Aluno com deficiência visual supera desafios e conclui mestrado

Foto: Bárbara Gardin/O jovem passou por muitas adaptações para concluir o mestrado e já tem planos para fazer doutorado e

Foto: Bárbara Gardin/O jovem passou por muitas adaptações para concluir o mestrado e já tem planos para fazer doutorado e ministrar palestras

A falta de mais da metade da visão não impediu que o aluno, Edison Luiz de Jesus, concluísse o mestrado em História pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), no campus Irati. A força de vontade, adaptações e o auxílio de amigos, professores e família contribuíram para mais uma conquista na vida do jovem.

Edison nasceu com atrofia do nervo óptico, e por isso, tem apenas 40% da visão nos dois olhos. O jovem, que está com 32 anos, sempre teve dificuldades no período escolar, que cursou em Fernandes Pinheiro, sua terra natal e onde ainda reside. Com o problema na visão ele precisou se adaptar a várias formas para estudar e acompanhar os demais, com material ampliado ou o auxílio de lupa ele terminou o ensino médio. Depois de alguns anos começou a estudar Técnico Ambiental, no colégio Florestal em Irati, o que rendeu ao jovem uma grande experiência e ajudou a ingressar na faculdade.

Em 2012, o jovem conta que decidiu mudar o rumo da vida, e prestou vestibular para História na Unicentro, e passou sem utilizar o sistema de cotas. Nos anos de graduação, Edison precisou de várias adaptações, que não o impediram. Eu sempre contei com o apoio do Programa de Inclusão e Acessibilidade da Unicentro, que disponibiliza professores e monitores para acompanhar o processo de ensino e alguns serviços. Eu, por exemplo, não trabalho com tecnologia nenhuma, não posso olhar na tela do computador. Então me disponibilizaram o material ampliado e também a xerox e livros ampliados, se tivesse em braile eles também deixavam acessível. Os professores também tinham uma atenção especial voltada a mim, e eu contava a ajuda dos colegas e isso é muito importante para a pessoa com deficiência, relata Edison.

Por dois anos Edison trabalhou na dissertação do mestrado, que fez sobre história local, estudou a escola da comunidade de Bituva das Campinas, em Fernandes Pinheiro. Com o problema da visão e impossibilitado de utilizar o computador o jovem fez todo o mestrado escrito a caneta, em um caderno, que seu orientador corrigia, e seu irmão mais novo digitava para depois ser enviado para correção. Esse trabalho em conjunto é fruto da união da família de Edison com os professores envolvidos.

Para ele essa foi uma vitória de todos. Essa é uma conquista da universidade, dos professores que me acompanharam, e também da minha família que sempre me apoiou, e também do município de Fernandes Pinheiro, porque a gente sempre conta com a ajuda dele, destaca.

UNICENTRO

Foto: Bárbara Gardin/Edison junto com o professor/orientador, Geyso, e o coordenador do mestrado em história da Unicentro, Oseias

O professor e orientador do mestrado de Edison, Geyso Germinari, diz que tudo saiu como o planejado, e as dificuldades que o mestrando teve foram iguais aos demais alunos, e a colaboração da família ajudou o jovem a concluir o curso. O Edison apresentou dificuldades naturais como os outros alunos, mas ele tem virtudes como pesquisador, sua compreensão de texto é fácil. O modo de escrever acadêmico ele vem desenvolvendo desde a graduação. Mas outro aspecto muito interessante dele é a parceria, que eu também estabeleci, junto com a família, conta.

O professor diz sentir muita alegria com o trabalho concluído. Eu fiquei muito orgulhoso da defesa do Edison, procurei divulgar tudo e a trajetória que ele estabeleceu na graduação e no mestrado. A gente se sente participe dessa conquista dele, fiquei muito feliz e vejo isso como uma conquista pessoal e do programa que a gente tem também, comenta.

O coordenador do mestrado em História, Oseias Oliveira, também destaca o desempenho de Edison e toda a dedicação que teve nesses anos. O Edison lê com aplicação, com esmero e tem uma memória muito boa, que garante uma eloquência para ele, que se sobressai nas aulas. Ele sempre foi muito participativo, defendeu dentro do prazo, participou, cumpriu todas as obrigações enquanto bolsista, cumpriu todas as obtenções para o título de mestre em História, participou dos eventos necessário, cumpriu de forma muito satisfatória o que era programado no mestrado, observa.

Para ele essa é uma conquista para todos da universidade. Para nós ter o Edison como aluno se encaixa na proposta de inclusão e aproximação dos alunos com dificuldades especiais. Para os alunos, alguns já conheciam que vinham da graduação, para outros, era novidade, mas essa convivência é enriquecedora. É uma experiência muito importante de valorização do aluno enquanto acadêmico, como quem participa das atividades da instituição e apara os alunos esse momento de convivência também é muito importante, enfatiza.

SONHOS FUTUROS

Edison tem planos de cursar o doutorado e desenvolver palestras para empresas no sentido de encorajar as pessoas, não somente as pessoas com deficiências, mas todos os trabalhadores, para superarem as limitações e dificuldades. Isso irá ajudar nas suas vidas, as palestras servirão de motivação para essas pessoas verem que as dificuldades servem para que as pessoas crescem, relata.

Depois de concluir mais um estudo em sua vida, o jovem com deficiência visual faz um apelo para que todos Que os colegas não menosprezem essas pessoas, porque nós vivemos em um mundo de ódio e preconceito, em que essas pessoas são excluídas da sociedade. As pessoas com deficiência têm uma dificuldade natural, e ainda mais essa com o preconceito e exclusão, e acabam desistindo dos estudos por serem desestimulados, tratados como incapazes, ou como coitadinhos. E isso acabam refletindo em uma série de problemas que vão levar para a vida, e isso é fundamental na educação e na sociedade, conclui.