Regulação das consultas do Erasto causam atrasos nos tratamentos dos pacientes

A demora das primeiras consultas revolta pacientes, contam autoridades

Esther Kremer e Nilton Pabis

Durante o mês de setembro e outubro, a procura por consultas no Hospital Erasto Gaertner aumentou significativamente, desta forma, a demanda por vagas também. Diversos municípios que fazem parte da região da Amcespar e da 4ª Regional de Saúde têm comunicado o descontentamento na agilidade do processo. A dificuldade está em conseguir o primeiro atendimento para pacientes com câncer. A reclamação é de ter a liberação do código pela prefeitura de Curitiba que faz a gestão dos recursos.
O vereador e presidente da Câmara Municipal de Irati, Hélio de Mello, foi uma das autoridades que expressou sua opinião na sessão ordinária de terça-feira (26), juntamente com o vereador Nato Kffuri. Hélio reclamou na demora da primeira consulta do Erasto. “Com o Hospital que temos em Irati, e que inclusive será ampliado, foi criado uma expectativa na população. Portanto, deixo registrado aqui, nesta tribuna, o meu protesto e peço aos responsáveis que tirem a bunda das cadeiras e resolvam esta situação, pois a nossa população precisa ser respeitada e atendida”, desabafou.

“O Erasto tem condições de atender mais, só depende realmente desta regulação. Precisa disto para poderem receber legalmente o paciente. Estamos empenhados para que tudo se resolva com a máxima brevidade”.

Cleonice Schuck


Segundo a secretária de Saúde de Irati, Jussara Aparecida Kublinski, no município existem aproximadamente 15 pessoas na fila, aguardando uma consulta no Erasto. Jussara diz que o prefeito Jorge Derbli autorizou a “pactuação” (contratação) de mais dois hospitais, o Angelina Caron, de Campina Grande do Sul e o Nossa Senhora do Rocio, de Campo Largo.
Ela explica que nestes dois hospitais não há fila, mas a prefeitura permite que o paciente escolha em qual hospital quer tratar a doença. Isto porque o tratamento é em Irati na maior parte dos casos atendidos no Erasto. “A demora na liberação do código de transição está resultando nesta fila. Já nos outros hospitais, que o tratamento é fora do domicílio, não há fila. Esta doença não permite demora no tratamento, por isso a primeira consulta deve ser ágil”, diz Jussara.
O descontentamento também chegou ao vice- prefeito de Imbituva, Zaqueu Bobato, que relatou a reclamação de pacientes na dificuldade em conseguir vagas no hospital e no primeiro atendimento. Segundo Bobato, “os pacientes entram em desespero e fica difícil controlar e explicar toda esta situação”.
CIS/Amcespar
A presidente do CIS/Amcespar e prefeita de Fernandes Pinheiro, Cleonice Schuck, explicou todo o trâmite para os pedidos de atendimento e explicou o motivo dos atrasos. Após surgir a demanda na consulta, o município manda para a Regional de Saúde a solicitação para a vaga. A Regional cadastra o pedido no sistema E-Saúde, e este vai para a Secretaria de Saúde da prefeitura de Curitiba, que tem a gestão plena do processo. Eles geram o código de transação e devolvem para a 4ª Regional que, por fim, encaminha para o município com a guia de dia e horário para atendimento.
“Estamos empenhados em trazer este domínio que Curitiba tem sobre a distribuição de vagas, para a nossa regional, para daí podermos utilizar toda a capacidade de atendimento que a Unidade do Erasto de Irati tem para atendimento”, disse a presidente.
Cleonice afirma que “a culpa não é do Hospital Erasto Gaertner e nem da 4ª Regional de Saúde, mas sim, da forma que o sistema de distribuição de vagas foi formatado. Estamos buscando alinhar com a SESA esta situação para evitar estes contratempos e poder atender a nossa população da melhor forma possível. Contamos com a sensibilidade do Secretário Beto Preto e do nosso governador Ratinho Júnior para que em breve os atendimentos sejam agilizados e realizados aqui em Irati”. Todos os prefeitos estão mobilizados e tentando resolver a situação.
O prefeito de Inácio Martins e presidente da Amcespar, Junior Benato, também está empenhado em resolver esta situação. “Precisamos trazer a gestão das consultas para Irati. Com a ampliação dos serviços do Erasto isto é possível e assim diminuímos a burocracia e teremos consultas com mais agilidade”, disse.

“Precisamos trazer a gestão das consultas para Irati. Com a ampliação dos serviços do Erasto isto é possível”

Junior Benato


“Uma reunião acontecerá na sexta-feira (05), com a participação da deputada Leandre, da presidente do CIS, prefeita Cleonice, no gabinete do prefeito Jorge, em Irati, e com o secretário Beto Preto, por meet. Tentaremos uma solução para o problema, que não pode se estender mais”, explicou Benato.
Hospital Erasto Gaertner
Através da assessoria de imprensa, o Hospital Erasto Gaertner respondeu que “o paciente ingressa para tratamento na Unidade do Erasto de Irati por meio de um código de transação fornecido pela 4ª Regional de Saúde. No momento em que o código é gerado pela 4ª Regional, o agendamento de atendimento do paciente é feito imediatamente, não ultrapassando duas semanas como prazo. Atualmente a Unidade do Erasto Gaertner de Irati tem capacidade para realizar até 100 consultas mensais. Nos meses de agosto e setembro, deste ano, foram referenciados à Unidade apenas 36 e 53 pacientes, respectivamente”.
4ª Regional de Saúde
O chefe da 4ª Regional de Saúde, Walter Trevisan, explicou a situação e reafirmou que o código de transação é fornecido pela Secretaria de Saúde de Curitiba, pois os recursos do Governo vão direto para esta gestão e depois é distribuído para a 4ª Regional e outras duas regionais no estado do Paraná. Segundo Trevisan, “quem coordena isso não somos nós, mas sim, a prefeitura de Curitiba. Não temos esta autonomia, já expliquei isso diversas vezes, nós dependemos da gestão de Curitiba”, disse.
A prefeitura de Curitiba disse em consulta que irá buscar informações sobre o caso.

A reclamação é pela demora para ser marcada a 1ª consulta (Foto: Reprodução)