150 Anos da Imigração Polonesa no Paraná
Padre Paulo Warkocz, o primeiro pároco de Irati
Pe. Paulo Warkocz em 1931, ano em que chegou à Irati. Foto: Arquivo Pessoal

Segundo o Padre Lourenço Biernaski, C.M., da Sociedade de São Vicente de Paulo, no Paraná́, Padre Paulo Warkocz, C.M. era filho de Francisco Warkocz e de Maria Cibis. Nasceu no dia de S. Pedro e S. Paulo, 29 de junho de 1894, em Kozle, Naclenslawice, Diocese de Wroclaw (Polônia). Realizou seus estudos em Nyssa, entrando na Congregação em 2 de setembro de 1912 e após o regresso da Primeira Guerra Mundial emitiu os votos perpétuos. Estudou e concluiu os estudos superiores no Instituto Teológico de Stradom, em Cracóvia, onde também recebeu o Sacramento da Ordem em 27 de junho de 1920, das mãos de Dom Anatoly Nowak. Neste tempo, a Polônia já tinha obtido sua liberdade depois de tanto tempo de ocupação e conseguido se constituir como país independente e livre e neste mesmo ano, Paulo foi destinado para as missões do Brasil. Fato digno de ser lembrado é que pe. Paulo, quando ainda clérigo, foi convocado para fazer o serviço militar, durante a Primeira Guerra Mundial e, tendo sido enviado nos campos de batalha, foi ferido no braço direito. Até o fim da vida teve sequelas deste fato. Padre Paulo também tinha um irmão sacerdote. A viagem ao Brasil deu-se em companhia do Pe. Ignácio Krause e do irmão Ludovico Mozalewski. Eles chegaram em Curitiba no dia 17 de dezembro de 1920.

Em 1930, a pedido do Bispo, a Congregação Vicentina aceitou a direção da paróquia de Nossa Senhora da Luz, em Irati, e designou Pe. Paulo Warkocz como pároco. Assim, entrou para a história como sendo o 1º pároco da nova Paróquia que fora construída em 11 de março de 1931, portanto, completando neste ano de 2021, seu 90º aniversário. Além das atividades pastorais, empenhou-se na construção da nova Igreja Matriz. Também havia assistido na construção, pelos poloneses, da igreja em madeira de São Miguel, sonho da comunidade polonesa. Contribuiu o fato de José Smolka e outros líderes da colônia polonesa em Irati nos anos vinte, haverem solicitado anos antes, em nome desta comunidade, algum atendimento espiritual do qual tanto se esperava. Padre Paulo entrou em contato com o bispo de Curitiba regulamentando a ajuda esporádica dada pelo Cura à nossa cidade. Não podia ausentar-se de sua paróquia (Santa Cândida), mas vinha quando podia no auxílio aos poloneses de nossa região. Formou-se, neste período, a comissão de construção da capela de São Miguel; tanto que a pedra fundamental da mesma, lançada em 29 de setembro de 1925, foi solenemente benta por ele.

Na verdade, os “padres vindos da Polônia”, como lembra Pe. Zdzislaw Malczewski Schr, “cumpriam não apenas tarefas decorrentes de sua vocação religiosa, mas também apoiavam os imigrantes em diversos conselhos, traziam o consolo espiritual, bem como contribuíam para que surgissem - além de prédios sacros - também as primeiras escolas e bibliotecas. Em caso de necessidade, o religioso polonês proporcionava aos colonos a ajuda médica, econômica ou legal”, relata.

 

Ruy Christovam Wachowicz, conhecido e apreciado historiador paranaense e polônico observa que “a paróquia e o padre polonês eram indispensáveis para o colono (polonês). A igreja era o centro espiritual, mas também o núcleo onde o colono satisfazia as suas necessidades de comunicação com o próximo. No Brasil essas necessidades assinalavam-se ainda mais em razão do isolamento em que tinham de viver”, disse Ruy.

Então a importância naquele momento da presença do Pe. Paulo em Irati na condição de pároco da Paróquia Nossa Senhora da Luz, assistindo a capela de São Miguel Arcanjo. Permaneceu em Irati até 1943, ou seja, durante 12 anos consecutivos, não considerando o tempo que vinha a convite da comunidade polonesa com o consentimento do bispo de Curitiba.

Além da construção destas duas igrejas e tantas outras capelas no interior da vasta paróquia, esforçou-se, juntamente com as autoridades e interessados da época, para que surgisse na cidade um Hospital local, o que aconteceu, quando as Filhas da Caridade assumiram a direção.

Recebia uma boa aposentadoria (pensão) do governo alemão por invalidez. Parte desta pensão pe. Paulo destinou para as irmãs de caridade na construção do Colégio Nossa Senhora da Graças, cuja obra se empenhou pessoalmente e de cujo colégio foi diretor em determinado período. Ajudou também o Hospital de Caridade em Irati.

Faleceu em 08 de outubro de 1972, e ainda naquela manhã, celebrou sua última missa e às 21h30 adormeceu para sempre nos braços do Pe. Wiktor, pároco de Nova Orleans. Os seus restos mortais descansam no cemitério local, logo na entrada.

Pe. Paulo foi, antes de tudo, muito humano, homem e sacerdote com coração de ouro, cordial, companheiro de todos e a toda hora, cheio de bom humor, acolhedor e disponível, zeloso no ministério pastoral, sacerdote segundo o coração de Cristo.

Pintura do Batismo de Jesus feita na Matriz Nossa Senhora da Luz. Foto: Reprodução

Além dos seus diversos trabalhos sacerdotais, Pe. Paulo sabia aproveitar o tempo seja na pintura de paisagens (deixou na Matriz, batistério, pintura na parede de fundo retratando o batismo de Jesus com São João Batista), no cultivo das flores no jardim, principalmente das roseiras e cravos; cultivava igualmente árvores frutíferas e cogumelos. Gostava muito da criação de carpas e passarinhos e entendia de apicultura. Para tudo tinha uma mão abençoada e jeito de cultivar. Esta sua habilidade, da qual não guardava segredo, ensinava aos interessados. As pessoas das localidades em que trabalhou ficavam encantados com a beleza do seu jardim, com as mais variadas flores. Gostava, também, de pregar peças aos incautos e “entendidos”.