4ª Festa Nacional do Laço Comprido distribui R$ 250 mil em prêmios em Irati

Evento foi uma promoção da Fazenda Derbli e Rancho Anciutti

Jaqueline Lopes

Na semana passada, Irati foi palco da 4ª Festa Nacional do Laço Comprido, uma promoção da Fazenda Derbli e Rancho Anciutti e reuniu pessoas de 10 estados do Brasil no município. O evento aconteceu no CT Willy Laars, de 16 a 20 de março, foi uma etapa nacional do laço comprido, e mais uma festa para colaborar para que a categoria vire um esporte, com os maiores laçadores do Brasil.
Além de pessoas do Paraná, prestigiaram o evento turistas do Acre, Rondônia, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. “O evento é uma festa que a gente faz para trazer os amigos que temos no Brasil inteiro. Para eles se sentirem em casa e fazendo o que a gente gosta, que é o laço comprido”, comenta um dos organizadores do evento, Rafael Derbli.

“A festa está cada vez melhor. Tenho que dar os parabéns para o Rafael, o João e a equipe. Muito organizada, festa muito boa. Esses duelos estão crescendo cada vez mais”. – Vitão, de Catanduvas/PR

O casal que veio de mais longe, do Acre, Paulo Sergio e Rosalia, viajaram 3800 km para prestigiar o evento. Eles conheceram Rafael em um evento em Goiás, receberam a visita do mesmo na fazenda deles, e, pela segunda vez, estão em Irati. No Acre, eles têm o Racho V5, com a maior pista coberta do Norte do Brasil. “Esta festa está melhor que a primeira, muito boa, bem receptiva. O Rafael Derbli e a família estão de parabéns”, destaca Paulo.
“Para nós, é uma grande conquista você começar com um hobby, ver o conceito da nossa criação e ser abraçado por todos. O Brasil inteiro adquirindo animais nossos, gosta de como a gente treina e, hoje, graças a Deus, estamos participando dos maiores do Brasil. Para nós, é muito importante, é um sonho realizado”, disse Derbli, que tem uma paixão por cavalos desde os 11 anos e cria na fazenda em Irati desde 2012.

“O evento é uma festa que a gente faz para trazer os amigos de fora que temos no Brasil inteiro. Para eles se sentirem em casa e fazendo o que a gente gosta, que é o laço comprido”. – Rafael Derbli, organizador da festa

A quarta edição da festa contou com várias personalidades do ramo, como Issao Kusahara Junior, de Presidente Prudente/SP, que é criador de cavalos e realiza uma das maiores provas de laço duplo do Brasil, Team Roping, que já está na 22º edição. Junior comenta que conheceu a raça crioula, pouco famosa em São Paulo. “Estou impressionado com a festa daqui de Irati, com a quantidade de gente, de trabalho, de cavalos. Fui convidado pelo Rafael e gostei muito. O que vejo lá em SP é que tem muita pista coberta, e aqui não, mas a hora que cobrir vai ser sucesso total no Brasil todo”, observa.
Marcos Antonio de Melo, de Costa Marques/RO, percorreu 3200 km para prestigiar o evento pela primeira vez. “Nós vamos a bastante eventos, e essa festa é uma das melhores do estado, tem um povo diferente, companheiro. O Rafael e João são os rapazes mais humildes que já conheci”, afirma.

“Com certeza esse rodeio de Irati já está no cenário nacional, está entre os cinco melhores do país. E a tendência é crescer mais. E isso valoriza o cavalo Quarto de Milha”. – Juiz da competição, Alcidones Sebastião de Almeida Filho, de Aparecida do Toboado/MS

Para João Anciutti, também organizador do evento, foi mais uma festa para marcar Irati e teve muita ajuda, companheirismo, para realizar nos trabalhos. Ele ajudou nos serviços com o gado, que uma parte veio de Ivaí, e outra de Irati, sempre trocando para não cansar os animais. “A gente conta com bastante companheiro e amigo, pessoal que ajuda no serviço para sair bastante ração para o gado”, comenta. Anciutti também informa que quando encerra uma festa, já pensam na próxima. “Anotamos os erros dessa para não se repetirem no ano que vem, para não ter problema”, completa.

CUSTOS DA FESTA

Para fazer o evento no CT, os organizadores conseguiram todos os alvarás necessários, com bombeiros, Polícia Civil e Militar, Conselho Tutelar, entre outros. Além disso, foi feita a locação do espaço para realizar a festa. O evento serviu para reunir os amigos e apaixonados pelo laço comprido, mostrar a potencialidade de Irati no ramo, e ainda movimentou a cidade com os turistas. 

PROVAS
Rafael explica que as provas são especificas para cavalos da raça Quarto de Milha, e são seguidas todas as normas da Associação Brasileira de Criadores de Quarto de Milha (ABQM). Na festa, teve o laço prenda, laço jovem e aberto.
Como a competição faz parte da ABQM e também da Associação Paranaense de Quarto de Milha (APQM), quem pontua nas provas é o cavalo. Um dos juízes da Associação, Alcidones Sebastião de Almeida Filho, de Aparecida do Toboado/MS, explica que a avaliação é feita em quatro manobras, após a laçada positiva: a saída do brete, a corrida, a redução e a voltada do boi. Além disso, ele analisa se o cavalo tem todo o registro necessário e o chip, e se o mesmo animal que está no papel é o que está competindo.
Um dos vencedores das primeiras provas foi Gustavo Sartorelli, competidor de laço comprido, que é de Iperó/SP, e pratica desde criança. Ele levou para casa mais de R$ 50 mil em prêmio. “É muito gratificante conseguir ganhar no meio de tantos bons aqui, o nível está alto, praticamente os maiores do Brasil. Conseguir ganhar em um evento desses é muito bom”, observa.

“É a terceira festa que a gente vem, esse é um evento amigo, é um duelo que traz os melhores do Brasil. Esse é o espelho do esporte. Essa festa, por ter os melhores, se torna um curso de laço”. – Marcos Vinicius Firmino Barros, de Chapa da Gaúcha/MG

PREMIAÇÃO
A premiação da festa também foi um diferencial, pois a cada ano aumenta o valor. Em 2022, o prêmio foi de R$ 250 mil, graças aos patrocinadores, os amigos que estavam no evento, e as inscrições. Cada dia do evento contou com uma prova e os laçadores deveriam se inscrever e pagar um determinado valor, que variou de R$ 800 a R$ 5 mil. Na sexta-feira, por exemplo, o custo para participar das provas era de R$ 800, e teve 150 inscritos.

LAÇO COMPRIDO COMO ESPORTE
Um dos anseios dos laçadores, e todos que gostam do laço comprido, é que a modalidade se torne um esporte, e já vem tomando grandes proporções no Brasil. Uma das iniciativas que pode alavancar ainda mais esta ideia é a Liga Nacional de Laço Classe A (LCA), que deve pagar cerca de R$ 5 milhões ao vencedor final. A promoção é da empresa Cabanha Alma Farrapa, de Jataí/GO, que esteve no evento em Irati, e é uma etapa de classificação.
Alessandro do Vale, representante da empresa, e tem mais de 15 anos de profissionalismo no laço, explica que a ideia veio do patrão Antonio Ademar dos Santos, de realizar a maior organização do laço comprido, e desde janeiro é possível participar nas etapas cadastradas no Brasil. A pessoa faz um plano anual para ser filiado, e quem faz parte concorre a R$ 20 mil por etapa e tem uma classificação. No final, o laçador disputa em Jatai, na sede, R$ 5 milhões. “Isso veio para revolucionar o laço comprido, e fazê-lo crescer como esporte. É aonde ele (patrão) quer chegar: que o laço comprido seja um esporte, porque hoje não é oficializado”, enfatiza Do Vale.
Quem participou pela primeira vez do evento foi Abel Junior, conhecido como Petiço. Ele veio de Campo Grande/MS, onde acontece as maiores provas nacionais de laço comprido, na arena CLS Parque do Pião. Para ele, a modalidade também deve ser oficializada como esporte. “O laço comprido tem potencialidade, com certeza, é um esporte da família. O praticante é desde uma criança pequena até um veterano de 80 anos. É uma modalidade, um esporte, em que o homem pratica o laço com o cavalo, um dos melhores amigos, no nosso caso. E com a família presente é mais fácil, acompanha. É um esporte que vem crescendo por causa das particularidades”, afirma.

NARRADORES
Cleber, o Malandragem Narrador da Massa, de Balneário Camboriú/SC, é o organizador dos locutores no evento em Irati. Ele já narrou em anos anteriores, mas neste não pôde devido a uma cirurgia que fez na garganta. Ele conta que a seleção varia, às vezes, são escolhidos cinco por ele e cinco pelos organizadores da festa, e tem total autonomia para a escolha. “Hoje, a peça fundamental para um evento desse é o narrador. Não adianta ter laçador bom e não ter um bom narrador, assim como não adianta ter laçador bom e cavalo ruim, é um conjunto de tudo isso. Estamos na festa e é um sucesso, está cada vez melhor.”, destaca.

RAÇA QUARTO DE MILHA
Gilson Alves dos Santos, domador e treinador de cavalos, de Espumoso/RS, esteve no evento e comentou sobre a raça Quarto de Milha e diz que é muito dócil e rápida, além de ter uma boa índole. Também, é preciso ser um bom treinador e entender o cavalo. “Os primeiros passos da doma é pegar confiança no cavalo, ter um carinho e respeito com ele. O animal é como um ser humano, tem que determinar para eles o que você quer fazer e eles fazem”, disse. Santos ainda completa que um cavalo bem domado será 90% da laçada nas provas.
Para Luciano Lanzone Baron, do Mato Grosso do Sul, a raça Quarto de Milha vem crescendo no Brasil inteiro. “É a maior do Brasil e cada vez mais tem mais adeptos, com volume grande de pessoas investindo na raça”. Baron esta no evento em Irati pela terceira vez e disputou na competição com um cavalo importado dos Estados Unidos, e também com uma égua, que ganhou uma das provas.