Homem mata mulher em Irati por ela não querer reatar relacionamento

Crime brutal aconteceu na tarde de terça-feira (29), por volta das 18h, no Centro

Jaqueline Lopes

As investigações sobre o feminicídio que aconteceu em Irati na terça-feira (29), que ceifou a vida de Veridiana dos Anjos, de 37 anos, já começaram e o autor do crime foi ouvido pela Polícia Civil. No depoimento, o agressor confessou e disse que tirou a vida da mulher por ela não querer reatar o relacionamento. A vítima tinha medida protetiva vigente contra o homem.
De acordo com o delegado de Irati, Paulo César Eugênio Ribeiro, o rapaz relatou no depoimento que “queria reatar o relacionamento com a vítima, e ela não cedeu, razão pela qual o motivou. Houve uma discussão anteriormente e, depois, ele ceifou a vida da vítima mediante golpes de faca”, disse o delegado. Ainda, Ribeiro comenta que o agressor foi conversar com a vítima já com arma, em uma tentativa de intimidá-la para poderem reatar o relacionamento.
Também, o delegado conta que, no depoimento, o agressor disse que tinha ingerido muita bebida e drogas e segundo ele, a intenção, após o crime, era se matar, mas foi contido pelo bombeiro que conseguiu fazer a prisão em flagrante, que já foi decretada pelo juiz e será mantido preso, provavelmente, até o desfecho do processo.
Ribeiro explica que, agora, o Inquérito Policial passa por uma segunda fase que é de colheita de provas para robustecer esses elementos de prova e fortalecer a condenação do autor ao final do processo criminal. A Polícia Civil tem um prazo de 10 dias, que consiste em tomada de depoimentos, juntada de documentos, análises periciais, principalmente na faca.
A partir disso, a Polícia Civil deve indiciá-lo pelo crime de homicídio qualificado pelo feminicídio, e motivo fútil. Com essas qualificadoras, a pena pode chegar a 30 anos. Depois, será elaborado um relatório, enviado ao Ministério Público, que, provavelmente, fará a denúncia, e começará a responder o processo criminal. Ele também deve responder por descumprimento da medida protetiva.

MANIFESTAÇÃO 

Em apoio às vitimas de violência doméstica de Irati, um grupo de mulheres vai realizar uma manifestação neste sábado (02), às 10h e às 15h, a saída será em frente à Prefeitura de Irati. Em caso de chuva, o ato será adiado. 

CRIME
Na tarde de terça-feira (29), por volta das 18h, uma mulher, de 37 anos, foi morta a facadas pelo ex-namorado, também de 37 anos, na Rua Dona Noca, Centro, próximo aos Correios de Irati. O autor foi preso.
De acordo com a PM, a mulher saiu do trabalho e foi surpreendida pelo homem que desferiu, aproximadamente, seis facadas contra a vítima, que não resistiu aos ferimentos e foi a óbito. O autor foi preso por um bombeiro que passava pelo local e presenciou o crime.

MEDIDA PROTETIVA
A mulher tinha uma medida protetiva contra o agressor, que estava vigente, e não houve nenhuma situação de descumprimento antes do crime. Segundo o delegado, a medida protetiva é um mecanismo a mais que a Lei criou para tentar proteger as vítimas de violência doméstica.
A solicitação é feita na Delegacia de Polícia Civil, também pode ser realizada pelo Ministério Público, e a vítima precisa ir até o local. Tanto a PC quando o MP tem um prazo para encaminhar o documento, assim como o juiz para poder decidir, no máximo, em dois dias está resolvido, após, as partes são intimadas.
Em casos de descumprimento, se o autor tiver fugido ou saído do local, a vítima precisa ir novamente à Delegacia e fazer outro Boletim de Ocorrência. “Pode falar ‘tinha medida protetiva, foi descumprida, o rapaz foi na minha casa, me ligou, entrou em contato comigo, me ameaçou novamente’, a partir disso, novas medidas serão tomadas”, disse o delegado.
Se o autor estiver na residência no momento e a vítima conseguir ligar para a polícia, a pessoa será presa em flagrante. “Fora dessas hipóteses tem que vir na delegacia e, se possível, tentar reunir o maior número de provas possíveis. Sei que não é fácil, sei que a mulher naquela situação passa por uma série de dificuldades, e tudo isso influi no pensamento dela naquele momento. Mas tentar, ao máximo, reunir essa provas, gravar ligação, tirar cópia, foto, juntar uma testemunha, e trazer para gente, pois isso vai ajudar a pedir a prisão desses casos de descumprimento”, finaliza o delegado.

Foto: Reprodução
COMO DENUNCIAR EM IRATI

O município possui várias fontes para realizar a denúncias em casos de violência contra a mulher: 

 • WhatsApp Denúncia da Delegacia de Irati - 3422-5176
• Página institucional da Delegacia de Polícia Civil de Irati no Facebook 
• PATRULHA MARIA DA PENHA – Horário comercial: (42) 3132-6222 – Plantão: (42) 9 9117 5939
• POLÍCIA MILITAR - 190
• GUARDA MUNICIPAL DE IRATI - 153