Cooperativa finaliza primeiro teste para a comercialização do pinhão descascado e embalado a vácuo

Há quem goste de consumir o pinhão durante todo o ano, afinal é um alimento que combina muito bem com os meses de temperaturas mais elevadas

Pensando em aumentar seu portifólio de produtos com a utilização do pinhão, alimento típico da região sul do Brasil, a Provale (Cooperativa dos Produtores Familiares do Vale) com o apoio do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater) realizou os primeiros testes de processamento, para a comercialização do produto descascado e embalado a vácuo. Uma novidade para quem aprecia esta delícia que pode ser consumida de diversas formas como cozido, assado ou como ingrediente para pratos típicos

A colheita e a comercialização do produto são liberadas apenas entre abril e julho de cada ano. A lei foi criada para garantir que a semente não seja colhida ainda verde. Porém há quem goste de consumir o pinhão durante todo o ano, afinal é um alimento que combina muito bem com os meses de temperaturas mais elevadas. Com este novo processo não será mais necessário esperar até o inverno para comprar o pinhão, pois como o alimento é pré-cozido e embalado a vácuo o pinhão poderá permanecer armazenado por um período maior. Assim o produtor ganha tempo para comercializar o seu produto e o consumidor pode adquirir o pinhão durante, praticamente, o ano todo. De acordo com Avner Paes Gomes, Engenheiro Florestal do IDR-Paraná, a intenção do projeto não é competir com o mercado do pinhão in natura, mas sim garantir que o produto esteja disponível na versão a vácuo depois do período de safra.

O pinhão é uma semente da Araucária, árvore símbolo do Paraná que contribuiu de forma expressiva para o desenvolvimento do nosso estado em função da qualidade de sua madeira. E foi justamente a comercialização excessiva desta madeira que fez com que a árvore entrasse em extinção. O projeto para comercializar o pinhão processado deve colaborar, também, com a conservação da Araucária “A ideia é incentivar, não só a conservação das araucárias existentes, como também o cultivo de pomares para produção e comercialização de pinhão e assim aumentar o número de araucárias no nosso estado”, explica Avner.

O pinhão na embalagem a vácuo ainda não pode ser encontrado nos mercados porque primeiro é necessário que outros testes sejam finalizados. Os próximos passos são os testes microbiológicos para analisar a contaminação do produto após ser processado e os testes de paladar para avaliar se há alteração no sabor e na textura após determinados períodos de armazenamento. Estas análises serão realizadas em parceria com a Embrapa Florestas. De acordo com o Avner Gomes a previsão é de que os próximos testes comecem a ser realizados já no final desta safra, ou seja, no início do mês de agosto. 

O IDR-Paraná atende diretamente cerca de 300 produtores de pinhão atualmente, com 100 mil mudas enxertadas plantadas nas Propriedades Rurais. O instituto trabalha na organização da cadeia produtiva, desde novas tecnologias de produção até o desenvolvimento de equipamentos para industrialização destinado a grupos de produtores, garantido melhores preços à produção e oferta contínua aos consumidores. São 150 técnicos e viveiristas, capacitados pelo IDR-Paraná, que trabalham para levar todo o conhecimento e apoio que os produtores precisam. 

A rentabilidade com o mercado do pinhão é muito maior do que era com o mercado de madeiras das Araucárias. Dados do IDR-Paraná revelam que o produtor pode alcançar uma renda anual acima de 5 mil Reais por hectare, quando cultivado de forma semelhante à fruticultura. Em 2019 o Paraná produziu aproximadamente 4 mil toneladas de pinhão, que contribuíram com mais de 15 milhões de reais para o VBP (Valor Bruto da Produção Agropecuária) do Estado.