COVID-19 | 80% dos pacientes recuperados têm problema de concentração e memória

O estudo aponta que os pacientes também tiveram habilidades prejudicadas e problemas na execução de várias tarefas, além de mudanças comportamentais e emocionais e até confusão mental.

Anteriormente, já levantamos o olhar para as consequências neurológicas carregadas pela COVID-19, mas nesta semana, um estudo do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor), da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, traz dados alarmantes: 80% dos pacientes recuperados de COVID-19 apresentaram disfunções cognitivas, como perda de memória, dificuldade de concentração, compreensão e raciocínio.
 

 Entretanto, as consequências da doença no cérebro podem ser tratadas se o diagnóstico for precoce. Vale alertar que até mesmo pacientes com quadros e sintomas leves ou assintomáticos tiveram sequelas neurológicas.

A pesquisa faz pensar a respeito da importância de se submeter a uma avaliação clínica depois de se recuperar da COVID-19. Inclusive, o Incor menciona que a OMS (Organização Mundial da Saúde) aguarda os resultados finais do estudo para adotar a metodologia como padrão no diagnóstico e na reabilitação da disfunção cognitiva pós-COVID.
 

Para chegar à descoberta, a equipe usou um jogo mental digital avaliativo. A primeira fase do estudo foi feita com 185 pessoas, entre março e setembro de 2020, mas atualmente já são 430 pacientes em acompanhamento na pesquisa. Segundo os pesquisadores, muitas pessoas perderam a coordenação motora e caem muito, o que acontece, segundo exames de ressonância magnética funcional, porque a função executiva é afetada em pessoas que já contraíram o SARS-Cov-2. A equipe ressalta que as sequelas cognitivas acontecem porque o vírus entra pelas vias aéreas, compromete o pulmão e, com isso, baixa o nível de oxigênio circulante.

Em novembro do ano passado, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Oxford apontou que 18% dos pacientes infectados com a COVID-19 desenvolvem uma doença mental (incluindo demência, depressão, ansiedade e insônia) em questão de três meses. Na ocasião, os pesquisadores também descobriram que pacientes com problemas psiquiátricos preexistentes tinham 65% mais probabilidade de serem diagnosticados com COVID-19.