Vendaval gera medo e destruição na comunidade de Boa Vista

Muitas araucárias foram destruídas com o vento

Um forte vendaval atingiu a comunidade de Boa Vista, no interior de Guamiranga, na tarde da quarta-feira (7). Casas destelhadas, barracões destruídos e muitas árvores arrancadas, nem mesmo a igreja da comunidade escapou da força do vento.

Uma das propriedades afetadas foi a de Leandro Kelter, onde todo o seu barracão foi demolido. O telhado de metal foi arremessado para o outro lado da rua, que passa ao lado do barracão.  A força do vento foi tão grande que até mesmo a parede de tijolos chegou a cair e entortar o elevador de grãos. Segundo Leandro, a chuva forte durou cerca de 15 minutos, por volta das 19h, mas houve uma espécie de redemoinho que por cinco minutos destruiu tudo por onde passou, “Os estragos e a forma do vento pareciam um ciclone”, disse Kelter. O proprietário utilizava o barracão para a secagem de grãos, e na manhã da quinta-feira (8), vizinhos e funcionários estavam trabalhando para desmanchar o que sobrou da construção.

Os estragos foram além, a igreja da comunidade também foi atingida, parte do telhado e do forro desabaram e, naquele momento, aproximadamente 20 pessoas estavam dentro do prédio. Tamiele Cavassin, que estava presente no momento, conta que o susto foi muito forte. “Parecia que era o fim do mundo, os vidros da igreja estourando, as lâmpadas pareciam que iriam cair, até que fomos para sacristia para nos protegermos”. Tamiele relata que estavam rezando a novena de Nossa Senhora Aparecida quando iniciou a tempestade. “Só pensamos em agradecer a Deus por estarmos vivos”, disse a ministra. O salão de festas da igreja também foi destelhado, a força do vento era tão forte que derrubou as portas do salão e derrubou aproximadamente 80% do telhado.

ESTADO DE CALAMIDADE

Tão logo passou a tempestade, iniciaram os serviços de socorro pela equipe da Prefeitura, Defesa Civil e populares voluntários, as equipes desobstruíram as estradas e atenderam as casas que mais necessitavam de socorro, pois foram muitas as estradas bloqueadas por quedas de árvores e muitas casas destelhadas. Entre Boa vista e comunidades próximas, um levantamento prévio mostra que mais de 500 araucárias tombaram ou quebraram com o vento. Em muitos lugares, a equipe da Folha testemunhou o cenário, que lembrava áreas de desmatamento devido aos estragos ocasionados. Até o fechamento desta edição, a prefeitura não havia contabilizado o número de casas e construções atingidos com a tempestade. A região ficou sem luz e um forte trabalho estava sendo realizado para que a energia retornasse, mas sem uma previsão devido ao grande número de postes que quebraram com o vendo.

Na manhã da quinta (8), o Corpo de Bombeiros esteve na localidade organizando e dando sequência aos trabalhos já iniciados pela Defesa Civil e também foram distribuídas lonas para evitar que a chuva continuasse a invadir as residências. O Tenente Da Macena diz que a primeira atitude é verificar se há casas em situação de risco. “Na sequência é distribuído lonas para quem teve casas destelhadas. Ainda se houve pessoas que ficaram desalojadas junto a equipe da Prefeitura é feito o encaminhamento”, disse Da Macena.