Abuso de crianças e adolescentes é uma realidade que precisa ser tratada

Mês de maio é dedicado ao combate ao abuso e exploração sexual contra as crianças e adolescentes
Advogada Ana Cecília de Farias Vaz. Aspirante da Polícia Militar de Imbituva, Thaísa Nabozny. (Foto: Reprodução)

O Dia 18 de maio, desde a promulgação da Lei 9.970/2000, foi intuído como Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a data foi escolhida em memória ao caso Araceli, ocorrido em 18 de maio de 1973, na Cidade de Vitória/ES, por ser um crime bárbaro que chocou todo o país e sem que houvesse solução e responsabilização, até hoje.

Partindo dessa data, que há 20 anos já tem sido marcada pela forte mobilização em função da temática e de ações no combate ao abuso e exploração sexual contra as crianças e adolescentes, em 2017, a campanha “Maio Laranja” foi instituída inicialmente no Mato Grosso do Sul, através da Lei 5.118/2017, pela iniciativa do Deputado Estadual Herculano Borges, vindo a ganhar abrangência nacional recentemente, ampliando então a campanha para todo o mês de maio.

A advogada Ana Cecília de Farias Vaz desenvolve o projeto “Minha Infância meu direito”, em Irati, que trata do combate ao abuso de crianças e adolescentes. Apesar de, atualmente, estar atuando na área trabalhista ela explica o porquê de insistir nesta causa.

“Este ano o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), completa seus 30 anos de caminhada na defesa dos direitos das crianças e adolescentes, porém esse público ainda não encontrou seu espaço na sociedade para ser respeitado. Olhar para esse público que tem sua própria voz, mas que muitas vezes não é ouvido, é o que me faz querer lutar pelas necessidades deles”, afirma Ana.

Segundo a advogada, é possível ver que as pessoas estão se preocupando mais com a questão do abuso. “É preciso estar cada vez mais engajado nesta causa, principalmente neste período de isolamento social, em que as crianças estão só em casa, não podem nem falar com seus professores ou colegas, então, é momento de todos ficarem mais atentos aos comportamentos das crianças e das pessoas que convivem com elas”.

A proposta do projeto “Minha infância meu direto” é falar com os profissionais, com os pais e com as próprias crianças, que as crianças e adolescentes são responsabilidade de todos, e que seus direitos precisam ser respeitados. “Dentro deste projeto, criamos a perspectiva de adultos que foram abusados durante a infância ou adolescência, mas que nunca tiveram coragem de falar sobre o assunto na época em que viveram”, esclarece a advogada.

“O projeto é informativo acontece em sua maioria nas redes sociais, mas também conta com a participação das pessoas. No ano passado fizemos um evento promovendo a cultura, mas esse ano está acontecendo só online”.

Na perspectiva do “Maio Laranja”, Ana Cecília está recebendo a participação do público por meio de textos escritos, anonimamente, por adultos que sofreram alguma forma de abuso, e principalmente, esses textos devem apontar medidas eficientes, atitudes que teriam feito a diferença na vida dessas pessoas. “Para que, hoje, os adultos possam estar atentos aos sinais de abusos e tenham atitudes de transmitam segurança, para que as crianças se abram em relação a este problema tão sério”, comenta.

Também, a aspirante da Polícia Militar de Imbituva, Thaísa Nabozny, deixou um alerta aos pais e mães a respeito dos sinais de abuso que os filhos podem demonstrar. “Normalmente, os abusadores são pessoas próximas da família, são os próprios familiares, vizinhos ou amigos. As crianças demonstram medo ou receio dessas pessoas, mas a vergonha pode falar mais alto e assim eles não contam o que está acontecendo”, explica a aspirante.

De acordo com a aspirante, situações de abuso causam vergonha na vítima, por isso a importância das pessoas próximas ficarem atentas e transmitirem segurança. “Milhares de crianças e adolescentes são abusadas ou já foram abusadas no Brasil, então a gente tem que combater isso, e a melhor forma é a prevenção, quando está desconfiado de alguma coisa não negue ajuda, ligue para a Polícia Militar no 190, ou no disque 100, ou 181, ou ainda vá até o Conselho Tutelar”, ressalta Thaísa.

CUIDADO

“Pais e responsáveis tenham cuidado com quem vocês deixam as crianças, quando saem para trabalhar, deixem com pessoas que realmente confiam, e mesmo assim fiquem atentos aos comportamentos”, Thaísa Nabozny.

MAIO LARANJA

A expressão "Maio Laranja" surge da flor utilizada como símbolo da campanha "Faça Bonito", a qual foi escolhida como memória dos desenhos da infância, além de remeter a fragilidade da criança, que depende de cuidados e proteção para crescer forte e saudável.


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