Situação da Covid-19 em Irati e região preocupa autoridades

Hospitais estão superlotados e não há muitas vagas em leitos clínicos do estado

A quase um ano do início dos casos de Covid-19 em Irati e região, os municípios enfrentam o pior momento da pandemia, com crescente número de casos confirmados, a falta de leitos nos hospitais do Paraná afeta e preocupa as autoridades locais.

 Irati demorou oito meses para registrar 460 casos. Desde novembro do ano passado houve um desequilíbrio e o município teve 1.505 casos novos, em apenas um mês. Em dezembro, mais 505 foram confirmados, e sete pessoas morreram por Covid-19. Já em janeiro deste ano, mais 492 pessoas foram infectadas e nove óbitos aconteceram, e foi o mês em que Irati mais teve mortes pela doença.

Com os feriados prolongados e as festas de fim de ano, a Saúde já sabia que enfrentaria um aumento nos casos, mas a nova variantes do vírus fez com que houvesse um descontrole na pandemia.  Este é o momento em que o Paraná está entrando em colapso de equipamentos de saúde. A maior preocupação das autoridades é com os equipamentos, insumos, leitos e equipe.

 Agostinho Basso, enfermeiro e coordenador do COEF de Irati, explica que o mais difícil é a equipe para o tratamento, pois para trabalhar em uma UTI é preciso saber todos os protocolos e manusear aparelhos. Além disso, os profissionais de saúde que estão na linha de frente já estão há quase um ano sem descanso. “Isso causa um desgaste físico, mental, psicológico e também afeta o espiritual”, comenta Agostinho, citando os casos do norte do Brasil em que pacientes faleceram na espera por oxigênio ou sedativos.

SANTA CASA DE IRATI

 Com o agravamento da pandemia na região, a Santa Casa de Irati começou a semana com problemas nos internamentos. Irati faz parte da macrorregião leste, e quando não há leitos na Santa Casa o paciente é transferido para outra cidade, porém não há vagas suficientes no estado.

Agostinho Basso, Coordenador do COEF e enfermeiro

A Santa casa tem um total de 150 leitos clínicos, mas oitos são destinados exclusivamente para Covid-19, quatro na enfermaria e quatro na UTI, que a instituição foi autorizada pela SESa. A falta de espaço físico e insumos preocupa o provedor, Dr. Ladislao Obrzut Neto, pois a medicação, desde novembro, encareceu, um medicamento utilizado para a entubação passou de R$ 13 para R$ 126, além disso, está em falta e aguardam na fila para receber. Já o oxigênio, Neto informa que ainda há uma reserva.

A Santa Casa fez adaptações e reajustou alguns espaços para tratar os pacientes com Covid que aguardavam vaga nesta semana. Duas pessoas foram colocadas a mais no leito, que são mãe e filha, esta última possui deficiência mental, por isso, o hospital optou por deixá-las juntas e também do outro filho que está internado com covid.

O provedor acredita que o chegou o momento que tanto temia, de ter que escolher qual paciente ser transferido.  “Nós temos que ver para onde vamos mandar e quem nós vamos mandar onde vai surgir essa vaga, estamos cuidando dele como se estivesse na UTI só que esta na porta de entrada, mas tira um leito de emergência se chegar dois pacientes precisando internar um vai ser entubado, alguma atitude tem que tomar”. 

O provedor enfatiza que se a pessoa sentir algum sintoma pode procurar o atendimento, não ficará sem cuidados, mas que todos sigam as medidas de prevenção. “Esse problema nós vamos resolver, nós vamos cuidar, nem que tenhamos que ficar esperando a vaga no respirador da ambulância. Precisamos ter a consciência não fazer festas escondidas, não faça isso. O vírus não se esconde. A vacina vai vir daqui a pouco para todos nós”.

DECRETO

Devido toda a situação, Irati e os municípios da Amcespar decidiram seguir o decreto do Paraná em que determina o fechamento de atividades não essenciais como o comércio e altera o toque de recolher, que passa a ser das 20h às 5h do dia seguinte, emitido na semana passada. O documento vale até o dia 08 de março. Ainda não há informação se o estado irá prorrogar o decreto.

FISCALIZAÇÃO

Equipes da Guarda Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária e Setor de Tributação da Prefeitura Municipal de Irati realizaram ações conjuntas em todo o município com objetivo de fiscalizar cumprimento dos decretos estaduais e municipais vigentes.

“A força tarefa está aí e vai ser firme e rígida porque nós sabemos que o diálogo não funciona. A impressão que temos é que falamos ao vento. Tempos difíceis estamos vivendo. Vamos nos cuidar, por você mesmo, pela sua família por aqueles que você ama e pela nossa cidade”, conclui Agostinho.

 

OLHO:

 “Por favor, nos ajude, nós precisamos que a população se sensibilize”

Agostinho Basso

“Quanto mais nos cuidados e os números baixarem, mais rápido voltaremos cada um a sua vida dentro desse novo normal. Ajude-nos”

Agostinho Basso