Bairros de Irati
Riozinho

Conta o iratiense Darci Bernardo da Silva, que no ano de 1882 seu bisavô, o senhor Ismael Teixeira dos Santos, com a esposa Mariana Freitas de Oliveira, o cunhado Salvador Freitas de Oliveira e o filho José Freitas dos Santos vieram para fixar residência no Riozinho. A localidade pertencia ao município de Santo Antônio de Imbituva. Em 1893, as terras foram registradas no cartório de Bom Retiro, hoje Guamirim, do município de Irati. Existe um mapa dessas terras com o senhor Darci Bernardo da Silva.

Darci conta, também, que seu avô José Freitas dos Santos, que morava no Riozinho, foi a única pessoa que esteve presente no ato da emancipação do município de Irati do município de Imbituva.

No livro, Aconteceu nos Pinhais, de José Carlos Veiga Lopes, está escrito, na página 457: “Várias pessoas cadastraram terrenos no lugar denominado Iratim...Ponciona Antonio Ribas (caminho do Riozinho) ...”

Em 1912, foi construída a estação ferroviária de Riozinho, em 1928, iniciou-se a construção da estrada de ferro que ligava Riozinho à cidade de Guarapuava, mas em 1938 a estação foi demolida.

Outra família pioneira no local foi a dos Anciutti. Antonio Ângelo Anciutti (Alemão), que nasceu no bairro há 70 anos, conta que seu avô, João Batista Anciutti, veio da Itália, em 1907. Trouxe de Curitiba, junto com ele, as famílias Razera e Mores. Ele possuiu 12 serrarias, no Riozinho e em outros lugares, teve fábrica de beneficiamento de madeira, inclusive fornecendo embalagens para a famosa indústria Cica, e também, explorava o ramo da erva mate. A casa de madeira de imbuia, da entrada do bairro, que hoje é uma pensão, pertenceu a João Batista. Hoje, essa propriedade foi restaurada, pertence a Cleoni Mazur e foi denominada como Vivenda Dona Mariquinha.

A história do bairro também teve como um dos atores o senhor Agostinho Boscardin. Nasceu em 1922, em Curitiba, e veio para o Riozinho, com 9 meses, em fevereiro de 1923. Conta Claudete Boscardin, que seu pai Agostinho, montou uma empresa familiar. Iniciou suas atividades muito discretamente nos anos de 1950 em Riozinho, com um empréstimo solicitado ao interventor Manoel Ribas. Na propriedade, Agostinho descobriu uma pedreira e a partir dali passou a dedicar-se de corpo e alma à extração de pedras. Inicialmente, fornecendo pedras para alicerces de casas, escolas, hospitais entre outros. Naquela época, as pedras eram quebradas por marretas e martelos, não existiam máquinas (britadores) e eram transportadas por carroças. Atualmente, a empresa é administrada por Claudete e seu irmão Luis Augusto Boscardin (Ico). Gera 50 empregos diretos e inúmeros indiretos.

Maria Olivia Anciutti Gracia, mais conhecida como Dona Mariquinha, foi uma valorosa mulher para o bairro e para toda Irati. Pessoa sensível, religiosa e que praticava a caridade o tempo todo. Filha de João Batista Anciutti e casada com Trajano Gracia, suas ações foram fundamentais para construção do Seminário Santa Maria, cedendo os tijolos para construção e até, mais tarde doando a própria olaria aos padres capuchinhos, a construção foi iniciada em 1950.

Arlete Richa, esposa do ex-governador José Richa, nasceu no bairro e conviveu muito com a “Tia Mariquinha”.

Atualmente, as instalações do seminário é o campus da Universidade do Centro-oeste – Unicentro. A Instituição foi transferida no ano de 1994 ao bairro Riozinho. Luiza Nelma Fillus foi a primeira diretora do campus. Em 1997 a instituição teve seu reconhecimento pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).

O clube de futebol Guarany do Riozinho, nascido em 1928, teve como principais fundadores a família Molinari. O campo de futebol situava-se onde hoje é a oficina da empresa Derbli. A sede social já foi muito movimentada, através de várias atividades. Lá havia canchas de bocha, reuniões, carteado, jogo de cachola e muitos bailes.

Seu Gaspar Valenga nasceu no bairro em 19 de abril 1923, de origem humilde, ferreiro de profissão, mas escritor e contador de causos por paixão, publicou três livros sobre a comunidade e faleceu em 07/08/2017.

Dona Neiva, mãe do atual prefeito Jorge Derbli e esposa do Ico Boscardin, foi outra pessoa que praticava a caridade no bairro, principalmente para as crianças carentes. Certa feita, estive em sua casa para prestar serviços de engenharia e notei dezenas de uniformes escolares, perguntei para o que eram aquelas roupas, e ela respondeu: para as crianças carentes que não têm uniforme, irem ao desfile da Independência.

Famílias que viveram e algumas ainda vivem do bairro: Teixeira dos Santos, Anciutti, Castagnolli, Razera, Freitas dos Santos, Andrioli, Bini, Borgo, Brusamolin, Cecato, Carborar, Chiqueto, Mósele, Caus, Valenga, Mores, Polo, Sobol, Chami, Bueno, Gadens, Licowiecz, Ferreira, Stasiak, Grácia, Molinari, Derbli, dentre outras.

Sediada no Riozinho, a Construtora Derbli incorpora uma usina de asfalto, diversos equipamentos de terraplanagem e pavimentação, além de empregar cerca de 300 funcionários. Aliás, a família Derbli doou o terreno para a construção de um grande hospital para tratamento do câncer – o Hospital Erasto Gaertner.

O bairro possui a Escola Municipal João Batista Anciutti, inaugurada em 1938; o CRAS - Centro de Referência de Assistência Social, Unidade Básica de Saúde, Centro Social Rural, quadra poliesportiva coberta, a Igreja Católica Santo Antônio que possui um excelente salão para festas e reuniões, capela mortuária, cemitério e campo de futebol.

Um sonho dos iratienses é a pavimentação da estrada de Irati a São Mateus do Sul. A obra que nasce no bairro foi iniciada nesse ano de 2019.

Muitas outras pessoas teriam um capítulo na história do Riozinho. Todas as famílias de uma forma ou outra contribuíram para história do bairro.

A origem do nome se deve ao Rio Riozinho, que segundo a carta do IBGE, nasce na Serra do Pique, cruza a localidade e desagua no Rio Potinga, no município de Rebouças.