O Plano de Macrodrenagem de Irati

Entender corretamente a cidade e as causas de seus problemas é uma condição prévia indispensável à tarefa de se delinearem estratégias e instrumentos adequados para a superação desses problemas.

No ano de 2015, na Câmara Municipal de Irati, participamos como palestrante de uma audiência pública onde o tema era as enchentes em Irati. Ali mostramos medidas que deveriam ser feitas a curto, médio e longo prazo. Na época pouco ou nada fora feito.

Em 2017 e 2018 fora feita uma grande dragagem no Rio das Antas, o canal hídrico no centro da cidade, obras de galerias e limpezas de arroios. Além de um cuidado maior na aprovação de loteamentos. Tudo isso buscando minimizar os problemas do flagelo das inundações.

Em 2018, através de uma emenda parlamentar da Deputada Leandre, fora contratado um plano de macrodrenagem. Devido aos trâmites legais e burocráticos o plano está por encerrar somente nesse ano.

O objetivo desse plano é criar mecanismos de gestão para a bacia hidrográfica, o zoneamento urbano e as estruturas de macro e micro drenagem.

É baseado num planejamento prévio, que visa evitar perdas econômicas, desenvolver as condições de saneamento e melhorar a qualidade do meio ambiente da cidade.

Assim, esse plano vem estabelecer diretrizes que orientem a ação do Poder Público e da iniciativa privada na elaboração de projetos e na execução de obras de drenagem. Bem como, na promoção de ações preventivas e corretivas sobre as causas e os efeitos dos processos de inundações, visando proteger a população e as atividades econômicas da cidade.

O plano aponta cenário de medidas não estruturais, que são regulamentos para o uso do solo, como medidas estruturais, que são obras necessárias para diminuir os possíveis problemas de inundações.

As medidas não estruturais apontadas pelo Plano, mais próximas da realidade do município, são: a regulamentação especifica para drenagem; a vazão de pré-dimensionamento adotada para os loteamentos novos e existentes; a retirada de moradores apenas das áreas de risco; a revisão do zoneamento compatibilizado como Plano; a fiscalização e alerta em áreas de risco e a manutenção preventiva e periódica.

As medidas estruturais apontadas pelo plano são: o alargamento de parte do canal do Arroio dos Pereiras; a canalização em locais extremamente necessários; as bacias de detenção implantadas, ao longo do Rio das Antas, em áreas livres no município; a limpeza e o desassoreamento apenas quando for preciso; e a dragagem em casos necessários.

Contudo, um dos problemas fundamentais, se bem que não o único, é o da escassez de recursos para investimentos o que exige que se levem em conta questões que transcendem ao tema do planejamento em escala local, tanto tematicamente, quanto tecnicamente.

Enfim, o Plano de Macrodrenagem é um grande legado deixado pela atual administração à população. Porém, necessariamente, deve ser transformado em lei e cumprida pelas gestões seguintes, sob risco da cidade sempre padecer com flagelos das inundações.

Dagoberto Waydzik (Engenheiro Civil)