“Um olhar além que transforma vidas!”
As leis descobertas por Bert Hellinger

Que Leis são essas descobertas por Bert Hellinger?

As Leis naturais do amor que atuam nos relacionamentos humanos. Bert Hellinger cita três ordens do amor. Vou descrevê-las de uma forma bem simples e possível de usar no dia-a-dia, na sua família e no seu trabalho, na sua própria vida.

1 - Pertencimento

2 - Ordem

3 - Equilíbrio

Essas ordens ou “Leis” atuam realmente em nossas vidas, assim como as leis da natureza. As “Leis” do amor atuam sobre os relacionamentos de qualquer ordem. Por exemplo: na família, na empresa, na escola; enfim, em qualquer grupo de pessoas, pois onde há um grupo de pessoas, há um sistema, isto é, pessoas interligadas entre si.

 

1. Pertencimento

 

O Pertencimento é gerado somente pelo vínculo.

Um vínculo pode ser criado por laços de sangue ou por laços de destino. Dentro do primeiro caso estão nossos pais, filhos, irmãos, meio irmãos, irmãos de nossos pais, meio irmãos de nossos pais, avós, bisavós etc.

No segundo caso, temos os nossos parceiros atuais e anteriores, não importa o motivo pelo qual o relacionamento tenha terminado. Também pessoas que somam algo ao nosso sistema, por exemplo, alguém que doa uma herança e com isso facilita muito a vida da minha família, então essa pessoa pertence ao meu sistema. Isso quer dizer que ela precisa de um lugar de amor e respeito dentro da minha família.

Vamos esclarecer com um exemplo.

Chegou para um atendimento uma senhora com um menino de uns cinco anos. Ela se apresentou como a avó do menino e passou a relatar uma série de queixas e sintomas da criança. Enquanto eu a entrevistava, o menino fazia suas traquinagens, mexeu em tudo o que estava ao seu alcance, enfim, apresentava um comportamento inquieto e de difícil controle e eu disse para a avó:

“Este menino dá muito trabalho, não é senhora? Ao que ela respondeu: “Se dá! Ele é muito inquieto. ” Seu comportamento ultrapassava aquilo que se pode esperar da atividade normal de uma criança comum. Havia algo diferente com ele. Poderia ser um comportamento repetitivo inconsciente por causa de uma exclusão no grupo familiar, ou seja, o comportamento do menino poderia estar ligado ao de uma pessoa de sua família excluída. Perguntei a avó pela mãe e pelo pai da criança. A avó respondeu: “ A mãe é minha filha e o pai, graças a Deus o menino não conhece! ” Ficou claro que o menino estava representando o pai excluído. Perguntei porque ela dizia isso do pai. A avó respondeu: “Ele engravidou minha filha, e usa drogas. Ele não presta para nada! ” Olhei para o menino e vi o seu amor, sua ligação com o seu pai. Alertei a avó de que seu neto poderá se comportar de forma mais difícil ainda. Eu quero dizer que a violação de uma lei natural dos relacionamentos familiares, no caso do pai de seu neto, está excluído da família e por isso ele não tem escolha senão repetir o comportamento difícil do pai. A avó responde: “Mas como? Porque? Ele nem conhece o pai! Como poderá repetir o comportamento dele? ” E eu respondo: Por causa do amor profundo que liga os membros de uma família. “Ora, isso não pode ser! ” Como pode amar alguém que não se conhece?

Pedi permissão à avó e então chamei o menino e propus uma “brincadeira”. Ele topou. Eu disse a ele que ele deveria olhar nos olhos da vovó e repetir uma frase que eu lhe ia sugerir, mas somente se essa frase estivesse de acordo com o que o seu coraçãozinho sentisse. Reforcei que ele deveria sentir no seu coraçãozinho se deveria ou não repetir a frase. Posicionei-o diante da avó e a olhou fixamente nos olhos, centrado e focado. Sugeri então a seguinte frase: “Querida vovó, me olhe com carinho se eu tenho um grande lugar no meu coraçãozinho para o meu papai. Ele me faz muita falta! ” O menino repetiu a frase de forma pausada e calma, muito centrado e emocionado. Fez isso olhando para a avó diretamente e uma lágrima rolou face abaixo. O menino ficou quieto, a avó também. Ela estava surpresa e tocada. “Vou levar meu neto para conhecer o pai. Os professores da escola relataram mais tarde que o menino está mais calmo, brinca com os demais e obedece a cuidadora. Essa mudança foi decorrência da inclusão do pai na vida do menino.

 

2. Ordem

 

A Ordem é estabelecida pela hierarquia. Descrevemos essa lei da seguinte forma: “Quem chegou primeiro no sistema familiar, na empresa... tem prioridade. E nada que venha depois deste, altera a ordem. As pessoas confundem com a ordem hierárquica, onde se pressupõe obediência cega às ordens superiores. Não é o caso aqui. Essa ordem pressupõe precedência e respeito. Exemplo: Se uma pessoa de idade, sem muita consciência e controle sobre si, faz as necessidades na roupa, é dependente de um cuidador, independente de como ela age, ela tem prioridade, respeito e reverência. Desobedecer com o sentimento de que se vai fazer “melhor” do que aqueles que vieram antes, tem um efeito. Desobedecer com postura de fazer algo “diferente”, e não melhor, só diferente, a serviço daquilo que segue adiante e de maneira mais leve, tem outro efeito. Exemplo: A Empresa foi idealizada pelo avô, que mais tarde passou para o filho, este deu continuidade e passou para o neto. Este neto mais bem preparado tecnologicamente quer fazer tudo diferente sem reconhecer os precedentes, tem um efeito que pode levar à falência da empresa por não ter reconhecido e respeitado e internamente ou verbalmente ter pedido para fazer “diferente” e não “melhor”. Os efeitos dessa ordem se mostram tanto pelas observações dos mesmos quando ela é mantida, quanto pelos efeitos quando for rompida.

Quando a ordem é preservada, os posteriores não se metem nos assuntos, sentimentos, culpas, feitos e faltas dos anteriores. Respeitam o que foi feito, exatamente como foi, sem recriminações e sem a pretensão de que, diante das mesmas condições, teriam feito melhor que seus antepassados. São gratos ao simples fato de que, seja como for eles estão colhendo os frutos das ações daqueles, pelo simples fato de estarem vivos e desse modo, se sentem livres para moverem-se em novas direções sem a pretensão de fazer melhor ou corrigir o passado.

Quando há ruptura da ordem, os posteriores se sentem compelidos a atuar como se fossem “melhores” e “mais espertos”, “mais preparados”. Fazem isso geralmente com amor na esperança de que poderiam ajudar corrigir assim o passado de infortúnios, culpa, dores, desvantagens, etc. e corrigir assim o passado. Há uma esperança, um desejo, nem sempre clara e declarada, de resolver algo por outro alguém. Por exemplo, melhorar a relação de casal dos pais, diminuir a tristeza da mãe que perdeu um filho, diminuir a culpa de um tio que matou alguém acidentalmente no trânsito ou mesmo na guerra, etc. O descendente puxa sobre si uma tarefa para a qual não tem autoridade, capacidade ou possibilidade de solução. Com isso, estão dadas as condições para o fracasso de sua tarefa heroica. O resultado de tal tentativa é o fracasso e/ou doença, que geralmente se caracteriza por esgotamento dos recursos físicos e emocionais para continuar atuando contra a ordem.

Hellinger viu que aqueles que estão abaixo na ordem hierárquica, por exemplo, os filhos, não devem se meter nos assuntos dos pais, no relacionamento de casal. Alguns filhos prometem a si mesmos que quando tiverem seu próprio relacionamento não vão agir daquela forma, vão fazer muito melhor! Porém, mal sabem que irão repetir o mesmo. Através dessa repetição estão dizendo internamente aos pais: “Querido papai, querida mamãe, estão vendo? Eu também! ” Expressam dessa forma um amor profundo pelos pais, uma lealdade incondicional, passando pela mesma situação que eles. Ao repetir a mesma situação, essa consciência chega à conclusão de que precisam reconhecer essa ordem essencial e regressar em seu coração até os pais e dizer: eu quis fazer melhor, mas não estou dando conta. Eu sinto muito! O que vocês fazem como casal não é da minha conta! Que vocês tenham se encontrado para mim foi uma benção, pois assim ganhei minha vida! ” Dessa forma essa ordem é reestabelecida e todos ficam livres.

A ordem de chegada

Se tento ser mãe ou pai dos meus pais por melhor que seja minha intenção, me julgo melhor que eles para decidir e assim os desrespeito. Se quero ser irmã mais velha quando sou a caçula, ignoro a ordem de chegada e todos os irmãos sentem desconforto. Só podemos ser livres se estivermos no nosso lugar de direito. Isso é humildade, respeito e sabedoria.

 

3. Equilíbrio

 

O Equilíbrio é estabelecido pelo dar e receber.

O que implica tomar os pais?

Aceitar os que nos deram sem exigir nada mais;

Amá-los sem querer mudá-los;

Compreender que fizeram o melhor que sabiam fazer;

Amá-los como os grandes.... Os perfeitos;

Respeitar a maneira como vivem a sua vida.

Quando alguém me presenteia, por muito belo que seja, eu sinto uma profunda necessidade de compensar o presente. Me sinto inquieto até que também eu o tenha recompensado. E quando eu retribuo me sinto livre. Esta necessidade de compensação é a base de toda relação.

Ter dívidas é uma forma de pagar um dano, de equilibrar uma culpa não assumida. Pode ser nossa ou, mais frequentemente, pertencer a um ancestral com quem temos uma fidelidade ou um emaranhado.

Quem dá demais ameaça a relação. Não devo dar mais do que o outro me pode devolver. Há um limite ao que se dá e o que se pede ao outro.

O que dá demais está numa postura de poder, forçando o outro. Se dou demais atuo como uma mãe.

A Necessidade do equilíbrio é facilmente percebida nas relações. Se recebo algo de alguém, sinto pressionada a dar algo em troca. Vale ressaltar que essa lei atua somente entre iguais, ou seja, onde não há hierarquia, como relação de casal, entre amigos, etc.

Os pais dão muito ao transmitir a vida e o que podemos fazer para aliviar um pouco essa pressão é passar adiante aquilo que deles recebemos. Seja através dos filhos, seja através do nosso trabalho. Já nas relações entre iguais, o Equilíbrio é fundamental para o que amor dê certo. Quando um recebe o outro se sente em dívida. Quando um dos parceiros recebe um afeto, uma expressão de amor, uma gentileza, há uma tendência de dar de volta, “um pouquinho mais”. Isso reforça o amor e a troca entre o casal e tem um bom efeito. E quando um dos parceiros fere o outro? Nesse caso ele ou ela fez algo que “deu” ao outro uma coisa negativa”, que subtrai algo do outro e ao casal. No nível da consciência pessoal podemos ver nesse caso, a pessoa que foi ferida sente-se de consciência leve e o ofensor sente consciência pesada. E o que ocorre quando um dos parceiros fere o outro? Nesse caso ele ou ela fez algo que “deu” ao outro algo “ negativo”, que subtrai algo ao outro e ao casal.

Observando o que ocorre ao nível da consciência pessoal podemos ver que nesse caso, a pessoa que foi ferida sente-se de consciência leve e o ofensor sente consciência pesada. Num caso assim, para que o equilíbrio se reestabeleça é preciso que aquele que foi ferido faça algo que cause danos ao outro, estabelecendo uma compensação no “negativo”, porém um “pouco menos” do que aquilo que foi feito a si antes... Assim, o equilíbrio pode muitas vezes ser reestabelecido na relação de casal e as trocas entre eles podem ser retomadas, num ambiente que permite novamente a felicidade.

Como isso ocorre? Ela também faz uma coisa que fere a ele, porém não na mesma medida, mesma moeda, mas um “pouquinho menos”. Ele recebe este movimento e sofre. Com isso, também se sente compelido a feri-la de volta, mas percebe que aquilo que ela fez foi “menor” do que ele havia feito no início. Então também faz algo que fere novamente, mas um “pouquinho menos”. Ela faz o mesmo, ele faz de novo etc., até que um dos dois já não se sente compelido a ferir o outro, mas dá algo “positivo”, pequeno. Aí o outro percebe isso e dá também algo “positivo”, só que um “pouquinho mais”. E assim eles retomam a troca naquilo que acrescenta ao amor. Vale ressaltar que esse “troco” não é uma vingança, mas um ajuste de contas mesmo, onde ambos ficam novamente no mesmo nível e podem retomar as trocas. Ele é feito por amor, na verdade. Porque o outro é importante para mim, eu abro mão da minha inocência e faço o necessário. Há, porém, ainda um ponto a ser considerado: depois que através desse “troco” o casal alcança o equilíbrio e volta a trocar naquilo que acrescenta ao amor, eles devem esquecer o passado e permitirem-se começar de novo sem voltar ao passado a cada instante... se não fazem isso, o passado não pode ser passado e permanece atuando no presente como uma maldição. Então o casal não tem chance de recomeçar e não existe para eles um futuro possível.

Exemplo:

A constelação sistêmica pode ser realizada em grupo (Workshop) ou individualmente com utilização de bonecos ou figuras. A terapia se dá através da reunião do terapeuta, do cliente e de um grupo de pessoas que são convidadas a representar os membros da família do cliente. A sessão tem início quando o cliente manifesta a questão que quer trabalhar e escolhe, ou o terapeuta escolhe representantes para seus familiares. Nesse momento, instala-se no ambiente um “campo “ de informações que traz à luz aquilo que está atuando em seu sistema familiar. A melhor analogia é comparar com as ondas de rádio que emitem sinais sem que possamos ver. O aparelho é ligado em uma determinada frequência e passamos a ouvir imediatamente sua programação. No caso das constelações familiares, o membro da família é o responsável por “autorizar” que a frequência de sua família seja sintonizada e possa ser captada no ambiente. A partir de como os representantes se sentem e se movimentam, é possível perceber os emaranhados com clareza e dar início à sua dissolução e resolução, ou melhor, solução.

 

Continua...

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Se você se sente chamado (a) a olhar para o seu Sistema Familiar, ou conhecer as Constelações Sistêmica Familiar, eu atuo como Psicóloga Clínica desde 1988 e atualmente como Consteladora.

Pertenço à Congregação das Irmãs Franciscanas de Ingolstadt e Trabalho no Centro de Formação Nossa Senhora da Paz

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