José e Josefina Fillus

A casa do comércio do casal, sempre foi palco de encontros e de muitas conversas em língua polonesa

Luiza Nelma Fillus

José Wantroba Fillus, filho de Miguel e ÁgataFillus, nasceu na Colônia Muricy, município de São Jose dos Pinhais em 19 de março de 1882.
Josefina Filipak Fillus, filha de José e Maria Biernascki Filipak, nasceu em Botiatuvinha, município de Curitiba em 3 de maio de 1888.
Casaram-se na Colônia Orleans aos 05 de maio de 1905.
O casal José e Josefina Fillus tiveram os seguintes filhos: Rosália, casada com o comerciante Alexandre Pavelski; João, casado com Maria Stroparo Fillus, Francisco, casado com Tereza Moreira Fillus e Maria, casada com Joaquim Zarpellon.
Viveram alguns anos na Colônia Murici e transferiram-se para Irati, aos 16 de julho de 1914.Em 1916, na Rua 19 de Dezembro, abriram um estabelecimento comercial, cuja razão social era José Fillus Comércio Ltda. Mantiveram o comércio em pleno funcionamento até janeiro de 1969, perfazendo um total de 55 anos de atividades ininterruptas. No início era um comércio modesto, mas com o passar dos anos, transformou-se numa referência, servindo a Irati e região. Conforme os estabelecimentos da época, possuíam grandes variedades de mercadorias como: secos e molhados, armarinhos, ferramentas, instrumentos agrícolas, tecidos, sementes, cal, areia, produtos agrícolas, alguns vendidos a granel. Enfim, um comércio que contemplava às necessidades de seus clientes, que vinham amiúde com suas carroças, que as deixavam, tanto em frente ao comércio, como também nos terrenos laterais, formando um movimentado ir e vir de pessoas, com seus pacotes e outros tipos de embrulhos para levar as mercadorias. Era um ponto de encontro da etnia polonesa, onde muitos clientes não falavam o português, mas o comércio dispunha de algumas pessoas que os/as atendiam no idioma materno, o que aproximava as pessoas em longas conversas e longas recordações. Gaspar Valenga, em seu livro Minha Vida, minha história, editado pela Unicentro, em 2002, relata na página 124, o seguinte fato, que se lembrou quando tinha seus nove anos, pois ficou de vigia, durante a ditadura do governo Vargas, que com o intuito de fortalecer a nação, proibiu todos os imigrantes de falar seus idiomas, bem como, fechou as escolas que ministravam aulas em seus idiomas pátrios, inclusive escolas em Irati.

Família Fillus comemorando aniversário de casamento em 1947, do lado da casa comercial em Irati – Foto: Arquivo Familiar

“Naquela época, fora terminantemente proibido se conversar em outro idioma que não fosse o português. Eu mesmo, em um determinado dia, fui encarregado de fazer a função de vigia, quando estavam reunidos na casa comercial do senhor José Fillus,Irati, várias pessoas que não sabiam falar o nosso idioma e tinham medo de falar em polonês. Caso eu visse o Tenente Amaral, deveria dar o alerta para que ninguém se pronunciasse no idioma polonês”.

José Fillus, além de comerciante, foi pecuarista, agricultor. Foi proprietário de olaria, pois a casa que construiu na Rua 19 de Dezembro tinha tijolos e telhas feitos em sua própria empresa, que funcionou até 1939. Tocava violino todos os domingos pela manhã; como plateia tinha seus funcionários e netos que se encantavam com sua destreza em apresentar lindas músicas polonesas. Também auxiliava os necessitados, acolhendo-os como caseiros em casas de sua propriedade, dando-lhes trabalho.

Josefina Fillus atuou ininterruptamente no comércio até seus 81 anos de idade, dirigindo com competência e dinamismo esse trabalho, sempre atenta ao mister de atender muito bem a todos, como também, primava nas compras de suas mercadorias, pois exigia que fossem de ótima qualidade, para ter um bom desempenho como comerciante. Ainda, a família toda se deliciava no seu pomar, cujas variedades de frutas eram de ótima qualidade e por isso visitados todos os dias, pois em cada estação tinha frutas para serem degustadas. Frutas que todos levavam para suas casas e ainda distribuíam para amigos e vizinhos.
Josefina Fillus frequentava a missa dominical das 10 horas, visto que a referida missa era rezada em polonês, na Igreja de São Miguel, onde pertencia às damas de caridade e à associaçãocristã da época.

Josefina, seguidamente era convidada para casamentos e sempre ela se fazia presente, pegava sua charrete, encilhava um cavalo, e eu, sua neta, acompanhava nesses passeios tão lindos que insistem em voltar a lembrança, de tanta magia que tinham.
Josefina Fillus era uma pessoa que acolhia em seu estabelecimento muitas pessoas da cidade de Irati, desde os colonos que compravam praticamente tudo para a lavoura, como as donas de casa que escolhiam lindos tecidos, que se transformavam em bonitas obras de arte. Ainda possuía um capricho ímpar com todas as mercadorias, vigiava incessantemente a fim de que os clientes saíssem bem satisfeitos e que retornassem logo. O diálogo com a freguesia fluía espontaneamente.


José Fillus faleceu em Irati, em 27 de outubro de 1963, e Josefina Fillus faleceu em 10 de fevereiro de 1969.