Agricultores da região apostam no cultivo de morango

Agro Comercial Penteado é a empresa que vem promovendo a mudança de vida de muitos produtores rurais que decidiram migrar para o plantio de morango, assim como, de outras hortaliças

A empresa Agro Comercial Penteado, localizada em Imbituva, vem oferecendo aos agricultores da região a possibilidade de cultivar morangos com pequenos investimentos, tendo pouco espaço de terra e recebendo toda a orientação necessária para manter a mesma planta produzindo por até quatro anos. Tudo isto é possível e comprovado por três produtores das cidades de Rebouças, Teixeira Soares e Guamiranga, que migraram do tabaco para o morango e afirmam estarem satisfeitos com o novo trabalho.

Jean Penteado, engenheiro agrônomo da Agro Comercial Penteado, orienta a produção do morango e vende os insumos. Ele afirma que as pessoas que se interessam por este plantio, não precisam conhecer nada antes, pois a empresa consegue acompanhar o agricultor e dar todo o suporte técnico para uma produção de qualidade.

O engenheiro fala sobre as vantagens de cultivar o morango e o fato desta planta se encaixar no bolso dos pequenos agricultores. “Existem linhas de créditos com juros bem acessíveis, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) teve uma diminuição nos juros, então, mesmo que tenha o dinheiro, é viável financiar. Hoje, para as pessoas que têm pequenas áreas de produção agrícola, conseguem cultivar o morango, porque ele não exige um espaço muito grande, por exemplo, quatro mil pés de morangos ocupam cerca de 350 m2”, disse Jean.

O QUE PRECISA PARA CULTIVAR MORANGOS

– Espaço plano de terra para colocar os slabs e montar a estufa (slabs consistem em sacos com dimensões de 1,50 m x 50 cm de largura que, quando cheios, ficam com 30 cm de diâmetro. A capacidade do material suporta de 50 a 60 litros de substrato);

– Água disponível cerca de 120 ml por planta durante um dia, para 10 mil pés será necessário um reservatório de cinco mil litros de água;

– Adubação precisa acontecer na medida certa, os produtos utilizados são 100% solúveis;

– É fundamental que o chão embaixo dos slabs esteja sempre limpo, pois se houver ervas daninhas vão possibilitar a entrada de insetos e doenças.

“Um slab custa R$ 14,00, vem pronto é só fazer as furações para colocar a muda do morango que está custando R$ 1,27 e dura até quatro anos, são importadas do Chile pela Bioagro. A Bioagro manda uma quantidade grande de mudas em março, se o produtor plantar neste período, em setembro já começará a colher em grande quantidade. Com cerca de 90 dias é possível fazer a primeira colheita”, explica o agrônomo.

DURABILIDADE DO PRODUTO NAS MÃOS DO CONSUMIDOR

O que garante a durabilidade é a nutrição aplicada na planta, o excesso de nitrogênio faz com que a planta fique muito mole e não vai durar na bandeja do supermercado, conforme explica o engenheiro agrônomo da Agro Comercial Penteado. “Tentamos usar o máximo possível de produtos biológicos, e aconselhamos os produtores usarem o mínimo de agrotóxicos. Para que a drenagem, adubação e irrigação aconteçam de forma igual em todos os pés é preciso que os slabs estejam nivelados”.

Ele também estipula o valor investido pelo agricultor se baseando por quantidade de mudas. “Fazemos uma diluição de custo de três anos, o orçamento completo feito por cada muda fica em torno de R$ 4,50 a R$ 6,00. É um custo bem reduzido, a adubação da planta hoje é muito barata, para gastar bastante é R$ 1,00 por planta no ano”, afirma Penteado.

EXPERIÊNCIA DOS PRODUTORES DE MORANGO

Tadeu Homiak, morador da localidade de Riozinho de Baixo, de Rebouças, deixou o plantio do fumo há cinco anos para cultivar morangos. “O fumo, nos últimos anos, está muito complicado de produzir, porque o preço está caindo cada vez mais, a partir desta dificuldade surgiu a ideia de plantar morangos. No início foi para o consumo da família mesmo, mas a gente viu que o morango é bom de vender, e fomos aumentando o plantio”, relata o agricultor.

Ele começou plantando em canteiros, com cerca de 500 pés de morango, e hoje, tem quatro mil. Precisa fazer a venda de porta em porta no município, pois afirma que para vender em grande quantidade se torna mais difícil. “Temos os morangos Albion e San Andreas, o Albion tem um sabor mais gostoso. As maiores dificuldades na produção do morango são as doenças, usamos muitos produtos biológicos para prevenir e quando aparece coisas mais complicadas usamos os agrotóxicos”, disse Homiak.

Segundo o produtor, o morango não morre com o frio, ele produz o ano todo, no verão ainda mais. “A colheita é feita duas vezes por semana, no verão, às vezes, é necessário colher três vezes por semana, porque madura mais rápido. A planta considerada produtiva, tem que ter flores, frutos pequenos, médios e maduros, tudo ao mesmo tempo”, informa o agricultor.

Ele vende o morango, por R$ 15,00 o quilo. “Muitos clientes perguntam se eu não subi o preço, mas eu prefiro vender mais barato e vender tudo, consigo manter esse preço o ano inteiro. Acredito que se os supermercados da região pararem de comprar morangos lá do Seasa e comprarem os produtos das cidades vizinhas dá para aumentar a produção. Se comprarem dos produtores daqui terão vantagens, pois chega bem mais rápido e o produto fica fresquinho. Eu, por exemplo, colho os morangos 9h e às 10h já estou entregando para os clientes”, finaliza o morador de Rebouças.

Na localidade Rio da Areia, em Teixeira Soares, Fernando Biernascki também está migrando para a produção de morango e produtos hidropônicos. O agricultor fez o plantio de duas carreiras de mudas em cada slab, que segundo o agrônomo não muda a produção, apenas terá de ter um espaçamento diferente. A estufa do Fernando é mais elevada, com mais ventilação para o morango e a alface que ele cultiva. O agrônomo conta que o plástico se for bem cuidado pode durar até cinco anos, e a estrutura metálica vai durar muito, se fosse madeira teria que ser trocada com o tempo.

Biernaski fala do motivo de plantar morango e investir fortemente nesta estufa. “É uma cultura que está crescendo, tem boa demanda, antes a gente trabalhava com pinus e eucalipto, agora estamos procurando outros meios. Optamos por fazer uma coisa um pouco melhor, para não ter que trocar daqui um tempo, investindo um pouco mais no início vai garantir uma durabilidade maior. O Jean dá toda a orientação que precisamos.

Gildo Rech de Guamiranga, tem quatro mil pés de morango, tudo iniciou em uma participação de um projeto de diversificação do tabaco em que eram feitas visitas aos agricultores e Gildo se interessou pelo plantio do morango. “Comecei a produzir o morango quando vi nas cidades próximas que tinham e aqui ainda não tinha. Mantenho a fidelidade com meus clientes, já aconteceu de entregar 10 caixas de morango em Ponta Grossa, mas nunca deixei de levar, porque sabia que na outra semana poderia vender 40 ou 50 caixas e no fim do mês é isso que conta. Saber que diversos mercados estão vendendo nossos morangos é uma satisfação que não tem preço, sabendo que seu produto é de qualidade e orgânico, sem venenos. A plantação aqui já tem quatro anos e os pés ainda estão produzindo”, explica.

GELEIA DE MORANGO DA JOCELI RECH

A família Rech não perde nada da produção de morango, fazem docinhos e geleia. “Nós sempre plantamos fumo, até que conhecemos o pessoal da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) que incentivavam a gente a buscar outros meios. Aí, eu pensei que para sair do fumo teria que ter algo para eu mesma fazer, comecei a fazer pão e bolacha para vender nas casas, consegui uma chamada pública para entregar para merenda escolar. E a ATER começou me dar cursos para eu produzir mais coisas, já faz cinco anos que mudei de profissão. Inclusive a geleia de morango é uma das minhas produções e é de coração mesmo, gosto muito do que faço. Com a sobra dos morangos faço a geleia, vendo em casa e para a merenda escolar. Comecei com uma cozinha pequena, fui aumentando e temos uma cozinha industrial. Agora faço bolo, docinhos, salgadinhos para festas, e o morango é utilizado nisso também, para o Dia dos Pais de 10 encomendas de docinhos, nove tinha docinho de morango, é uma alternativa que se encaixa”, afirma a agricultora.