Paraná tem pré-candidato a prefeito tetraplégico

Político deve disputar a prefeitura de Rebouças neste ano
Fabio Seidel dos Santos é o pré-candidato a prefeito tetraplégico (Foto: Patricia de Paula )

Fabio Seidel dos Santos, de 39 anos, provou que não há limitações quando deseja realizar um sonho e lutar por um país melhor. Devido a um acidente que sofreu quando tinha 17 anos, ficou tetraplégico- paralisia ou perda total dos movimentos dos quatro membros. Agora, 22 anos depois, é pré-candidato a prefeito de Rebouças, fato que, segundo pesquisa, ocorre pela primeira vez no Paraná.

Filho de Benedito Vicente dos Santos e Roseli Aparecida dos Santos, moradores de Rebouças, já superou muitos obstáculos desde o acidente. É professor, formado em psicologia pela universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), e tem especialização em neuropsicológia. Também, possui graduação em Ciências Biológicas, em que é mestre e doutor. Atualmente, cursa o pós- doutorado na área e já trabalhou na Apae do município. E percebe-se nela a fissura por inovações tecnológicas.

Ele começou a se interessar pela política quando ingressou na faculdade em conversas descontraídas com os amigos. Mas foi apenas neste ano de 2020 que surgiu o convite para disputar uma eleição. “Ainda está em análise o partido. Estou 99% inclinado a umasigla, mas a minha candidatura se efetivará no partido de oposição ao atual prefeito. Nunca fui filiado. É a primeira vez que me candidato”, disse Santos.

O pré-candidato, que é natural de Irati, mas sempre viveu em Rebouças, acompanha o cenário político que o município vive. Ele explica que a rivalidade entre os partidos é algo que quer tentar diminuir. “Acho que essa briga política impediu que a cidade prosperasse, porque sempre existiu essa rivalidade”. Fabio comenta de uma situação que vivenciou em 2004, quando o ex-prefeito Bepe Massuqueto, ganhou a eleição, e na comemoração um político disse: “nós não vamos deixar fazer nada”.

A partir disso, Fabio diz entender que a briga é entre os políticos e isso prejudica o povo. “Eu quero tentar diminuir esse confronto patológico, digamos assim, entre esquerda e direita, porque isso não vai levar a uma evolução. Vemos que interessa apenas o lado político, e isso é uma expressão da polaridade que eu ressaltei. Como se trata de uma pré-candidatura, isso precisa ser polarizado, precisa ter uma posição diferente que leve em conta o interesse da coletividade”, observa.

"É momento de emprestar as minhas superações para a população. Todo mundo tem algo para superar. Agora, quero compartilhar da minha historia, do que aprendi, com a população".                  Fabio Seidel dos Santos

Mesmo com as limitações, o pré-candidato acredita que há mais pontos positivos se ocorrer uma possível candidatura, pois a sua paralisia pode ser adaptada através de rampa no prédio da Prefeitura, ou um elevador, adaptar os locais. Mas isso não é empecilho. E mostra como pode ser uma inspiração para outras pessoas com deficiência. “É servir como exemplo de luta, que mesmo que tenha uma derrota, mostro que a gente pode ser pré-candidato, brigar por uma vaga, por um ideal. Acredito que a maior parte são benefícios”. Fabio ainda ressalta que o que aprendeu precisa ser colocado em prática, e suas limitações motoras não prejudicam o seu desenvolvimento psicológico.

Quando o assunto é a eleição 2020, em que pode enfrentar o atual prefeito Zak, Fabio comenta que suas limitações não irão impedir. “Eu tenho características, tenho a minha formação, mas, especialmente, durante a minha experiência de vida enquanto cadeirante que me torna capaz de enfrentar problemas, buscar soluções, dos mais variados que possam existir. Então essas características e a questão da afetividade pelo município e pelas pessoas que aqui vivem”, destaca. “É momento de emprestar as minhas superações para a população. Todo mundo tem algo para superar. Agora, quero compartilhar da minha historia, do que aprendi, com a população”, conclui Fabio.

ACIDENTE

Em 1997, Fabio estava com amigos próximo ao Rio Potinga e sofreu um acidente de mergulho, em que foi para um local de baixa profundidade, que ocasionou na paralisia dos membros. “Fiquei hospitalizado por dois ou três meses em uma UTI, passei por um longo processo de recuperação cerca de três a quatro anos, até ter uma recuperação digamos satisfatória para poder “voltar”a uma vida longe do hospital”, conta.

O pré-candidato comenta como conseguiu superar os desafios após o acidente para poder continuar a vida. “Eu tive fases, quando você sofre um trauma, no início você está em choque, não acredita que vai ficar em uma cadeira de rodas e quando você se dá conta você entra em estado depressivo, em uma revolta. Tive muito apoio dos meus amigos e familiares, após um tempo tive uma evolução muito boa no meu tratamento que me permitiu voltar a estudar a ter uma autonomia, uma maior independência”, conclui.


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