Matheus e Apolônia

Orlando Luiz Azevedo Vila Vulka, Panhikeska, paróquia de Turgoviche, distrito de Zagrage, município de CasonoStafoia, estado de Lublin – Polônia

Orlando Luiz Azevedo

Vila Vulka, Panhikeska, paróquia de Turgoviche, distrito de Zagrage, município de CasonoStafoia, estado de Lublin – Polônia ”.
Essa é a referência da origem de Matheus e Apolônia Dlugosz, extraída da tradução do passaporte de Matheus – que nasceu aos 10 dias de setembro de 1886, filho de Pawel e Katarzyna Dlugosz. Quatro dias depois, nasceu Apolônia Katezek, a 14 de setembro de 1886, filha de Jacenty e Marianna Katezek.
Casaram-se em 28 de junho de 1907 em uma pequena Vila chamada Bychowo, próxima à fronteira.
Às vésperas de eclodir a primeira Guerra Mundial e as dificuldades de um país dominado, fizeram Matheus e Apolônia tomarem a corajosa decisão de emigrar para o Brasil.
Seguindo orientações do programa de emigração, embarcaram no trem que iria fazer a travessia Polônia – Áustria, até o Porto de Trieste.
As passagens 93 e 94, do navio Laura, não davam direito a camarotes, mas a um modesto espaço no porão do navio junto com as 150 famílias que buscavam uma nova vida na América.

Em 14 de novembro de 1911, o vapor Laura aportava no Rio de Janeiro e no dia seguinte seguiram para Paranaguá em outra embarcação.
Chegando em Paranaguá, num trem de passageiros seguiram com destino ao Núcleo de Colonização, em Cruz Machado.
A nova morada não era, nem de longe, o esperado pelos imigrantes. Mesmo assim, naquele Natal houve a distribuição do oplatek, ecoando, pela primeira vez, naquelas paragens, canções natalinas polonesas, longe do frio da neve, mas com o calor da esperança em seus corações.
As precárias condições de vida propiciaram o surgimento de moléstias contagiosas, que quase dizimaram os habitantes da Nova Colônia.
Pelo pouco que produziam as lavouras, a situação pressionou Matheus para que buscasse outras formas de trabalho. Caminhou mais de 60 quilômetros em busca de um emprego, encontrando na Lagoa (Irati), um novo rumo para sua vida. A indústria madeireira estava em fase de expansão e prometia um futuro mais promissor.

Matheus Dlugosz serviu ao exército russo, foi agricultor, carpinteiro, marceneiro, operador de máquinas, empreiteiro de serraria e um dos primeiros motoristas habilitados em Irati. Sua carteira de motorista foi tirada em 28/02/1929, sob o número 71


Em 14 de novembro de 1911, o vapor Laura aportava no Rio de Janeiro e no dia seguinte seguiram para Paranaguá em outra embarcação.
Chegando em Paranaguá, num trem de passageiros seguiram com destino ao Núcleo de Colonização, em Cruz Machado.
A nova morada não era, nem de longe, o esperado pelos imigrantes. Mesmo assim, naquele Natal houve a distribuição do oplatek, ecoando, pela primeira vez, naquelas paragens, canções natalinas polonesas, longe do frio da neve, mas com o calor da esperança em seus corações.
As precárias condições de vida propiciaram o surgimento de moléstias contagiosas, que quase dizimaram os habitantes da Nova Colônia.
Pelo pouco que produziam as lavouras, a situação pressionou Matheus para que buscasse outras formas de trabalho. Caminhou mais de 60 quilômetros em busca de um emprego, encontrando na Lagoa (Irati), um novo rumo para sua vida. A indústria madeireira estava em fase de expansão e prometia um futuro mais promissor.


Por suas habilidades como afiador de serras e operador de torno, Matheus ganhou a confiança e admiração dos seus patrões, e nunca mais lhe faltou serviço na vida.
Com as economias conseguidas com o árduo trabalho, Matheus comprou um terreno no Irati Velho e construiu a sua casa que foi sempre o ponto de encontro de toda família.
Já aposentado, mas criativo, trabalhador e à frente do seu tempo, introduziu a energia eólica na sua propriedade, proporcionando o conforto da eletricidade para sua casa. Sua horta e pomar produziam tanto para o sustento da casa quanto para presentear amigos e vizinhos. Daquele paiol – sua oficina de trabalho – saíram guarda-louças, máquina de moer uva, barricas, cadeiras, vassouras de palha e o melhor vinho branco que a família já experimentou.
Apolônia era uma pessoa muito especial. Suas faces espelhavam bem mais idade do que ela de fato tinha, pelos sofrimentos e dificuldades que passara. Mas a ternura dos seus gestos fazia dela uma pessoa muito bonita. Falava pouco, porém transmitia uma enorme ternura.
Já se passaram seis gerações desde a chegada ao Brasil: 5 filhos, 8 netos, 20 bisnetos, 31 trinetos, 3 tataranetos e 31 cônjuges fazem parte dessa família que teve suas raízes na Polônia e floresceu na nova pátria – Brasil.

Foto: Arquivo familiar