Ladislao Obrzut

Dedicado à família, ao trabalho e a comunidade, viveu intensamente o seu tempo

Elizabeth Obrzut Hessel–neta

Ladislao Obrzut nasceu em 29/06/1893 na cidade de Curitiba, faleceu em 09/08/1973, em Irati – Paraná. Filho de Alberto Obrzut e Carolina Novak, casou-se com Helena Dembicki em 16/06/1916, deste casamento nasceram os seguintes filhos: Venâncio Obrzut, casou com Mercedes Martins, Wanda Obrzut com Hugo Augusto Slivak, Eduardo Ernesto Obrzut com Evandrolina Sabóia e Amália Antonina Obrzut com Jair Araújo.
Ladislao veio para Irati no início de 1917, moço ainda e com grande entusiasmo para o trabalho, se estabeleceu aqui como alfaiate, profissão que exerceu até o ano de 1933.
A partir dessa data, iniciou um novo ramo de atividade, ou seja, representante da CIA ATLANTIC DE PETRÓLEO, com posto localizado a Rua Dr.Munhoz da Rocha, esquina com Rua XV de julho.
Ladislao, apesar dos seus afazeres, dispunha de tempo para tratar de assuntos da comunidade; em janeiro de 1927, foi nomeado pelo Presidente da República a responder como suplente de JUIZ FEDERAL no município de Irati pelo prazo de quatro anos.
Em 02 de outubro de 1931, foi nomeado através do decreto 2.082, pelo então Interventor Federal do Estado do Paraná como Juiz Distrital.
No ano de 1.937, exerceu a função de Delegado de Polícia neste município substituindo o delegado titular.
Em 26 de outubro de 1944, assumiu novamente a Delegacia Regional de Polícia, substituindo o delegado titular, Tenente João Batista Lopes.
Em 13 de julho de 1949, mais uma vez, foi chamado a prestar serviços a esta comunidade substituindo desta vez o delegado titular, o bacharel Pedro Barry.
Em março de 1950, assumiu a presidência do Partido Social Progressista, dando assim a sua valorosa contribuição para os problemas políticos da época. Talvez, com o trabalho deste e de muitos outros homens que já tombaram com o passar dos anos é que Irati se projetou no cenário político do Estado do Paraná e do Brasil.
Veio a falecer em 09 de agosto de 1973 deixando para trás uma folha de serviços prestados ao bem da coletividade, uma família que muito tem contribuído para o desenvolvimento deste município.
Por estes motivos aqui justificados e documentados é que honrosamente apresento este Ante Projeto de Lei dando o nome a uma das nossas vias públicas de LADISLAO OBRZUT que ficará registrado para as gerações futuras um dos grandes homens que aqui chegou, lutou, trabalhou, viveu e aqui morreu.
Irati,02 de agosto de 1976.
Antonio Colaço Vaz – Vereador.

A biografia acima citada foi redigida pelo vereador Antônio Colaço Vaz, com o intuito de homenagear o senhor Ladislao nomeando uma das ruas de Irati com o seu nome.
Ladislao foi um homem de visão que contribuiu para o desenvolvimento da cidade, mas acima de tudo foi bom pai, marido, sogro e avô. Seus pais, Carolina Novak Obrzut e Alberto Obrzut, vieram da Polônia pelos idos de 1871 a procura de lugar para trabalhar e viver. Estabeleceram-se na localidade de Dom Augusto, nas proximidades de Campo Largo e Araucária, onde na época, foi lugar de abrigo para uma colônia polonesa. Hoje, essa localidade se chama Augusta. Ladislao viveu ali sua infância e adolescência e mais tarde frequentou o curso de alfaiataria em Campo Largo. Desde cedo já se mostrava dedicado aos seus afazeres, obtendo o primeiro lugar da turma. Fazia parte desta mesma turma Bernardo Dembicki, irmão de Helena, a qual mais tarde veio a ser sua esposa. O pai de Helena, Francisco, casado com Francisca Dembicki, ficou viúvo quando Helena ainda era criança. Seu pai a criou até os seus 16 anos. Como as famílias Obrzut e Dembicki eram muito amigas decidiram pelo casamento de Ladislao e Helena.
O casal falava a língua polonesa além da portuguesa. Assinavam o jornal LUD, e sempre compartilhavam com os filhos e netos as notícias sobre a Polônia.

Ladislao Obrzut contribuiu para o desenvolvimento de Irati. Foto de 1960 – Acervo Familiar


Ladislao gostava da terra. Adquiriu uma chácara, criava porcos, cabritos, perus, frangos, patos. Plantava milho para os animais, verduras, cereais, frutas como uva, pêra, maçã, melancia, abóboras para a família, também, gostava de cultivar flores.
Levava seus netos para passear na chácara, os quais iam na carroceria do caminhão cantando e se divertindo. Em algumas dessas idas, o objetivo era abater animais para consumo diário ou para as festas de natal e final de ano. No retorno, passavam em uma mercearia para tomar sorvete. Apreciava a caça e pesca, com amigos passavam dias na mata. Voltavam com aves como perdizes, codornas e peixes.
Mesmo depois que parou de exercer a atividade de alfaiataria, Ladislao costurava batinas para padres, em especial para os do Colégio São Vicente de Paulo. Dizia que a obra prima de um alfaiate era confeccionar a sua própria mortalha com tecido preto e linha branca sem que a costura ficasse exposta, e assim o fez.

Ao falecer, deixou a esposa, quatro filhos, duas noras, dois genros, 16 netos, alguns colaboradores e vários amigos os quais sentiram sua falta pela pessoa que era: dedicado, competente, prestativo, trabalhador, além de outras qualidades como a de se doar pela família, pelo trabalho, pelos amigos e também pelo bem da comunidade onde viveu.

Foto: Posto Atlantic, no centro de Irati, concluído na década de 1940 – Foto: Acervo Familiar