esperou por esta data. “O dia do aniversário do Park foi o dia mais triste do ano para mim, sempre me programo muito antes, crio expectativas para este dia, busco entender o que a galera quer ver em relação a shows. Neste ano eu já sabia que não seria feito nada, até fiz um vídeo nas redes sociais, e me caiu a ficha e a tristeza foi grande, porque são 27 anos de história. Teve uma proposta para fazer uma live, mas não tinha clima para isso, pois não iria condizer com o nosso propósito que é festa, alegria, diversão e entretenimento, no momento que está todo mundo fechado, com medo, não teria cabeça para estar em cima de um palco tentando animar as pessoas”, disse.

Em setembro, os casos foram diminuindo, Irati começou a passar alguns dias sem registrar novos casos e o Park Dance promoveu uma festa em uma tarde de sábado, mas na mesma semana os casos aumentaram e para 2020, segundo Andre, não há grandes esperanças. “Eu pensei que havia uma luz ainda para 2020, acompanhando outras cidades estavam liberando eventos, achei que daria para voltar. Tanto que nos programamos e fizemos uma tarde do pagode e programamos uma domingueira. Para ver como o povo está sentindo falta das festas, em 30 minutos esgotou as vendas dos ingressos. Mas justamente no final de semana do nosso evento começou a aumentar os casos. Anunciamos a domingueira e vendemos quase todas as mesas, mas cancelamos e devolvemos o dinheiro, mesmo o decreto nos permitindo, mas temos consciência de que prejudicaria muita gente. No pagode, tomamos todos os cuidados necessários, com tapetes sanitizantes, álcool gel, luvas, máscaras, mas devido ao aumento dos casos não faremos mais eventos”.

Para o fim de ano, o Park tem a opção de fazer algo no estacionamento que podem ser colocadas até 80 mesas, mas vai causar aglomeração e por isso nada está previsto. “Eu não quero que o Park Dance seja o culpado por contaminações. Gosto de trabalhar sempre dentro da lei, se os decretos me permitirem, aí podemos ver o que fazer para a virada.

O locutor de festas e eventos, Julio Cesar Luginiski, trabalhava animando casamentos e aniversários nos sábados, e nos domingos festas em geral. Hoje, ele está buscando outros meios de garantir o sustento e a ajuda do auxílio emergencial foi de grande importância para enfrentar 2020 sem eventos. “Com a pandemia a gente parou, e estamos na espera de uma vacina, mas 2020 já consideramos que é um ano perdido, para os eventos. Hoje, estou trabalhando em porta de lojas, mas também tem a questão da aglomeração, quando trabalha em uma loja também não pode falar muito para não reunir muitas pessoas, mas estou me virando, sou colaborador de uma rádio do município e o auxílio emergencial me ajudou muito”, relata o locutor.

Ele aponta que o setor de eventos será o último a retornar, e que neste trabalho muitas pessoas estão envolvidas.