Grupo de Teixeira Soares registra espécies de aves raras

A Equipe Sputnik já registrou 329 espécies, dentre elas o Caburé-Acanelado, ave rara. Agora, o grupo idealiza a “ciência cidadã” para transformar a mini coruja como ave símbolo no município
Caburé-acanelado, espécie de mini coruja discreta e com hábitos noturnos (Foto: Fabiano Geros)

Admirados de aves registram espécies na região Centro-Sul. Em Teixeira Soares, já foram registradas 329 espécies, algumas delas são raras, como é o caso do macuquinho-da-várzea, pica-pau-de-cara-canela e a principal delas, o caburé-acanelado, uma mini coruja, que é populosa no município. Os registros de aves começaram com Fabiano Geros, como um hobby e se estendeu por outros munícipes.  

Pioneiro no município, sempre teve interesse por aves e, após ver publicações de um amigo em uma rede social, convidou o mesmo para ir até sua propriedade ver os pássaros. Logo, foi incentivado por eles para começar a fotografar. “Eu tinha uma câmera, mas não tinha a lente, uma lente mais potente para fotografar e eles sempre me incentivando e ajudando a procurar espécies”, explica Geros.

Logo, outras pessoas se interessaram pela atividade e foi formada uma equipe, que atualmente está com seis pessoas, a Equipe Sputnik. Inicialmente, o grupo se reunia para adquirir conhecimento e ampliar a área de visitação. “Como cada um conhecia um pouco do município e das matas, a gente começou a se reunir e sair. Acampávamos com frequência para fazer fotos diurnas e noturnas das aves”, conclui Antonio Luciano de Souza.

Por necessitar de conhecimento especializado, portanto, antes da equipe ter a formação atual, duas pessoas de Irati ajudavam no apoio - Herculano Batista Neto e Osmar Slompo -. “Fazer foto de aves depende de muitas coisas, como o comportamento animal, o habitat, o comportamento de caça e alimentação, nidificação, canto, entre outros”, explica Antonio Luciano.

Além das fotografias, esses registros são catalogados em uma plataforma na internet, o “WikiAves” em que é possível postar fotos e as características das aves. Através do site, outras pessoas também foram se interessando a virem fotografar no local. Outro meio de comunicação usado pelos birdwatchers - os observadores de pássaros - são os grupos de whatsApp. “Lá a troca de informação e conhecimento é bem maior. Comecei a fazer amizade e começou de vir pessoas para fotografar aqui na cidade”, pontua Fabiano.

Antes da pandemia, turistas de Curitiba, Joinville e Campo Grande passaram por Teixeira Soares para fotografar o caburé-acanelado e outros pássaros raros. O local também já foi passagem de Francisco Hamada, que visitou Teixeira Soares para registrar a mini coruja. Hamada é o paranaense com maior número de espécies fotografadas no Brasil e catalogadas no “wiki aves”. Ele, inclusive foi o único a fotografar uma harpia (gavião-real) no Paraná.

CABURÉ-ACANELADO

Ave populosa na região, mas difícil de ser encontrada e fotografada, através dela o município está sendo conhecido no mundo de ornitólogos e pessoas de todo o território nacional vem para a cidade em busca dessas espécies raras. Com isso, estuda-se a possiblidade de transforma-la como ave símbolo do município, além de ser uma forma de turismo.

“Pensamos em propor e seguir uma ideia de uma ave que seja símbolo para o município, e uma das opções é a camburé-acanelado que tem sido encontrada com muita frequência aqui, mas isso é algo que ainda está sendo discutido”, explica Souza.

Para isso, o grupo trabalha com a ciência cidadã, que é a interação entre os cientistas profissionais e cidadãos, introduzindo o indivíduo para o aprendizado e o lazer, proporcionando engajamento entre eles através de dois fatores: método científico e novas possibilidades educacionais para a sociedade.

Apesar de dois biólogos já terem ajudado, um de Curitiba e outro de Joinville, no momento nenhum membro dos ornitófilo é biólogo, então no momento estão levantando dados sobre as aves, como pontos de ocorrência, horário que ela vocaliza e quando foram vistos. Com isso, Fabiano Geros explique que o intuito é “fazer um banco de dados para incentivar algum biólogo a fazer um estudo, um artigo, publicar uma tese ou algo assim, isso ajudaria muito para transformar em ave símbolo”.


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