Amcespar recebe reunião da APA

Municípios têm somado forças para garantir vocação técnica e socioambiental da Área de Proteção Ambiental

Na quinta-feira (30), às 9h, se reuniram os Conselheiros e Conselheiras da Área de Preservação Ambiental da Serra da Esperança (APA), na sede da Amcespar em Irati. Os prefeitos, Junior Benato de Inácio Martins e presidente da entidade, e Jorge Derbli Prefeito de Irati e vice-presidente, acolheram os presentes e representantes das 21 entidades que fazem parte da APA, envolvendo os municípios da Amcespar e Amsulpar.

O técnico do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Juarez Baskoski, conduziu a reunião agradecendo a acolhida e recepção das lideranças da Amcespar.  O presidente apresentou as pautas durante o dia e as discussões pertinentes. Foi apresentado o resultado das ações de busca do fim do palco de crimes e o do balcão de negócios escusos entre os acampados e posseiros com suporte técnico do Incra, IAP e APA Serra da Esperança.

Diversos estudos destas áreas que hoje ocorrem esses conflitos, foram executados e publicados sobre a importância do local e seu entorno. Ali, abriga as cabeceiras dos mananciais de abastecimento de água do município de Guarapuava, além de outros tributários de boa parte das águas do Rio Jordão, Iguaçu e do Ivaí. As terras encontram-se acima dos mil metros de altitude, acima da escarpa da Serra da Esperança, integrando essa área e seu entorno os 210 mil hectares protegidos pela legislação ambiental-Lei 9.905 de 1992, que criou a APA Serra da Esperança.

Nesta área protegida encontram-se parte nos municípios de Inácio Martins, Guarapuava, Prudentópolis, Irati, Rio Azul, Mallet (Amcespar) e Cruz Machado, União da Vitória, Paulo Frontin e Paula Freitas (Amsulpar).  O Sistema de Unidades de Conservação (Sisnuce), o plano de manejo da APA, a lei com conceito, mundialmente difundido, que é a conservação com uso, com gente, conservação combinada com atividade sócio econômica racional.

A partir deste enfoque, a Procuradoria da Fazenda propunha, desde aquela época, a criação de Assentamento de Reforma Agrária e ou reservas legais ou mesmo Parque restrito. E já se vão 15 anos e a burocracia estatal não fez nem uma coisa e nem outra. 

A inação dos órgãos públicos responsáveis, durante este tempo todo, vem patrocinando toda sorte de crimes contra o meio ambiente, contra a vida humana. Aconteceram, pelo menos, quatro mortes já sabidas neste conflito, com infiltração de bandidos matadores entre os posseiros, queima de barracos, ameaças constantes, forja de escrituras em mancomunação com cartórios de Guarapuava, Inácio Martins, Pinhão e Guamiranga.

E com base nestes documentos falsos, forjados, obtenção de recíprocos e contraditórios mandados de reintegração de posse entre os próprios grileiros, com força policial promovendo sucessivos despejos de famílias, grilagem oficial das terras, compra e venda de supostas escrituras, pilhagem das madeiras, um verdadeiro balcão de negócios escusos se estabeleceu em cima de terras cujas matrículas iniciais têm forte indícios de serem falsas, de terem sido forjadas, sendo, portanto, terras ainda com natureza jurídica de devolutas, podendo e devendo as autoridades competentes darem a melhor destinação possível às mesmas, respeitando a sua vocação técnica e sócio ambiental.

Hoje, restam nestas áreas de conflitos, cerca de 70 famílias que continuam lutando e resistindo no sonho de ter seu pedaço de terra para morar, produzir e tirar o seu sustento. É uma luta diária contra ‘empresas laranja’ que escondem nomes de políticos e empresários gananciosos e inescrupulosos, e agentes públicos, que se valem do seu poderio econômico, do controle e influência que têm sobre agentes públicos de dentro dos órgãos do Estado com manobras cartoriais legalistas.

Oxalá agora com iniciativas junto ao Conselho da APA e os órgãos competentes acionados, as coisas prossigam diferente e o espírito público, a Justiça social as possibilidades e os rigores da Lei sejam aplicados com sinceridade. E unidos por uma causa só, proteger a vida e nossas reservas de florestas, estão os Conselheiros (as) da APA, o IAP, Força Verde, CMDR e município de Guarapuava, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Unicentro, que desenvolvem estudos e projetos na área ao longo de 20 anos, interessa ao Gestor da bacia hidrográfica do Jordão, por conta das nascentes do manancial de abastecimento de água a toda população de Guarapuava e região.

Em resumo, interessa a todos os municípios que fazem parte da APA, e ao nosso estado do Paraná. Destacamos a iniciativa e união desses Conselheiros e Conselheiras, valorosos Guardiões da Serra da Esperança. São muitas pessoas comprometidas com as causas sociais, ambientais e humanitárias. Unidos, já deram suas contribuições para trazer esta luta até aqui e, com certeza, outros nomes somarão na resolução urgente, definitiva e exemplar desta história até aqui bastante triste e sofrida, tornando-se digna de esperança.