Crianças paranaenses mostram que têm talento para contar histórias

Concurso literário revela escritores mirins; ação integra projeto RECONTAR, conduzido pela escritora Adélia Maria Woellner, e foi apresentada em encontro para a Academia Paranaense de Letras

Os membros da Academia Paranaense de Letras conheceram uma iniciativa que estimula a formação de novos escritores. A poeta e prosadora paranaense Adélia Maria Woellner apresentou para os integrantes da instituição o projeto RECONTAR, do qual é proponente. O projeto promoveu o Concurso Literário “Recontar a História Cria Novas Aventuras”. Sagraram-se campeãs Amanda Vitória Melo de Castro, de 10 anos, da cidade de Jaboti, com a história “A Árvore Encantada”, e Gabriele Machado da Cruz, de 8 anos, da cidade de Quitandinha, que escreveu a “Montanha dos Encantos”.  

Dirigido para crianças da rede pública de ensino, de 9 a 14 anos, de quatro cidades do Paraná - Quitandinha, Mallet, Piên e Jaboti – o certame foi viabilizado por meio de fomento da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, através do PROFICE (Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura), com o patrocínio da COPEL (Companhia Paranaense de Energia).

A criação do projeto ganhou vida a partir da ideia de Dnize Castro, que pesquisou sobre a tradição oral, e se decidiu pela palavra recontar, que caracterizar o trabalho de Adélia Maria Woellner. “O nome desse projeto tão especial veio justamente da grandeza do seu significado: recontar é ouvir uma história e repassar adiante para que ela evolua e se perpetue de geração em geração. Sendo assim, eu pensei ‘por que não levamos uma oficina para as crianças na qual Adélia comente sobre a sua nova obra, mas, principalmente, contribua para incentivá-las a criar suas próprias histórias?’ E, assim, nasceu à iniciativa”, finaliza.

Para Adélia, contar histórias e lançar novas obras sempre tem um valor importante, mas o RECONTAR carrega consigo algo bastante significativo. “Essa experiência e esse projeto foram diferentes, muito porque eu tive a chance e oportunidade de ter que me reinventar também”.  

escritora paranaense Marta Morais da Costa observa que,  no caminho entre Adélia e as crianças há certamente um professor, de cujo interesse e dedicação a recepção dos alunos depende muito. “Considero o trabalho de formação de leitores, seja pelo professor, seja pela autora, valiosíssimo. Dele permanecerá mais do que o conhecimento, permanecerá a vontade de criar, de inventar novas histórias. É preciso que os professores continuem essa caminhada de valorização da literatura. Pode ser que com esse projeto, por exemplo, alguma criança venha ser escritora no futuro ou que faça da criatividade um caminho de individualização, de identidade. A ideia do Recontar é extraordinária e emocionante. Parabenizo a todos que tiveram essa iniciativa, porque o Paraná merece”, enaltece Marta Morais da Costa.   

Oficinas          

No mês de junho, Adélia esteve presente nas quatro cidades onde ministrou 16 edições da oficina “Meu Jeito de Escrever”. A intenção foi mostrar na prática para os estudantes as técnicas utilizadas pela renomada escritora paranaense no processo de criação literária. Adélia explica que “quem conta um conto, aumenta um ponto”, como diz o ditado popular. Graças a nossa imaginação, um terreno fértil, podemos “enfeitar” com uma pitada de fantasia pequenos fragmentos do nosso cotidiano, que é rico de acontecimentos. “A realidade é uma grande professora. Até o que ocorre no caminho entre nossa casa e a escola pode virar tema para uma história”, conta Adélia.

Na oficina, a autora ensinou para os pequenos leitores que é preciso observar atentamente o que se passa a nossa volta e dar importância para os fatos ordinários do nosso cotidiano. A nossa existência é a própria matéria-prima para o desenvolvimento da escrita literária. “O tempo que passava na casa da minha avó, na minha infância durante as férias, virou tema de um dos meus livros. Foi lá que aprendi a ver se uma melancia estava madura e tudo isso foi recontado na minha história”, ensina Adélia. Ela acrescenta que até os nomes dos netos foram inspiração para batizar um personagem de um dos seus livros.

O balanço das oficinas foi positivo. O Concurso recebeu, após uma seleção prévia feita pelas quatro cidades participantes, o total de 40 histórias, que foram avaliadas por Adélia, por Etel Frota e Nílson Monteiro, que são membros da Academia Paranaense de Letras. Lilia Souza, presidente da Academia Paranaense da Poesia, também contribuiu com a seleção dos melhores textos.

Prêmio

As histórias das duas vencedoras (empatadas no primeiro lugar), Amanda Vitória Melo de Castro e Gabriele Machado da Cruz, serão publicadas em formato de encarte em conjunto com a obra “A Montanha dos Encantos”, escrita por Adélia. Serão 3.000 exemplares do livro e do encarte distribuídos gratuitamente, de forma estratégica e direcionada. No dia 14 de outubro, na Biblioteca Pública do Paraná (Rua Cândido Lopes, 133, Centro), às 15h00. Na mesma ocasião, Adélia lançará seu novo livro em Curitiba.

Para a realização do Projeto RECONTAR, a escritora Adélia Maria Woellner conta com o suporte dos seguintes profissionais: Heliana Grudzien (ilustradora), Neumar Carta Winter (revisão) e Dnize Castro (coordenação e produção).

FICHA TÉCNICA:

LIVRO: “A Montanha dos Encantos”
AUTORA: Adélia Maria Woellner
ILUSTRAÇÕES: Heliana Grudzien
REVISÃO: Neumar Carta Winter
COORDENAÇÃO, PRODUÇÃO E ELABORAÇÃO: Dnize Castro
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Jaqueline Gluck,  Giovana Chiquim e Lara Pessoa

Sobre a autora:

A poetisa e prosadora Adélia Maria Woellner é nascida em Curitiba, no Paraná. Formada em Direito pela UFPR, pertence às seguintes instituições: Academia Paranaense de Letras (Cadeira nº 15), Academia Feminina de Letras do Paraná (Cadeira nº 18), Centro de Letras do Paraná, Academia de Letras José de Alencar (Cadeira nº 8), Centro Paranaense Feminino de Cultura, Academia Paranaense da Poesia (Cadeira nº 26), Academia de Letras e Artes de Pato Branco-PR (Cadeira nº 27), União Brasileira de Trovadores – Seção de Curitiba e Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil.

Obras: Balada do Amor que se Foi, Nhanduti, Poesia Trilógica, Encontro Maior, Avesso Meu..., Poemas Soltos, Infinito em Mim (traduzido para vários idiomas), Poemas para Orar e Meditar, A Literatura e a História do Paraná, Graciette Salmon – A Ciranda da Estrela Sozinha , Sempre Poesia, CD com 52 Poemas 1999 , Poemas para Amar, Para onde vão as Andorinhas..., Férias no Sítio. Poesias, Luzes no Espelho.


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