Pandemia deixa materiais de construção mais caros e escassos

Pedidos atrasam e não há estabilidade no mercado
Construtoras estão tendo dificuldade em relação ao preço e a falta dos materiais de construção (Foto: Jaqueline Lopes )

Depois de o arroz apresentar alta no preço, os materiais de construção tiveram aumentos significativos nos últimos meses, a falta de produtos também foi sentida pelo consumidor, e muitas obras na região foram afetadas, tanto públicas como privadas.

Insumos básicos para a construção como aço, ferro, cimento, forro PVC, condutor elétrico, telha, tijolo, entre outros, foram os produtos com maior aumento de preço. Este cenário é visto em todos os estados do Brasil, causado pela pandemia do novo coronavírus.

De acordo com dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) aumentou em 1,16% em setembro em relação ao mês anterior, e acumulou alta de 4,8% nos primeiros nove meses deste ano e 5,32% em 12 meses. Já o custo dos materiais e equipamentos, apresentou elevação de 3,08%. Este foi o maior aumento nos últimos 18 anos.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) informa que os últimos quatro meses a construção tem sofrido com altas elevadas nos insumos, com os dados citados é possível confirmar este aumento. E já é notável na região.

O engenheiro Leandro Schanoski, da GOP Engenharia, comenta que a empresa está com problemas em relação aos custos, e que as obras não foram paralisadas, mas teve que mudar algumas coisas para se adequar. “Nós tivemos que, às vezes, inverter serviços, mudar ordem, mas paralisar não tivemos necessidade. Para não parar, a empresa está assumindo mais custos do que estava previsto, acaba saindo mais caro uma equipe de mão de obra parada do que, às vezes, absorver um custo maior”.

Ele explica que teve aumento no mínimo de 50% em todos os materiais básicos da construção, além da falta de produtos no mercado. A empresa fez um comparativo de preços em relação ao ano passado praticados em Irati e região. Por exemplo, o aço 10, que é um produto que aumentou o preço e está em falta, em agosto de 2019 custava R$ 27,09, neste mês de outubro o valor está em R$ 50, uma diferença de 86,67%. Já o cabo em PVC 2,5 mm, em outubro de 2019 custava R$ 73,90, e hoje está em R$ 169,60, com um aumento de 129,50%. A diferença é visível nos preços. A empresa fez a comparação com as notas fiscais que possui e com os preços aplicados no mercado até esta semana.

Valdemir Dal Santo, o Fofo, da Fofo e Construtora e Incorporadora, diz que o mercado estava em crescente, e o material em valor estabilizado, porém, com a paralisação por causa da pandemia da Covid-19, começou a complicar a situação. “Cerca de 90 a 95% dos materiais utilizados na construção civil subiram o valor. O que a gente está se batendo, sofrendo é com o tijolo, o ferro, o PVC que subiu bastante”, disse. Fofo ainda completa que não paralisou nenhuma obra, mas que ficou uma ou duas semanas inventando coisas para a equipe, pois, os pedidos feitos demoram a chegar.

Os dois empresários dizem que as empresas em que compram os materiais informaram que tiveram que parar no início do ano por causa da pandemia, e o estoque foi esgotando. Como a demanda aumentou, os pedidos estão atrasando e faltam alguns produtos. Também, muitas pessoas fizeram pequenas reformas em casa neste período.

INCERTEZAS

A grande preocupação dos empresários é em relação ao preço, pois, a cada dia um novo valor surge, e não é possível fazer um orçamento ou iniciar obras. “Da maneira que está o mercado de insumos, nós procuramos não fazer orçamentos de obras ou fornecimento de mão de obra e material. Hoje, a gente não consegue prever o valor até a próxima semana. As fábricas e fornecedores não estão aceitando pedidos por não saber que preços vão praticar no dia da entrega. O início de obra está muito receoso”, afirma Schanoski.

A Fofo Construtora e Incorporadora também tem a mesma dificuldade, e apesar de aparecer novas obras, não é possível contratar, pois, sem saber o que vai acontecer no mercado, se os preços estarão estáveis para finalizar o pedido, a empresa não pretende iniciar construções. “A gente não consegue comprar um material. Hoje é um preço, amanhã é outro, não tem estabilidade. Tenho obras para fazer orçamentos, já avisei que terei que aguardar um pouco, porque a gente não sabe o que vai acontecer no mercado”.

PRÓXIMOS MESES

Os empresários de Irati acreditam que os valores não irão voltar ao que eram no início do ano, mas que é necessário estabilizar. “A gente procura pensar e acreditar que até o fim do ano o preço vai se estabilizar, assim, já conseguimos pensar em uma maneira de atuar. Hoje, o principal problema é essa flutuação, não conseguimos prever o custo para o fim deste mês”, comenta Leandro.

A CBIC entregou à Secretaria de Advocacia da Concorrência e Competitividade do Ministério da Economia um documento com evidências sobre abusos no aumento do preço de materiais de construção durante a pandemia, em que mostra as causas e consequências para os aumentos e para o desabastecimento de materiais de construção, e apresenta propostas para reduzir os efeitos na economia nacional.

OBRAS PÚBLICAS

As obras públicas também foram afetadas com o preço alto dos produtos e pela falta. Irati e Guamiranga são exemplos disso. Em Irati, 28 obras estão em execução de pequeno e grande porte, como o Centro de Eventos no CT Willy Laars, e estão tendo reflexo do mercado da construção civil, é o que explica o secretário de Arquitetura, Engenharia e Urbanismo, Adriano Batista. “Têm bastante pessoas que estão querendo fazer construção, empreiteiras que estão conduzindo construções, seja para órgãos públicos ou privados, e esta alta demanda gerou um sobrepreço de material, as empresas que fabricam materiais estão tendo alguns custos relativos, que estão sendo repassados ao cliente e está tendo falta”. Já em Guamiranga, as obras estão tendo problemas com falta dos materiais, principalmente, cimento, o que gera preocupação, mas que é reflexo do mercado.

O secretário ainda explica que as obras são feitas por licitação e têm um valor inicial, muitas que começaram em meses antes da pandemia estão tendo problemas agora, mas a Prefeitura recebe a demanda dos empreiteiros e vai tratar judicialmente, que é por lei, para saber o que pode ser feito, e tomar uma decisão jurídica para a condução da obra.

A GOP Engenharia, que trabalha com obras públicas, diz que não participará de novas licitações, pois, com as referências de planilhas dos órgãos estaduais e federais não estão adequadas ao preço de insumo atual. “Hoje, está se contratando obras com preços inexequível em função desta alta, a empresa não está participando de nenhuma licitação, enquanto não definir a maneira que isso vai ser adequado”, conclui.


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