Servidores da Sanepar e empresários são alvo de operação que investiga fraudes em licitações

16 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão são cumpridos em cinco cidades do estado. MP-PR diz que servidores da companhia recebiam propina para beneficiar empresas contratadas.

Gaeco cumpre mandado na sede da Sanepar em Ponta Grossa — Foto: André Salamucha/RPC Ponta Grossa

Servidores da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e empresários são alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) que investiga fraudes em licitações e pagamentos por serviços que não foram prestados.

A operação, batizada de "Ductos", tem 16 mandados de prisão temporária e 50 ordens de busca e apreensão emitidas pela 1ª Vara Criminal de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), foram cumpridos mandados em Ponta Grossa, Telêmaco Borba, Cornélio Procópio, Santo Antônio da Platina e Curitiba.

As buscas acontecem em 37 casas de investigados e 13 empresas. Segundo o Gaeco, há mandados de busca em sedes da Sanepar.

Ao todo, segundo o MP-PR, a operação também inclui o bloqueio de bens de 22 pessoas e empresas.

Até as 12h, o Gaeco não tinha informado quantos mandados haviam sido cumpridos. O MP-PR não informou quantos dos alvos são funcionários da companhia e quantos são empresários.

Investigações

Segundo o Ministério Público, as investigações começaram em 2018 e apontam que houve benefício ilegal a empresas, mediante o pagamento de propina a servidores da Sanepar.

Uma das empresas investigadas é apontada pelo MP como a principal beneficiada pelo esquema. Segundo o Ministério Público, esta empresa organizava o pagamento de propinas aos servidores.

"Esses pagamentos aconteciam de várias formas. Havia o pagamento de festas a estes servidores, eles também recebiam uma espécie de vale de uma das empresas", afirmou a promotora do MP-PR, Fernanda Basso Silvério.

As investigações apontam que servidores faziam medições falsas e não fiscalizavam o cumprimento de contratos de empresas contratadas pela companhia.

Os promotores suspeitam que empresas organizavam entre si o resultado de processos licitatórios, a partir do acesso a informações internas da Sanepar.

"As empresas combinavam o valor a ser oferecido e a empresa escolhida apresentava uma proposta com valor cerca de 2% mais baixo, para vencer a licitação", afirmou a promotora do MP-PR, Fernanda Basso Silvério.

Também há indícios de que os empresários envolvidos criaram empresas apenas para viabilizar o pagamento das propinas.

Os crimes investigados são fraude a licitação, peculato, lavagem de dinheiro e corrupção por meio de organização ou associação criminosa, além de falsidade documental.

O que diz a Sanepar

A Sanepar informou que está disponibilizando todas as informações e franqueando o acesso a todas as unidades, documentos e equipamentos ao Gaeco.

A companhia informou que aguarda o resultado das investigações para proceder também as medidas administrativas cabíveis.

Segundo a Sanepar, os funcionários envolvidos na operação foram afastados e, internamente, a empresa tomará providências para apurar os fatos e possíveis condutas de empregados e fornecedores.

A diretoria da empresa afirmou que está comprometida com medidas de probidade e reitera apoio irrestrito à investigação e se coloca como parte interessada.