Os Poloneses, a colonização e o Dia do Agricultor

Poloneses e seus descendentes, exímios na arte de lavrar a terra, com seu trabalho, contribuem com o desenvolvimento da região

Nelsi Antonia Pabis

“A agricultura é a verdadeira riqueza da nação’, ‘demonstrar hoje essa verdade, seria o mesmo que intentar provar a necessidade e importância da água e do fogo’, a agricultura seria a fonte de todas as outras indústrias”. Assim se expressa Ferreira de Abreu, conhecedor da situação econômica da Província do Paraná, na segunda metade do século XIX, sobre a escassez de gêneros alimentícios. Neste período, o Brasil e, consequentemente, a jovem província do Paraná passou por crise de falta de alimentos e alta de preços gerando preocupações para os dirigentes e políticos imperiais. O Paraná carecia de pessoas que se dedicassem à agricultura, preferiam exercer atividades mais rentáveis como o comércio de animais, principalmente, com o Rio Grande do Sul, os antigos hábitos do pastoreio e a produção de erva-mate que não encontrava concorrência: produzir erva mate seria como transformar folhas de árvores nativas em ouro.
Na busca pelas soluções, definiram-se medidas no sentido de se elevar o conceito da profissão de agricultor e, a partir de 1875, o governo provincial, através do seu presidente Adolfo Lamenha Lins, iniciou a concretização do objetivo de estabelecer nas adjacências da capital paranaense uma sociedade camponesa, nos moldes europeus, com a finalidade de produzir os gêneros alimentícios de subsistência que este núcleo urbano consumia e importava de outras províncias. Um dos objetivos era fixá-los como proprietários e não como operários. E assim, iniciou-se, através dos agentes de imigração uma campanha de recrutamento na Europa que vivia uma intensa crise social, política e econômica.


Atraídos pelas promessas, em 1869 chegaram os primeiros imigrantes poloneses, se instalaram em Brusque-SC e em 1871, 16 famílias foram para Curitiba e se instalaram no Pilarzinho. Por volta de 1876, inicia-se uma imigração direcionada para os arredores de Curitiba nas recém criadas Colônias Santa Cândida, Orleans, Lamenha, Santo Inácio, D. Augusto, D. Pedro, e Tomaz Coelho. Ao receberem o lote de terra, tiveram que remover a mata e iniciar a plantação e assim, passaram a suprir o mercado da capital com gêneros alimentícios, conforme esperado.
Como as terras começaram a ficar escassas e como coloca Gluchowski, primeiro cônsul da Polônia no Brasil, no livro, “Os poloneses no Brasil”, “o colono polonês ao viajar para o além-mar, acalentava o ideal, o sonho de possuir a quantidade maior possível de mato, daquele mato que lá na Polônia ele não possuía” (p. 278). O Paraná, e depois Irati, se apresentava como possibilidade de realizar este sonho. Para Wachowicz, o aldeão camponês no Brasil, vai demonstrar um grande amor e apego a terra, as novas gerações partem para a conquista de novas e mais extensas áreas no interior do Paraná.
Os trilhos da estrada de ferro, as terras cobertas de araucárias e matas nativas como a erva-mate e a fertilidade do solo para a agricultura na região de Irati, motivaram a vinda dos imigrantes e seus descendentes instalados nos arredores de Curitiba. Os primeiros poloneses que vieram para nossa cidade instalaram-se na região Alto da Serra e segundo Gluchowski, o pioneiro foi o Sr. Ladislau Gryczynski; em 1904, o Alto da Serra contava com 30 famílias. Por volta de 1920, encontravam-se 800 famílias na região. Posteriormente, muitas famílias, principalmente de Tomaz Coelho, vieram para a região. Ocuparam os espaços no interior do Paraná, dedicando-se à agricultura e, assim, colaboraram para que a região de Irati se tornasse agrícola e o Paraná o celeiro brasileiro. A agricultura, além da produção de alimentos, é a fonte de muitas indústrias como bebidas, fibras, energia, etc. É uma atividade milenar e por meio dela o ser humano deixou o nomadismo, fixou-se em locais onde pudesse plantar para obter alimentos, proporcionou o surgimento dos primeiros aglomerados urbanos e o excedente de alimentos.


A agricultura sempre foi a arte de lavrar a terra. Muitas mudanças aconteceram nesta atividade, do lavrar a terra manualmente com pá e enxada, com o arado de tração animal, até a mecanização para produção em larga escala. Mas muitos alimentos como as verduras e hortaliças, imprescindíveis para uma vida saudável, através da alimentação saudável, continuam sendo produzidas de forma tradicional. Em Irati, são inúmeros os agricultores familiares que colaboram para abastecer o mercado local, participam da Feira do Produtor onde são encontrados os mais variados tipos de verduras, hortaliças naturais e processadas.
Quer sejam agricultores dedicados à agricultura intensiva, a modalidade que utiliza insumos e tecnologia para o aumento da produtividade ou à extensiva, que é caracterizada pelo uso de técnicas tradicionais na produção, a maioria dos agricultores na região de Irati é composta por descendentes de poloneses. Devido à importância da agricultura e do trabalho do agricultor, através do decreto Lei 48.630 de 27 de julho de 1960, o presidente Juscelino Kubitscheki, instituiu, em comemoração aos 100 anos do Ministério da Agricultura, o Dia do Agricultor e em 25 de julho é comemorado o dia Internacional do Agricultor e da Agricultura familiar.
No ano em que se comemora os 150 anos da imigração polonesa no Paraná, o Núcleo da BRASPOL de Irati, homenageia os destemidos e corajosos agricultores, homens e mulheres, que com sua arte de lavrar a terra contribuíram e continuam contribuindo para o engrandecimento da região.
Famílias de agricultores poloneses que se instalaram na região de Irati.

Bandacheski, Byczykowski, Bielik, Binhara, Biernaski, Bogucheski, Bojan,Borszowski, Bronguel, Budziak, Chasko, Chebesk, Chomiak, Chuilk,Czanoski, Delong, Dlugosz, Dranka, Deruba, Duda, Duran, Fauat, Fidalski, Filipak, Fillus,Frankowski,Furman, Gawlak,Gierszewski, Golinski,Golosz,Grychynski,Glyczynski,Glowacki,Guardachewski,Guil, Grudzien,Guscior, Gurski,Halibosek, Hessel, Homiak, Ivanski, Jantas, Jarski, Juliniak, Kalinowski, Karachinski, Kleina, Koltson, Kovalski, Kososki, Krzyzanowski,Kanarski, Kasprzak, Kingerski, Kososki, Klosowski, Kotlinski, Kosinski,Kotowicz, Kozlik, Krupczak, Kupka, Kutz, Langowski, Lopata,Machinski, Malinowski, Markowicz, Mazur, Mikosz, Mirkowski, Muchau,Mierzwa,Nalepa, Niedopetalski, Novak,Opata, Orchel,Okonoski,Pabis, Paczkowski, Paduch, Panko, Pankoski, Patrzyk, Peplinski, Piekarski,Polak, Pyrek, PrzybylskiPrzypiura, Reglewski, Rogitski, Rosol,Rzypka, Schneider, SedoskiSenderski, Setlik,Setnarski, Sideloski, Shimtana, Sinda, Siuta, Szczepanski, Szimanski, Skura, Soczek, Staniecki,Stachiewski, Stawicki,Sobutka, Sloma, Surek, Szychta, Sikora, Stepka, Skraba,Teleginski, Tucholka,Tajok, Temitski, Trotski, Trybek,Wasilewski, Wojcik, Wolski, Wantroba, Wosniak, Wrobel, Wrobleski, Vach, Valenga, Zawilinski, Zarochinski e outras que também se dedicaram à agricultura na região de Irati.
A todos, a gratidão pelo trabalho.

Propriedade da família polonesa Czanoski na região de Irati – Foto: Acervo Familiar