Professora transforma barreiras em pontes

O comportamento das pessoas revela muito sobre seus sentimentos, estar disposto a ouvir e amar o próximo é fundamental para garantir a vida de muitos

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Rozilda Aparecida Ferreira é professora, natural de Inácio Martins, veio de uma família muito humilde, sua infância foi marcada por um período de lutas. Seu pai teve AVC, quando Rozilda tinha nove anos, ela e seu irmão, que é deficiente físico, precisaram fazer trocas de horários para cuidar do pai e ir para a escola. Mesmo diante de tantas dificuldades os pais de Rozilda sempre incentivaram os filhos a estudar, pois segundo eles, o conhecimento é a única coisa que ninguém seria capaz de tirar deles. Os filhos cresceram sabendo que são capazes de tudo “a única coisa capaz de impedir de alcançar nossos sonhos somos nós mesmos”, disse Rozilda.

A maternidade chegou na vida de Rozilda quando tinha 18 anos, algumas coisas mudaram e ela teve que parar com os estudos. É mãe de dois meninos e uma menina que faleceu quando criança em um acidente. Com a separação do pai dos filhos dela, teve grandes dificuldades para se manter financeiramente, mudou-se para Curitiba, onde teve um relacionamento abusivo, com violência doméstica.

No ano de 2006, foi morar em Cascavel, a morte de sua filha ocasionou um grande marco em sua vida. Retornou para a cidade natal, cuidar de seus filhos, e reconstruir sua vida, teve apoio da família e principalmente de uma irmã que incentivou Rozilda a fazer uma graduação.

Atualmente, Rozilda é licenciada em Artes, com quatro pós-graduações, sendo duas em Educação Especial, uma em Distúrbio em Aprendizagem e outra em Informática na Escola. Trabalha no município de Irati e Fernandes Pinheiro, em escolas regulares e de educação especial.

“Para pagar a faculdade, eu era diarista, mas sempre me falavam que o mundo é muito grande, a gente não pode estudar pensando só naquele local que mora, porque há grandes oportunidades. E Deus, como sempre foi muito bom, antes mesmo de eu finalizar minha faculdade eu já trabalhava na área”, relata a professora.

Dentre as inúmeras dificuldades enfrentadas, Rozilda sofreu de depressão, a doença do século que está totalmente ligada ao psicológico do ser humano. Ela conta que essa luta não acaba. “Para as pessoas que acham que isso é frescura, não é, muito pelo contrário, é algo muito sério, há uma linha que nos divide entre as pessoas que têm doenças físicas, pois elas têm o emocional forte, é ele que consegue vencer o problema. Já a pessoa com depressão, está doente psicologicamente, fica sem forças e vai precisar de tratamento, apesar de não chamar a atenção dos que estão à sua volta”.

Pela própria experiência de vida, Rozilda explica os momentos mais críticos da depressão. “O momento mais perigoso da depressão não é no momento que as pessoas estão no estado máximo, e sim, logo no início, quando os outros ainda não notaram que você não está bem, quando você consegue planejar coisas ruim para você mesmo, já quando está acamado outras pessoas estarão com você”.

Nas escolas que Rozilda leciona, busca estabelecer um contato que vai além da sala de aula, com seus alunos, pais e comunidade escolar. “Eu procuro observar aquilo que não observaram em mim, porque o aluno está muito quieto, porque está agitado. Às vezes, nós olhamos a criança bagunçando e gritando, e na verdade ele está gritando socorro, por algo que acontece, então eu fico muito próxima deles. Muitos eu conseguia ajudar, outros fazia encaminhamento com psicólogos para que eles tratassem dessa coisa chamada ‘frescura’ e que não é”.

São muitos os fatores que levam à depressão, abusos, violências, discriminações, entre outros motivos individuais. Os cuidados da professora com o próximo, em especial seus alunos, é para que eles expressem seus sentimentos, seja na conversa, nos desenhos, pinturas, ou qualquer outra manifestação de sentimento.

Além de estar presente no dia a dia dos alunos, Rozilda realiza palestras nas escolas que trabalha, na companha do Setembro Amarelo ela falou sobre o assunto e teve bons resultados, incentivados pelas suas palavras, muitos alunos tomaram coragem de falar sobre as feridas que incomodavam.

“A dor da alma é a pior dor que o ser humano pode sentir, e falando você alivia. Eu procuro mostrar para eles que sempre tem uma saída, temos que mostrar para as pessoas a importância que elas têm, que elas não estão sozinhas e vão vencer esse momento difícil”, comenta Rozilda.

Em especial para o Dia Internacional da Mulher, Rozilda deixou um conselho para todas. “Acredite na força que há dentro de você, é essa força que te faz poderosa e ajuda a seguir em frente, mesmo com todos os problemas que surgem diariamente, a batalha vem, mas você é a única responsável em vencê-la, e nunca perca sua essência, essência que vem de Deus”, finaliza professora.