150 Anos da Imigração Polonesa no Paraná
Estanislau, o imigrante construtor de templos
Stacho faleceu aos 94 anos (Foto: Arquivo Família Bronislavski)

Estanislau (popularmente conhecido como Stacho) Bronislavski nasceu em 1911, na aldeia de Plaucza Mala, comarca de Brzezany, Polônia e chegou ao Brasil em 1929, juntamente com seus pais, Miguel e Paracewa, e seus irmãos, João e Apolônia. O pai de Stacho, Miguel, além de agricultor, era também fiscal veterinário e controlava o abate dos animais.

Com as dores da Primeira Guerra e os conflitos com os países vizinhos, eles queriam apenas paz para trabalhar e viver sua religião. Assim, Miguel, preocupado com o futuro da família, decidiu vender tudo e imigrar para o Brasil, em uma viagem de 21 dias até o Rio de Janeiro, no navio à vapor Swiatowid, em meio a tempestades e solavancos estomacais, depois para o Porto de Paranaguá, no Paraná, e de trem até Curitiba, seguindo para o destino final, Irati.

Irati era uma pequena vila, um lugar simples, tranquilo, agradável, cercada de elevações e alguns pinheiros imponentes, ruas de terra batida, algumas com declive acentuado. O Chefe da Estação, com paciência se faz entender e indica para eles um grande barracão para imigrantes na Rua Dezenove de Dezembro, no final da subida da Rua 15 de julho e ali se instalam provisoriamente até a mudança para uma pequena casa.

Logo procuraram por trabalho e as atividades rurais pareciam a primeira opção. Era preciso andar, às vezes até 10 km para chegar ao local de trabalho, com sol ou chuva. Dividiam a plantação com o dono da terra, plantando feijão e batata, tratando a terra com carinho, já que dela tiravam seu sustento, com suor, dando graças a Deus pela liberdade e paz conseguidas na nova terra.

Em busca de novos desafios, Estanislau vai trabalhar na pedreira do Fortes (Cezário Fortes) e foi quebrando pedras que o jovem descobriu sua nova profissão. Com o tempo, adquiriu a pedreira e fez o primeiro calçamento de Irati, na Rua Munhoz da Rocha. Observando os mestres de obras e pedreiros desenvolveu técnica própria e da pedra ao tijolo, passou, então, a construir casas de alvenaria e ficou conhecido por seu esmero, honestidade e uma extraordinária energia.

Então, Stacho foi chamado para levantar a Igreja de São Miguel, em Irati. O belo trabalho repercutiu rapidamente e recebeu, em 1950, convite do Padre Pinocy para ir a Prudentópolis, construir, em estilo gótico, o Santuário de Nossa Senhora das Graças, cristalizando sua fé nos alicerces de pedra da igreja.

Estudou, por correspondência, técnicas de arquitetura e construção e através de reboques e tijolos, traçou seu caminho. Construiu o Hospital para as irmãs ucranianas, parte do Seminário para os padres ucranianos e o cinema para o Domingos Luiz e retornou a Irati no final de 1957.

Foto: Stacho Bronislavski, sentado ao centro no carrinho de mão

Profissional competente passa a ser valorizado pelos engenheiros com os quais trabalha, a ponto de ser solicitado a opinar nas plantas e perspectivas de projetos. Construiu várias casas e o prédio ao lado da Igreja Nossa Senhora da Luz. Seu último trabalho foi a construção do Hospital de Ortopedia para o Dr. Jorge Elmor Junior, de quem virou grande amigo.

Estanislau foi casado com Felícia Ruski Bronislavski, com quem criou oito filhos. Deu a eles seu modo de viver, seu exemplo, noção de moral, do certo e do errado, do justo e do injusto, do bem e do mal. Enraizou neles também o amor pela terra distante, religião católica, gastronomia e tradições polonesas da Páscoa e do Natal, inclusive as colendas (canções de Natal polonesas).

Ao completar 90 anos, foi homenageado com músicas cantadas em polonês por Genoveva Zavilinski, durante missa na Igreja de São Miguel e um almoço tipicamente polonês na chácara da família.

Estanislau faleceu aos 94 anos, 2005, em Irati e por iniciativa do vereador Hamilton Kominski virou nome de rua em Irati.

Sempre sereno e tranquilo, dignificou, com sua vida, a história da imigração polonesa em nossa cidade.