Produção de morango se destaca na Região Metropolitana de Curitiba e cresce em todo o Paraná

A expectativa é aumentar a renda e ofertar empregos no local

Quando Rosana Aparecida Gabardo Pallu ainda trabalhava como confeiteira, o morango era um de seus ingredientes prediletos. A escolha de plantar a fruta quando decidiu mudar de carreira pareceu bastante natural. Hoje, ela, a irmã e o marido cuidam de uma pequena propriedade em Mandirituba, na Região metropolitana de Curitiba, que produz cerca de mil quilos de morango por mês.

Desde 2019 eles se dedicam à produção de morangos. Com a pandemia, Rosana conta que o consumo do produto cresceu e eles decidiram ampliar a produção. Construíram duas novas estufas na propriedade de três alqueires, que vão se somar a outras duas já ativadas. A expectativa é aumentar a renda e ofertar empregos no local. Os morangos semi-hidropônicos já ganharam fama na região e muita gente busca direto a propriedade para comprar a fruta. A maior parte da produção atende mercados de Curitiba, mas Rosana também vende a fruta para quem vai até lá.

Ela conta com satisfação sobre o rumo que sua vida tomou. O técnico agrícola Joel Sebastião da Cruz, do IDR-Paraná, explicou que o morango começou a ganhar força na cidade há mais ou menos oito anos, devido à falência de uma empresa avícola instalada no município. Os técnicos trabalharam então na transformação dos aviários em estufas. Assim, foi possível aproveitar boa parte da estrutura para gerar renda. O cultivo, segundo o técnico, acontece principalmente em bancadas de substrato, e não solo, em um sistema conhecido como semi-hidropônico. A propriedade mantida por Rosana exemplifica bem o perfil do produtor de morangos no estado e no país. No Brasil, cerca de 25 mil famílias plantam morango em áreas menores que meio hectare. Como trata-se de fruta elitizada e que tem a procura maior que oferta, mesmo com áreas de plantação pequena é possível sustentar a família.

Dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento apontam que o morango é a terceira fruta em movimentação de capital na fruticultura do estado, com participação de 12,5% no total do Valor Bruto da Produção do setor. Segundo o Censo Agropecuário do IBGE de 2017, o Paraná conta com 1469 produtores de morango, que trabalham em uma área de aproximadamente 905 hectares. A produção é de cerca de 33 mil toneladas, sendo que a Região Metropolitana de Curitiba é a principal produtora de morango do estado, com aproximadamente 880 produtores. De acordo com a secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Mandirituba, Alessandra Clemente, o município tem percebido cada vez mais o crescimento do plantio do morango na região. Para incentivar os produtores, a prefeitura faz a terraplanagem para quem quiser plantar a fruta, sem nenhum custo. Para tentar promover a industrialização do morango produzido no município, trazendo maior valor agregado ao produto, a prefeitura está incentivando a formação de uma cooperativa local que, segundo a secretária municipal de agricultura, está praticamente formada. 

Kátia Estela Tsuneta Matsui se dedica ao cultivo de morangos há 25 anos no município. Na propriedade da família são colhidas cerca de 20 toneladas da fruta por ano, distribuídas diretamente para mercearias, quitandas e pequenos mercados. Com a criação da cooperativa municipal, Kátia espera conseguir reunir um grupo de produtores para ter mais volume e conseguir atender grandes redes de supermercados. O extensionista do IDR-Paraná Luiz Gustavo Lorga, que atende os municípios de Mandirituba e Fazenda Rio Grande, explicou que o apoio à produção de morango envolve desde a implantação do sistema até o pós-colheita. Os produtores também recebem capacitação, em parceria com prefeituras, Senar, Sebrae e Universidade Federal do Paraná. E os benefícios são inúmeros. Lorga contou que a fruta representa fonte de renda, possibilidade de fixação da família na propriedade rural e de utilização de pequenas áreas com alto valor bruto de produção. No Paraná, esse cultivo cresce ano após ano. No comparativo de 2010 com 2019, quando foi feito o último levantamento da fruticultura no estado, houve um aumento de 69% na área plantada e acréscimo de 128% nas colheitas e 238% no VBP nominal. Atualmente, o Brasil é dependente das cultivares estrangeiras do morango, e precisa pagar royalties por isso.

Para resolver essa questão, uma pesquisa envolvendo universidades de cinco estados, e liderada pela Universidade Estadual de Londrina, está desenvolvendo cultivares de morango genuinamente brasileiras. Além de reduzir o custo da produção, que é atrelado a moedas estrangeiras, essa iniciativa ajuda a aumentar a produtividade e qualidade da produção, uma vez que essas cultivares são mais adaptadas ao clima local. A iniciativa possui investimento anual de 600 mil reais, realizado pela Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

A produção paranaense de morangos faz parte da série de reportagens “Paraná que alimenta o mundo”, desenvolvida pela Agência Estadual de Notícias. Outras reportagens podem ser conferidas no site www.aen.pr.gov.br