Azulão e o caminho para terceira divisão

Equipe acumulou tropeços nas oito partidas disputadas na segunda divisão do Paranaense
(Foto: Ewerton Toko)

A sequência de apresentações que envergonham os torcedores do Azulão não é nenhuma novidade, visto que, o processo de participação no certame deste ano, parece uma novela com enredo mexicano, que vem se arrastando desde agosto de 2018 e culminou neste esperado, porém decepcionante resultado, o decesso para terceira divisão do estadual.

Na ocasião, o então Presidente Cícero Gomes (Xirú), confirmou o retorno do empresário Sergio Malucelli, por meio da já conhecida SM Sports, com promessas de elenco, comissão técnica e retomada da casa do atleta para alojamento, inclusive com início de preparação previsto para novembro do referido ano, sob o possível comando de Play de Freitas, que era o nome mais cogitado para encabeçar este retorno.

Cícero Gomes e Sérgio Malucelli | Foto: Reprodução

 

No segundo ato, no dia 25 de outubro, em cerimonial no Park Dance, foi “lançado” o projeto “Iraty, nós construímos”, com o discurso de planejamento a longo prazo, para os próximos dez anos seguintes, o que despertou euforia nos torcedores que esperavam o retorno da equipe à elite do futebol paranaense, desde o decesso de 2012. Na oportunidade, reafirmou-se a parceria com Malucelli e ainda foi acrescentado outro grupo de investidores, a Colaço Sports.

O planejamento dizia contemplar um programa de ações de marketing para engajar a comunidade, angariar patrocínios dos comerciantes regionais e é claro, brigar por títulos em todas as competições. Entre os pontos de destaque do programa, podemos salientar a ideia nos moldes de sócio torcedor, que disponibilizaria aos adeptos, um cartão magnético, com possibilidade de compra de pacotes de jogos à descontos no comércio local e na linha de produtos oficias da marca que seria comercializada. Também, a implantação do Instituto Jorge Malucelli, que seria um catalisador de projetos sociais e formação de atletas, atuando diretamente na comunidade, visando um acréscimo social adicional, além dos benefícios esportivos.

Apresentação do projeto | Foto: Israel Macedo

 

A realidade começou a mudar em janeiro de 2019, quando a diretoria confirmou que a parceria com Malucelli e todo projeto acima citado, que ainda nem havia iniciado, terminou. O vultuoso plano ficou só no papel e nas esperanças do torcedor iludido, os investidores voltaram atrás em seus posicionamentos e informaram que não fariam mais parte do planejamento, por falta de tempo hábil para executar o plano mínimo da disputa.

A essa altura, para conseguir participar do arbitral e iniciar o processo de participação, foi efetuado pagamento de taxa, por um empresário, amigo do então técnico Play de Freitas, que tomava frente das atividades momentaneamente, inclusive nos concedeu entrevista no dia 1º de fevereiro.  A situação complicou, quando se veiculou a informação de que Play seria o provável técnico do Icasa, de Juazeiro do Norte, inclusive levando atletas da cidade que a diretoria pretendia utilizar, como Renan e Gabriel.

Faltando 45 dias para o início da competição, Vinicius Azevedo e Marco Antônio foram até Londrina, tentar uma última cartada com Malucelli, que convidou mais dois empresários para auxiliá-lo neste investimento. Porém, no dia seguinte, deram a devolutiva para diretoria, que de fato não seria possível realizar o projeto de maneira desejável, dando ainda o “conselho” de que seria melhor ficar de fora da disputa. A dica estava sendo acatada pelo Presidente Cícero Gomes (Xirú) e demais membros, mas com a insistência de algumas pessoas, Xirú, que precisava resolver assuntos pessoais e não encontrava tempo, lavou suas mãos e pediu licença por dois meses, quem assumiu interinamente foi Antonio Martins Albuquerque (Toninho), que quis encarar a situação e deu início às novas tratativas.

Toninho e Xirú | Foto: Reprodução

 

Encurtando a história, no dia 13 de fevereiro, foi apresentado o novo, velho investidor Virgílio Mendes, já que o mesmo havia auxiliado na direção em parceria com Adriano Kanaã em 2018, vista com maus olhos pelos torcedores e pelo próprio Virgílio, que disse ter “pulado do barco” por perceber condutas inadequadas na gestão do clube. O discurso era mais humilde que o anterior, de não brincar com o sentimento da população e dar condições de trabalho aos atletas e comissão técnica para encaminhar o projeto, já que o calendário estava apertadíssimo.

Outra vez, o que se viu, foi exatamente o inverso. Malmente apresentados, o técnico Wagner Oliveira e o preparador físico Cristiano Fronza iniciaram a preparação para a divisão de acesso no dia 11 de março, na ocasião apenas 10 atletas participaram do treino e os reforços foram chegando em conta gotas, não bastasse isso, por falta de dinheiro, a equipe não conseguiu inscrever os atletas para a estreia na competição, jogando de forma irregular para não aumentarem os problemas, Ainda teve que contar com ajuda do Presidente adversário para custear despesas de alimentação dos atletas.

Início da preparação | Foto: Ewerton Toko

 

Aumentando o vexame, não foi designado a documentação correta para utilização do estádio Municipal Abraham Nagib Nejm em tempo e a segunda partida que seria a estreia em casa, nem realizada foi, perdendo por WO. Não bastasse isso, ainda houve um episódio de suposto arrombamento relatado por membros da diretoria, onde sumiram contratos e documentos de atletas na sede administrativa do clube. 

Arrombamento na sede administrativa | Foto: Reprodução

 

Em meio a este turbilhão de contratempos, descartou-se relações com Virgílio Mendes e a diretoria novamente buscou apoio de comerciantes e da comunidade e foi aos poucos adicionando os atletas no BID, ainda assim, na terceira rodada, jogou com apenas nove jogadores, sendo dois deles goleiros. Finalmente, com o elenco completo e regularizado, não conseguiu encontrar um bom futebol e acumula derrotas e goleadas, sem conquistar um ponto se quer.

Até aqui é o que se apresenta para analisarmos, comentarmos e torcermos. Infelizmente a realidade cruel que temos que retratar passa longe dos anseios dos fãs e simpatizantes deste ENORME clube, que não pode, de maneira nenhuma, seguir neste caminho. Ou mobilizam-se para que esta situação mude, ou é melhor que parar por aqui.


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